Avaliação de Beauveria
bassiana (Bals.) Vuill. e Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok.
para Controle de Sitophilus zeamais (Coleoptera: Curculionidae)
1 Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste/CCA, Campus
Marechal Cândido Rondon. Programa de Pós-graduação
em Agronomia, Curso de Mestrado. E-mail: profmichele@gmail.com.
2 Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste/CCBS, Campus
Cascavel. Rua Universitária, 2096, Jardim Universitário,
85814-110, Cascavel, PR.
3 Bolsista Produtividade em Pesquisa, CNPQ
Evaluation of Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. and Metarhizium
anisopliae (Metsch.) Sorok. to control Sitophilus zeamais (Coleoptera:
Curculionidae)
ABSTRACT - This research aimed to evaluate, under laboratory
conditions, the entomopathogenic fungi Beauveria bassiana (Bals.)
Vuill. and Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok to control Sitophilus
zeamais Mots. Bioassays were conducted to evaluate the pathogenicity
of 16 isolates of B. bassiana and 2 isolates of M. anisopliae,
based on virulence, vegetative growth and conidia production in Petri dishes
and on rice and insect cadavers. All tested isolates were pathogenic to
S.
zeamais. The highest cumulative mortalities at 5th day were obtained
with the isolates Unioeste 4, Unioeste 39 e Esalq 643 of B. bassiana.
Regarding to the virulence, these three isolates did not differ among themselves.
However, regarding to the colony average diameter, conidia production per
colony and per cadaver, the isolate Esalq 643 was the most effective one.
Regarding to rice conidia production, both Unioeste 4 and Esalq 643
isolates were equally productive. In general, the isolates Esalq 643 and
Unioeste 4 were very effective with potential for exploiting in the microbial
control of S. zeamais.
RESUMO - Este trabalho teve como objetivo avaliar, em condições
de laboratório, os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana
(Bals.) Vuill. e Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok. no controle
de Sitophilus zeamais Mots. Foram realizados bioensaios de patogenicidade
e comparação de 16 isolados de B. bassiana e 2 isolados
de M. anisopliae, avaliando-se a patogenicidade, virulência,
crescimento vegetativo e produção de conídios em placa-de-Petri
e em arroz e cadáver dos insetos. Todos os isolados foram patogênicos
a S. zeamais. As mortalidades acumuladas mais elevadas ao 5°
dia foram obtidas com os isolados Unioeste 4, Unioeste 39 e Esalq 643 de
B.
bassiana. Quanto à virulência, esses três isolados
não diferiram entre si, no entanto, em relação ao
diâmetro médio de colônia, produção de
conídios por colônia e produção de conídios
por cadáver, o isolado Esalq 643 foi o mais eficiente. Na produção
média de conídios em arroz, os isolados Unioeste 4 e Esalq
643 não diferiram entre si, sendo ambos produtivos. Em geral, os
isolados Esalq 643 e Unioeste 4 se mostraram eficientes, tendo potencial
para explorar no controle microbiano de S. zeamais.
Sitophilus zeamais Mots. (Coleoptera: Curculionidae) é
considerado uma das principais pragas do milho armazenado, responsáveis
pelos maiores danos e prejuízos na sua qualidade, tornando-o impróprio
para industrialização e para o consumo humano (Caneppele
et
al. 2003). O expurgo dos grãos com fosfina (fosfeto de alumínio
ou fosfeto de magnésio) é controle mais utilizado para esses
insetos. No entanto, estes produtos têm persistência nos alimentos
e no meio ambiente, além de serem tóxicos aos aplicadores
e selecionarem populações de insetos resistentes (Andrade
Jr. et al. 2003).
Uma alternativa mais sustentável no controle de Sitophilus
spp.
seria a utilização de entomopatógenos, que poderiam
ser empregados juntamente com inseticidas seletivos e outros métodos
de controle. Esses microrganismos, em geral, não selecionam populações
resistentes, não causam poluição ao ambiente e não
são tóxicos para o ser humano e outros animais (Alves
1998a). No entanto, a ação dos entomopatógenos
é mais lenta e a maioria necessita de condições adequadas
para manter sua viabilidade e patogenicidade (Alves
1998a, Lord 2005).
Os fungos são os entomopatógenos que apresentam maior
potencial de uso no controle de Sitophilus spp., pois seu modo de
ação é baseado, principalmente, no contato do inseto
com os conídios (Alves & Lecuona
1998). Além disso, os conídios e os esporos têm
alta capacidade de dispersão horizontal, sendo transportados por
vários agentes a grandes distâncias, compondo focos de disseminação
(Alves 1998b, Castrillo
et
al. 2005).
Dada a grande variabilidade genética apresentada pelos fungos
entomopatogênicos, Alves (1998b) e Dal
Bello et al. (2001) destacam a importância da realização
de bioensaios para a seleção de isolados altamente virulentos,
persistentes e com boa capacidade de reprodução. Desta forma,
aumenta-se o potencial dos fungos entomopatogênicos como inseticidas
microbiológicos. Especialmente para S. zeamais e S. oryzae,
Moino
Jr. et al. (1998) e Dal Bello et
al. (2001) também observaram a variabilidade de isolados
de B. bassiana e M. anisopliae quanto à infectividade.
Os fungos entomopatogênicos com maior potencial para o controle
de insetos-praga de grãos armazenados são Beauveria bassiana
(Bals.)
Vuill. e Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok., sendo considerados
seguros para seus aplicadores ou mesmo para os demais organismos vivos
(Pereira et al. 1998).
Os poucos trabalhos que abordam o controle de Sitophilus spp.
com fungos entomopatogênicos seguiram metodologias diferentes da
utilizada nessa pesquisa. Moino Jr. et al.
(1998)
obtiveram em seus trabalhos mortalidade confirmada de S. oryzae e
S.
zeamais com
B.bassiana
próxima a 100%. Também
foi verificado o controle de S. zeamais por B. bassiana em
grãos tratados previamente, com redução do número
de adultos emergidos (Moino Jr. & Alves
1998). Estudos realizados com S. oryzae em trigo, tratado e
não-tratado com B. bassiana, mostraram que os grãos
sem o tratamento sofreram um dano significativamente maior do que os grãos
tratados (perda de peso de 38,3% contra 7,1%, respectivamente) (Padín
et
al. 2002).
A eficiência dos entomopatógenos e as grandes áreas
tratadas têm aumentado sua credibilidade, porém ainda é
colocada em dúvida por muitos produtores (Lacey
et
al. 2001, Parra et al. 2002).
Por outro lado, os métodos de seleção, produção,
formulação, o melhor entendimento de como ele se mantém
em sistemas integrados e suas interações com o desenvolvimento
de outros componentes do MIP, devem fazer com que todas as suas vantagens
(eficácia, seletividade e segurança) sejam evidenciadas,
e não simplesmente comparar com os agrotóxicos. Além
disso, a demanda mundial por alimentos mais saudáveis, exige que
a qualidade do grão colhido na lavoura seja mantida, com o mínimo
possível de perdas, além da redução na utilização
dos produtos químicos, ressaltando a importância do controle
microbiano.
Assim, frente aos poucos trabalhos sobre a ação de fungos
contra S. zeamais e visando contribuir com futuros programas de
controle biológico deste inseto, objetivou-se neste trabalho avaliar
a eficiência e produtividade de novos isolados de B. bassiana
e
M.
anisopliae, com base na análise da virulência, diâmetro
médio de colônias em placa de Petri, produção
de conídios por colônia, produção média
de conídios por cm2, produção de conídios
em arroz e em cadáver de inseto para os isolados selecionados.
Material e Métodos
Os experimentos foram realizados no Laboratório de Zoologia de
Invertebrados da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste),
Campus de Cascavel. Adultos de S. zeamais utilizados no bioensaio
foram provenientes da criação do próprio laboratório,
com idade entre 30 e 60 dias, não sexados e alimentados com grãos
de arroz polido.
Os isolados de Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae
foram provenientes do banco de entomopatógenos do próprio
Laboratório de Zoologia de Invertebrados da Unioeste ECampus Cascavel
(Tabela 1), e foram reativados em larvas de cascudinho-de-aviário,
Alphitobius
diaperinus (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae), previamente à
realização dos experimentos. O procedimento foi realizado
pela inoculação de insetos sadios em suspensões dos
isolados, e após a conidiogênese sobre o inseto, cada isolado
foi cultivado em M.E. (meio de esporulação) (Alves
et
al. 1998) e os conídios recolhidos e armazenados a -10ºC.
Tabela 1. Isolados de fungos
entomopatogênicos utilizados no bioensaio e respectiva origem.
Além destes, foi utilizado o isolado Esalq 643 (B. bassiana),
proveniente do Laboratório de Patologia de Insetos da Escola Superior
de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), selecionado para controle de
S.
zeamais por Moino Jr. et al. (1998)
e testado posteriormente por Moino Jr. &
Alves (1998), servindo como isolado padrão.
A partir do inóculo ativado, os isolados foram multiplicados
em placas de Petri contendo M.E., incubados por 8 dias a 26±1ºC
e 14h de fotofase. Em seguida, os conídios foram coletados, raspando-se
a superfície do meio e armazenados em frascos de vidro esterilizados,
mantidos a -10ºC até a utilização nos bioensaios,
por um tempo que não ultrapassou 15 dias.
As suspensões de conídios foram preparadas com água
destilada esterilizada contendo espalhante adesivo Tween 80 (0,01%) (Synth,
São Paulo), e quantificadas em câmara de Neubauer e padronizadas
na concentração de 1,0×109 conídios/mL,
aproximando-se da concentração utilizada nos experimentos
de Moino Jr. et al. (1998).
Avaliação da patogenicidade. Adultos de S. zeamais
foram
imersos em 1mL de suspensão de conídios sob agitação
manual, durante 10 segundos. Posteriormente, foram retirados e acondicionados
em placas de Petri contendo papel filtro e arroz polido. Para cada isolado
foram preparadas quatro repetições, cada uma com quinze insetos.
As placas foram mantidas em potes plásticos com espuma umedecida
ao fundo, e incubados a 26±1ºC e fotofase de 14h, gerando condições
adequadas para o fungo se desenvolver, independente do local a ser utilizado.
O experimento foi avaliado diariamente por um período de 10 dias,
sendo
os insetos mortos imersos em solução de álcool 70%
e água destilada esterilizada para a desinfestação
superficial. Em seguida, foram acondicionados, individualmente, em placas
de polietileno contendo papel filtro esterilizado umedecido (câmara
úmida) e estas foram colocadas no interior de um recipiente plástico
com espuma umedecida ao fundo, nas mesmas condições citadas
anteriormente por 7 dias, para confirmação da mortalidade
pelo patógeno.
Pelo fato de cada um dos isolados ter sido avaliado separadamente, nas
diferentes concentrações, os dados foram analisados apenas
graficamente e os isolados que provocaram mortalidade confirmada mínima
de 80% foram selecionados. Destes, os três que apresentaram maior
mortalidade confirmada acumulada ao 5º dia foram selecionados para
serem testados quanto à sua virulência, concentração
letal, crescimento vegetativo, produção de conídios
em placa, produção de conídios em arroz e produção
de conídios em cadáver, sendo que os dados foram analisados
graficamente.
Comparação da Virulência. Os isolados foram
multiplicados conforme metodologia já descrita, e foram preparadas
suspensões de conídios nas concentrações de
1,0×104, 1,0×105, 1,0×106,
1,0×107, 1,0×108 e 1,0×109
conídios/mL, utilizando-se o mesmo procedimento experimental adotado
no experimento anterior. A mortalidade foi avaliada diariamente por 10
dias, padronizando-se para análise os valores de mortalidade confirmada
obtidos no 5º e 10º dias após a inoculação,
conforme realizado por Rohde et al. (2006).
Os dados foram transformados em arcseno
e submetidos à análise de variância (Teste F) e as
médias comparadas entre si pelo teste de Tukey, ambos a 5% de significância,
segundo o delineamento experimental inteiramente casualizado, utilizando-se
os programas estatísticos Sisvar® (Ferreira
2005).
Crescimento vegetativo. Os conídios foram inoculados em
dois pontos na superfície do meio de cultura (M.E.) em placas de
Petri, incubadas a 26±1°C e 14h de fotofase, durante 8 dias.
Após esse período, foram realizadas duas medições
perpendiculares do diâmetro das colônias formadas, para obtenção
do diâmetro médio. Para cada um dos isolados foram preparadas
quatro placas, sendo cada colônia considerada uma repetição.
Os dados foram transformados em
e submetidos à análise de variância (Teste F) e as
médias comparadas entre si pelo teste de Tukey, ambos a 5% de significância,
segundo o delineamento experimental inteiramente casualizado, utilizando-se
o programa estatístico Sisvar®.
Produção de conídios em placa. Os dados
foram obtidos a partir das colônias do experimento anterior, que
foram recortadas do meio de cultura na linha terminal do halo e individualizadas
em tubos de vidro esterilizados, e armazenadas a -10ºC. Para a avaliação,
as colônias foram imersas em 10mL de solução de água
destilada esterilizada + espalhante adesivo Tween 80 (0,01%) e agitadas
em vórtex por um minuto. A quantificação foi feita
em câmara de Neubauer e os dados obtidos foram transformados em e
submetidos à análise descrita para o experimento de avaliação
de crescimento vegetativo.
Produção de conídios em arroz. Seguiu-se
a metodologia descrita por Leite et al. (2003)
para a preparação dos inóculos, matrizes e incubação.
Cada repetição constou da inoculação de aproximadamente
15g do arroz + fungo das matrizes, em 150g de arroz pré-cozido,
autoclavado e resfriado contido em um saco de polipropileno. Para cada
isolado foram preparadas dez repetições e foram incubados
a 26±1°C e 14h de fotofase. Após 10 dias os sacos foram
abertos e seu conteúdo exposto a um fluxo de ar durante o período
de 24 horas, sendo então, o arroz espalhado em bandejas de plástico
e mantido a 25±2ºC, por mais três dias, para então
se avaliar a produção de conídios.
Assim, três amostras de 1g do arroz foram tomadas de cada repetição
e armazenadas a -10ºC. Posteriormente, foram suspensas em água
destilada esterilizada + espalhante adesivo Tween 80 (0,01%) e agitadas
em vórtex por um minuto para serem submetidas à contagem
em câmara de Neubauer. O delineamento experimental e a análise
estatística adotados foram os mesmos descritos no experimento de
avaliação de crescimento vegetativo.
Produção de conídios em cadáver. Todos
os procedimentos adotados foram os mesmos descritos no experimento de avaliação
de patogenicidade, utilizando-se, porém, o total de sete repetições
por isolado, cada uma constituída por sete insetos, selecionados
com base na plena conidiogênese, após os cadáveres
terem sido mantidos em câmara úmida, conforme também
descrito. Os insetos foram acondicionados em frascos de vidro esterilizados
e armazenados em freezer a -10ºC até a realização
da contagem.
Para a avaliação, os conídios da superfície
dos insetos foram removidos, imergindo os insetos em 10mL de água
destilada estéril + espalhante adesivo Tween 80 (0,01%). A suspensão
foi agitada em vórtex durante um minuto e quantificada em câmara
de Neubauer. A análise dos dados foi executada com base nos procedimentos
descritos para o experimento de avaliação do crescimento
vegetativo.
Resultados e Discussão
Avaliação da Patogenicidade. Verificou-se que todos
os isolados foram patogênicos a S. zeamais, sendo que o isolado
Esalq 643 foi o que causou a maior porcentagem de mortalidade confirmada
(98,3%), seguido pelo Unioeste 4 (95%), ambos da espécie B. bassiana
(Tabela
2). Também utilizando o mesmo isolado Moino
Jr. et al. (1998) obtiveram resultados semelhantes, com porcentagem
média de mortalidade para S. zeamais entre 56,7 a 100% e
para S. oryzae
entre 33,3 a 100%. Ressaltaram que o isolado Esalq
643 foi o segundo melhor, dentre 72 isolados analisados, apresentando mortalidade
média de 86,7% para S. zeamais e 96,7% para S. oryzae.
Tabela 2. Porcentagem média
de mortalidade confirmada de adultos de S. zeamais por diferentes
isolados de B. bassiana e M. anisopliae após 10 dias
de incubação (26±1°C, 14h de fotofase).
Isolados
Mortalidade (%)
Beauveria bassiana
Unioeste 1
45,0 ± 2,1
Unioeste 3
8,3 ± 0,8
Unioeste 4
95,0 ± 0,7
Unioeste 5
71,7 ± 2,4
Unioeste 25
28,3 ± 1,4
Unioeste 26
71,7 ± 1,2
Unioeste 36
80,0 ± 1,8
Unioeste 37
78,3 ± 2,0
Unioeste 38
35,0 ± 0,8
Unioeste 39
83,3 ± 2,5
Unioeste 40
70,0 ± 0,5
Unioeste 41
86,7 ± 1,4
Unioeste 42
43,3 ± 2,1
Unioeste 44
91,7 ± 0,8
Unioeste 45
90,0 ± 2,1
Esalq 643
98,3 ± 0,5
Metarhizium anisopliae
Unioeste 22
65,0 ± 1,1
Unioeste 43
33,3 ± 0,7
Os isolados Unioeste 4, Unioeste 36, Unioeste 39, Unioeste 41, Unioeste
44, Unioeste 45 e Esalq 643, foram selecionados com base na interpretação
gráfica, pois causaram mortalidade confirmada em S. zeamais mínima
de 80%, sendo todos isolados do fungo B. bassiana. Dentre estes,
os três isolados que apresentaram maior porcentagem de mortalidade
confirmada acumulada ao 5º dia após a inoculação
foram Unioeste 4 (78,3%), Unioeste 39 (71,7%) e Esalq 643 (63,3%) (Fig.
1), sendo utilizados nas etapas posteriores.
Figura 1. Mortalidade confirmada acumulada de adultos de S.
zeamais por isolados de B. bassiana (26±1°C, 14h
de fotofase).
Comparação da Virulência. Os dados obtidos
neste experimento não se ajustaram ao modelo proposto pelo Probit,
optando-se assim, pela comparação de médias de mortalidade,
sendo o mesmo procedimento adotado por Rohde et
al. (2006), selecionando isolados de fungos entomopatogênicos
para A. diaperinus. Assim, analisaram-se médias de porcentagem
de mortalidade confirmada no 5º e no 10º dia após inoculação,
complementando o estudo comparativo com análise de outros parâmetros
biológicos.
Segundo Haddad (1998), a estimativa da CL50
com a utilização do teste de Probit, em testes envolvendo
entomopatógenos, nem sempre é possível, pois os bioensaios
não são do tipo estímulo-resposta, como ocorre com
inseticidas químicos, por isso muitas vezes os dados não
se enquadram ao modelo.
Neste experimento, verificou-se que todos os isolados apresentaram diferença
significativa na mortalidade confirmada, conforme a variação
da concentração de conídios, sendo que com o aumento
da concentração ocorreu aumento na mortalidade (Tabela
3).
Tabela 3. Porcentagem média
de mortalidade confirmada (± EP) de adultos S. zeamais submetidos
a diferentes concentrações de conídios de B. bassiana
ao 5º e ao 10º dia após inoculação (26±1°C,
14h de fotofase).
Ao 5º dia, a mortalidade confirmada de S. zeamais ocasionada
pelo isolado Unioeste 4, variou de 1,7 a 61,7%, e ao 10º dia a variação
esteve entre 3,3 e 95,1%, sendo a maior mortalidade atribuída a
maior concentração (1,0×109 conídios/mL),
no entanto, ao 5º dia esta concentração não diferiu
significativamente da concentração de 1,0×108
conídios/mL.
O isolado Unioeste 39 causou uma variação na mortalidade
confirmada ao 5º dia de 1,7 a 76,7%. A variação apresentada
no 10º dia esteve entre 5,0 e 91,7%, sendo que em ambos os casos a
concentração de 1,0×109 conídios/mL
foi significativamente mais expressiva que as demais.
O isolado Esalq 643 provocou uma variação de 3,3 a 50,0%
na mortalidade confirmada ao 5o dia, e 5,0 a 78,3% ao 10o dia, sendo que
em ambos os casos, a concentração de 1,0×109
conídios/mL foi significativamente superior as demais.
Verificou-se que, independente do tempo de incubação,
S.
zeamais apresentou baixa mortalidade quando inoculado com isolados
de B. bassiana nas concentrações 1,0×104,
1,0×105, 1,0×106 e 1,0×107
conídios/mL. Assim, as concentrações inferiores a
1,0×108, para os isolados aqui testados, não são
recomendadas para ensaios de seleção de fungos para este
inseto (Fig. 2).
Figura 2. Porcentagem média de mortalidade de S. zeamais,
submetidos a diferentes concentrações de conídios
de isolados de Beauveria bassiana, após 10 dias de incubação
(26±1°C, 14h de fotofase).
Apesar do isolado Unioeste 39 apresentar mortalidade média de
76,7% ao 5º dia, sendo a maior mortalidade verificada, este não
diferiu significativamente dos isolados Unioeste 4 (61,7%) e Esalq 643
(50,0%). Pode-se observar também, que para o mesmo dia e mesma concentração,
a mortalidade não diferiu significativamente entre os isolados,
sendo que todos apresentam potencial para utilização em programas
de controle biológico de S. zeamais.
Avaliando a CL50 de dois isolados de B. bassiana para controle
de S. zeamais e S. oryzae, Moino
Jr. & Alves (1997) utilizaram inoculações em pó,
nas concentrações de 0,001; 0,005; 0,01; 0,05; 0,1; 0,5 e
1,0g de conídios/100g de grãos de arroz. Os autores verificaram
que para S. oryzae não houve diferença entre os isolados
dentro da mesma concentração, sendo que a CL50
para este inseto foi de 0,1g de conídios/100g de grãos. Contudo,
na avaliação da CL50, estes diferiram entre si,
sendo que o isolado 604 apresentou menor CL50 (0,01g de conídios/100g)
comparado ao isolado 476 (0,05g de conídios/100g de grãos).
Porém, são dados de difícil comparação,
pois não apresentam a concentração de conídios
no tratamento (líquido ou pó) e sim em relação
ao substrato onde estavam os insetos.
No entanto, Kassa et al. (2002),
avaliando a CL50 de isolados de B. bassiana e M. anisopliae
para
controle de S. zeamais, utilizaram inoculações líquidas,
verificando, ao contrário dos resultados aqui obtidos, que o isolado
de M. anisopliae apresentou a menor CL50 (2,0×105
conídios/mL), em relação aos isolados de B. bassiana
(2,0×106 conídios/mL).
Comparando-se a mortalidade de S. zeamais ao 5º e ao 10º
dia após a inoculação, dentro de cada concentração,
para cada isolado, apenas Esalq 643 mostrou diferença significativa
entre os dois dias para as concentrações de 1,0×107
(3,3% para o 5º dia e 16,7% para o 10º dia) e 1,0×108
(18,3% para o 5º dia e 45,0% para o 10º dia), sendo que os demais
isolados e as demais concentrações não diferiram estatisticamente
entre si (Tabela 3).
Crescimento Vegetativo. O isolado Esalq 643 apresentou o maior
diâmetro médio de colônia, 4,5cm, quando comparado ao
isolados Unioeste 04 (3,4cm) e Unioeste 39 (com 3,3cm) (Fig.
3, Tabela 4).
Figura 3. Colônias de isolados de B. bassiana:
A) Unioeste 4, B) Esalq 643 e C) Unioeste39, cultivados em M.E., após
8 dias de incubação (26±1°C, 14h de fotofase).
Tabela 4. Diâmetro médio
e produção média de conídios em colônias
(± EP) de diferentes isolados de B. bassiana em meio de cultura,
após 8 dias de incubação (26±1°C, 14h de
fotofase).
Ao contrário dos valores aqui obtidos, Alexandre
et
al.
(2006) verificaram média de 1,35cm no diâmetro
das colônias de isolados de B. bassiana após 10 dias
de incubação a 26ºC, sendo valores inferiores aos do
presente trabalho.
No entanto, valores semelhantes aos aqui apresentados, foram verificados
por Rohde et al. (2006), sendo que
o maior valor obtido foi 4,3cm, após 10 dias de incubação.
Estes autores também testaram o isolado Unioeste 4, que apresentou
diâmetro médio de colônia de 3,8cm.
As pequenas variações podem ser ocasionadas pelo fotoperíodo,
temperatura e umidade relativa, além das variações
no tempo de incubação, no tipo e na espessura do meio de
cultura utilizado e no tempo de armazenamento do isolado. Também
leva-se em conta a quantidade de conídios presentes na agulha no
ato da repicagem e a variabilidade genética dos isolados. Alguns
fatores são controlados e padronizados, outros não, e pequenas
variações podem interferir significativamente nos resultados.
Produção de conídios em placa de Petri. O
isolado Esalq 643 diferiu significativamente dos demais, apresentando concentração
média de 4,8×108 conídios/colônia,
contra 1,6×108 conídios/colônia do isolado
Unioeste 4 e 1,3×108 conídios/colônia do
isolado Unioeste 39. No entanto, em relação à produção
média de conídios/cm2, este isolado não diferiu dos
demais (Fig. 4, Tabela 4).
Figura 4. Crescimento vegetativo e produção de
conídios em meio de cultura de isolados de fungos entomopatogênicos
(26±1°C, 14h de fotofase).
Valores superiores aos obtidos neste trabalho foram apresentados por
Batista
Filho et al. (2001), que obtiveram produção de
9,8×108 conídios/colônia para B. bassiana
e por Rohde et al.
(2006) com variação
de 3,8×108 a 3,4×109 conídios/colônia,
sendo que este último dado é referente ao isolado Unioeste
4, que no presente trabalho apresentou a média de 1,6×108.
Rohde
et
al. (2006) obtiveram produção média do isolado
Unioeste 4 de 3,2×108 conídios/cm2, representando
20 vezes a produção obtida neste experimento (1,6×107
conídios/cm2) . Como citado anteriormente, são vários
os fatores que podem afetar a produção, no entanto, observações
posteriores demonstraram a diminuição gradativa na capacidade
de produção de conídios deste isolado (dados não
publicados). No entanto, Alexandre
et al.
(2006) obtiveram valores de produção de conídios/colônia
inferiores aos aqui apresentados, variando entre 2,0×107
a 7,0×107 conídios/colônia. Essa diferença
provavelmente esteja relacionada ao menor diâmetro de colônia
verificado por estes autores.
Constatou-se, para em todos os isolados, que a variação
na quantidade de conídios/colônia coincidiu com a medida do
diâmetro médio das mesmas, de forma que nas maiores colônias
a concentração de conídios sempre foi maior, sendo
o isolado Esalq 643 superior em relação aos demais.
No entanto, comparando estes valores com a produção média
de conídios/cm2, essa tendência não foi observada,
e desta forma, pode-se concluir que o isolado que apresenta maior diâmetro
de colônia nem sempre irá apresentar uma maior produção
de conídios (Tabela 4).
Produção de conídios em arroz. O isolado
Esalq 643 produziu 10,4×107 conídios/g de arroz
e o isolado Unioeste 4 apresentou 7,8×107 conídios/g
de arroz, sendo estes isolados significativamente superiores ao isolado
Unioeste 39 (4,3×107conídios/g) (Tabela
5). No entanto, estes valores foram inferiores aos citados por Alves
& Pereira (1998) e Leite et al.
(2003) que afirmaram que a produção deve ser próxima
a 1010 ou 1011 conídios/g.
Tabela 5. Número médio
de conídios em arroz e em cadáveres (± EP) de S.
zeamais (26±1°C, 14h de fotofase).
Rohde et al. (2006) verificaram
que a produção do isolado Unioeste 04 foi maior em relação
aos demais isolados, apresentando uma média de 8,3×108
conídios/g de arroz. Apesar do isolado Unioeste 04 obter uma das
maiores produções no presente trabalho, o valor resultante
corresponde a uma produção cerca de 10 vezes menor do que
a obtida por estes autores.
Apesar do método utilizado para produção
ser baseado no citado por Alves & Pereira
(1998) e Leite et al. (2003), a
diferença pode estar relacionada a fatores que envolvem pequenas
variações no substrato, o método de produção
empregado, como o tempo de pré-cozimento do arroz, teor de umidade,
tempo e condições de incubação, bem como a
quantidade de substrato dentro de cada recipiente e a quantidade de inóculo
aplicado. Além desses fatores, a qualidade do arroz utilizado no
experimento e a qualidade do inóculo empregado, são fatores
que podem explicar a variação.
Produção de conídios em cadáver.
Todos os isolados apresentaram conidiogênese sobre os cadáveres
de S. zeamais, no entanto, o isolado Esalq 643 mostrou mais uma
vez superioridade em relação aos demais, apresentando produção
média de 2,6×107 conídios/cadáver
(Tabela 5).
Neves & Hirose (2005) também
obtiveram variações na produção média
de conídios/cadáver em Hypothenemus hampei, para os
diferentes isolados de B. bassiana analisados. Da mesma forma, Alexandre
et
al. (2006) e Rohde et al. (2006)
observaram variações na produção de conídios/cadáver
para A. diaperinus, em relação aos diferentes isolados
testados. Além disso, Alexandre et
al. (2006) compararam a produção de conídios/cadáver
de A. diaperinus em diferentes temperaturas, sendo este um fator
também importante na conidiogênese.
Assim, pode-se concluir que o isolado Esalq 643 destacou-se como o mais
eficiente no controle do inseto, sendo também o mais produtivo,
coincidindo com as observações de Moino
Jr. et al. (1998). No entanto, o isolado Unioeste 4 provocou
elevada porcentagem de mortalidade, além de boa produção
de conídios/g de arroz, tendo também potencial para o controle
de S. zeamais.
Literatura Citada
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