Depto. Fitossanidade, Faculdade de Agronomia "Eliseu
Maciel" Universidade Federal de Pelotas - UFPel Campus Universitário,
Caixa Postal 354, 96.010-900 - Pelotas - RS. E-mail: adgrutzm@ufpel.tche.br
Toxicity of Pesticides Used in Peach Orchards to Immatures Stages
of Trichogramma pretiosum Riley (Hymenoptera: Trichogrammatidae)
ABSTRACT - One of the most promising biological agent to control
Grapholita
molesta (Busck) and Argyrotaenia sphaleropa (Meyrick) (Lepidoptera:
Tortricidae) in peach orchards in Brazil is the egg parasitoid
Trichogramma
pretiosum Riley. Nevertheless, there is little knowledge on the toxicity
of the pesticides commonly used in peach orchards on this parasitoid. Thus,
the toxicity of the pesticides (commercial name - g or ml of commercial
product.100L-1) abamectin (Vertimec 18 CE - 80), carbaryl (Sevin 480 SC
- 360), deltamethrin (Decis 25 CE - 40), sulphur (Kumulus DF - 600), ethofenprox
(Trebon 100 SC - 150), fenthion (Lebaycid 500 - 100), phosmet (Imidan 500
WP - 200), glyphosate (Glifosato Nortox - 6 L.ha-1), glufosinate-ammonium
(Finale - 2 L. ha-1), malathion (Malathion 1000 CE - 200), mineral oil
(Assist - 2000) and trichlorphon (Dipterex 500 - 300) was evaluated to
immatures stages of parasitoid under laboratory conditions. Additionally
water was used as the control. The bioassays were carried out by direct
application of pesticides on eggs of Anagasta kuehniella
(Zeller)
(Lepidoptera: Pyralidae) containing the immature stages egg-larva, pre-pupa
and pupa of T. pretiosum. The reduction on adult emergence compared
with the control was used to measure the effect of the chemical. Pesticides
were then classified in four categories, according to IOBC/WPRS. The insecticide
carbaryl was slightly harmful to egg-larva and pupa stages and moderately
harmful to pre-pupa stage. The insecticide malathion was harmless to egg-larva
and pre-pupa stage and slightly harmful to pupa stage. The other pesticides
were harmless to immature stages of T. pretiosum, so that they can
be used for the control of pests in peach orchards with this parasitoid.
KEY WORDS - Natural enemy, selectivity, egg parasitoids, Prunus
persica L.
RESUMO - Um dos promissores agentes biológicos para controle
da Grapholita molesta (Busck) e Argyrotaenia sphaleropa (Meyrick)
(Lepidoptera: Tortricidae) em pomares de pessegueiro do Brasil é
o parasitóide de ovos Trichogramma pretiosum Riley. Porém,
pouco se conhece sobre a toxicidade dos pesticidas utilizados na cultura
do pessegueiro sobre este parasitóide. Neste sentido, a toxicidade
dos pesticidas (nome comercial - g ou ml de produto comercial.100 L-1)
abamectina (Vertimec 18 CE - 80), carbaril (Sevin 480 SC - 360), deltametrina
(Decis 25 CE - 40), enxofre (Kumulus DF - 600), etofenproxi (Trebon 100
SC - 150), fentiona (Lebaycid 500 - 100), fosmete (Imidan 500 WP - 200),
glifosato (Glifosato Nortox - 6 L.ha-1), glufosinato-sal de amônio
(Finale - 2 L. ha-1), malationa (Malathion 1000 CE - 200), óleo
mineral (Assist - 2000) e triclorfom (Dipterex 500 - 300) foi avaliada
nos estágios imaturos do parasitóide, em laboratório.
Utilizou-se água como tratamento testemunha. Os bioensaios consistiram
na pulverização direta dos tratamentos sobre ovos de Anagasta
kuehniella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae) contendo em seu interior
o parasitóide nos estágios de ovo-larva, pré-pupa
e pupa. Reduções na emergência de adultos em relação
à testemunha foram utilizadas para mensurar os efeitos dos tratamentos.
Os pesticidas foram então classificados de acordo com as categorias
da IOBC/WPRS. O inseticida carbaril foi levemente nocivo aos estágios
de ovo-larva e pupa e moderadamente nocivo ao estágio de pré-pupa.
O inseticida malationa foi inócuo aos estágios de ovo-larva
e pré-pupa e levemente nocivo ao estágio de pupa. Os demais
pesticidas foram inócuos a T. pretiosum e podem ser utilizados
em associação com esta espécie no controle de pragas
em pomares de pessegueiro.
PALAVRAS-CHAVE - Inimigo natural, seletividade, parasitóide
de ovos, Prunus persica L.
No ano de 2002, foram cultivados no Brasil, aproximadamente
121.000 hectares com frutíferas de clima temperado. Dentre estas,
destaca-se a cultura do pessegueiro, com 24.540 hectares cultivados. O
estado do Rio Grande do Sul (RS) é o principal produtor, sendo responsável
por aproximadamente 50% da produção nacional. Por outro lado,
as regiões produtoras de pêssego no Sul do Brasil são
caracterizadas pelo baixo rendimento em relação a outros
estados brasileiros (IBGE 2003), principalmente
devido às condições climáticas favoráveis
ao estabelecimento de pragas, o que promove a intensificação
na utilização de pesticidas pelos persicultores.
A grafolita, também conhecida como broca-dos-ponteiros ou mariposa-oriental, Grapholita molesta (Busck) (Lepidoptera: Tortricidae),
destaca-se como um dos principais insetos-praga que ocasionam perdas significativas
à cultura do pessegueiro no RS (Botton
et
al. 2001). Recentemente, outro tortricídeo conhecido popularmente
como lagarta-das-fruteiras,
Argyrotaenia sphaleropa (Meyrick) (Lepidoptera:
Tortricidae), também foi constatado em pomares de pessegueiro do
RS, ocasionando 1,8 a 2,2% de frutos danificados (Botton
et
al. 2003).
Uma alternativa a ser incorporada ao manejo integrado da grafolita e
da lagarta-das-fruteiras, seria a utilização do parasitóide
de ovos Trichogramma pretiosum Riley (Hymenoptera: Trichogrammatidae),
que vem se destacando no parasitismo de G. molesta (Afonso
2001, Pinto et al. 2002) e também
de A. sphaleropa (Basso et al. 1998),
demonstrando potencial de utilização na cultura do pessegueiro.
Uma das limitações na utilização destes
parasitóides é a carência de informações
sobre a toxicidade dos pesticidas registrados para a cultura do pessegueiro
à entomofauna benéfica. O conhecimento de moléculas
seletivas favoreceria a integração dos métodos de
controle químico e biológico. Da mesma forma, o conhecimento
da suscetibilidade a pesticidas para os distintos estágios
de vida do parasitóides são imprescindíveis, pois,
os estágios imaturos normalmente são menos suscetíveis
aos pesticidas, por se encontrarem no interior do ovo hospedeiro. A partir
do conhecimento destas informações, épocas alternativas
de liberação dos parasitóides, poderiam ser estipuladas,
evitando-se coincidir o momento em que os pesticidas são pulverizados
na cultura com o estágio de vida mais suscetível.
Estudos da toxicidade de pesticidas a artrópodes benéficos
devem ser regionalizados e direcionados a cada programa específico
de manejo de cada cultura (Degrande et al.
2002).
Na cultura do pessegueiro, vem se destacando o sistema de Produção
Integrada de Pêssego (PIP) que prioriza a minimização
do controle químico e também restringe a utilização
de moléculas extremamente tóxicas (Normas
2001, Fachinello
et al. 2003).
Grützmacher
et
al. (2004) avaliaram a toxicidade de seis pesticidas recomendados
na PIP do Brasil, sobre
Trichogramma
cacoeciae
Marchal (Hymenoptera: Trichogrammatidae), a espécie-padrão
da "Internacional Organization for Biological and Integrated Control of
Noxious Animals and Plants, West Palaearctic Regional Section (IOBC/WPRS)"
mediante a condução de testes sobre adultos e também
sobre estágios imaturos. No Brasil,
Giolo
et
al. (2005) avaliaram a toxicidade de oito pesticidas recomendados
na PIP, porém somente sobre adultos de T. pretiosum.
Considerando o potencial e a importância da espécie de
parasitóide T. pretiosum como agente biológico de
supressão populacional de G. molesta e A. sphaleropa em
pomares de pessegueiro, objetivou-se no presente estudo avaliar a toxicidade
de doze pesticidas utilizados na cultura do pessegueiro sobre os diferentes
estágios imaturos de desenvolvimento de T. pretiosum.
Material e Métodos Os experimentos foram conduzidos nos laboratórios de Biologia
de Insetos, Controle Biológico e de Pesticidas do Departamento de
Fitossanidade, Faculdade de Agronomia "Eliseu Maciel" Universidade Federal
de Pelotas em Pelotas, RS e seguiram a metodologia sugerida pela IOBC/WPRS
(Hassan 1992, Cônsoli
et
al. 1998, Hassan & Abdelgader
2001).
Material Biológico Utilizado nos Experimentos. Foi constituído
por parasitóides de ovos da espécie T. pretiosum,
coletados em Pelotas, RS. Estes parasitóides deram origem a uma
criação em laboratório, mantida em câmaras climatizadas
sob temperatura de 25±1ºC, umidade relativa de 70±10%
e fotofase de 14 h e, multiplicados em ovos inviabilizados sob lâmpada
germicida (Stein & Parra 1987), do hospedeiro
alternativo, Anagasta kuehniella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae),
criado conforme metodologia descrita por Parra (1997),
utilizando-se dieta artificial composta de farinha de trigo (97%) e levedo
de cerveja (3%).
Bioensaios de Toxicidade de Pesticidas a T. pretiosum em seus
Estágios Imaturos de Desenvolvimento. Cartões contendo
60 círculos de 1 cm de diâmetro com aproximadamente 400±50
ovos por círculo, de no máximo 24 h de idade, do hospedeiro
A.
kuehniella, foram expostos ao parasitismo por T. pretiosum.
Após o parasitismo, os parasitóides foram
descartadas e os cartões contendo ovos supostamente parasitados
foram transferidos para cilindros de vidro e acondicionados em câmaras
climatizadas sob mesmas condições da criação,
até os parasitóides atingirem os períodos de desenvolvimento
de 24 h (1 dia), 72 h (3 dias) e 168 h (7 dias), correspondendo, respectivamente,
aos estágios de ovo-larva, pré-pupa e pupa de T. pretiosum
(Cônsoli
et
al. 1999a). Para cada estágio de desenvolvimento foi utilizado
um cartão contendo 60 círculos.
Os pesticidas utilizados nos experimentos estão registrados e/ou
encontram-se em fase de registro para o controle de pragas na cultura do
pessegueiro (Tabela 1), sendo a maioria recomendada na PIP (Fachinello
et
al. 2003).
Tabela 1. Pesticidas utilizados
na cultura do pessegueiro e avaliados nos testes de toxicidade para T.
pretiosum em seus estágios imaturos.
Nome técnico
Nome comercial
Classe1
Grupo químico
DC2
C.i.a.3
C.f.c.4
Abamectina
Vertimec 18 CE
A/I
Avermectinas
80
0,014
0,080
Carbaril
Sevin 480 SC
I
Carbamato
360
0,173
0,360
Deltametrina
Decis 25 CE
I
Piretróide
40
0,010
0,040
Enxofre
Kumulus DF
F/A
Inorgânico
600
0,480
0,600
Etofenproxi
Trebon 100 SC
I
Éter piretróide
150
0,015
0,150
Fentiona
Lebaycid 500
I
Organofosforado
100
0,050
0,100
Fosmete
Imidan 500 WP
I
Organofosforado
200
0,100
0,200
Glifosato
Glifosato Nortox
H
Glicina
6*
1,080
3,000
Glufosinato-sal de amônio
Finale
H
Homoalanina substituída
2*
0,200
1,000
Malationa
Malathion 1000 CE
I
Organofosforado
200
0,200
0,200
Óleo mineral
Assist
I/A
Hidrocarboneto
2000
1,512
2,000
Triclorfom
Dipterex 500
I
Organofosforado
300
0,150
0,300
1A=acaricida, F = fungicida, H
= herbicida, I = inseticida. 2DC = Dosagem da formulação
comercial (g ou ml.100 L-1) * L.ha-1. 3C.i.a. = Concentração
(%) testada do ingrediente ativo na calda. 4C.f.c. = Concentração
(%) testada da formulação comercial na calda.
Os círculos com os ovos do hospedeiro contendo os parasitóides
em diferentes fases de desenvolvimento (ovo-larva, pré-pupa e pupa)
foram diretamente pulverizados com pulverizadores manuais de 580 ml que
proporcionaram um volume de calda variando de 1,75± 0,25 mg.cm-2.
O volume aplicado foi controlado através da pesagem, em balança
eletrônica de precisão, antes e após a pulverização
dos pesticidas. O excesso de umidade produzido pela calda foi evaporado
deixando os ovos tratados por cerca de três horas a temperatura ambiente.
Após este período, os círculos com ovos foram transferidos
para recipientes de vidro (10 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro)
vedados na parte superior com tecido, preso com elástico, permitindo
a ventilação e evitando-se a fuga dos parasitóides
após emergência.
A porcentagem de emergência foi avaliada mediante contagem do
número de adultos do parasitóide contido no recipiente de
vidro em relação ao número total de ovos parasitados
contido no círculo de 1 cm de diâmetro. Ovos parasitados por
Trichogramma
adquirem
uma coloração escura característica, que permite a
identificação da ocorrência do parasitismo (Cônsoli
et al. 1999a). Cada tratamento foi repetido oito vezes, sendo que cada
círculo continha 400 ± 50 ovos parasitados, considerado uma
repetição no delineamento inteiramente casualizado em esquema
fatorial (12 pesticidas, 3 estágios do parasitóide e 8 repetições).
Análise dos Resultados. Os dados obtidos foram testados
quanto à normalidade (PROC UNIVARIATE) e, posteriormente, submetidos
à análise de variância (PROC GLM) e comparação
de médias pelo teste de Tukey, ambos ao nível de 5% de probabilidade,
mediante uso do programa estatístico SAS Institute
(2002). Reduções na emergência dos adultos para
os pesticidas testados foram comparadas com a testemunha e corrigidas por
Abbott
(1925). Com base nestas reduções na emergência
de adultos (RE), os pesticidas testados (Tabela 1) foram classificados
segundo a IOBC/WPRS (Hassan & Abdelgader
2001) em: 1- inócuo (<30% RE); 2- levemente nocivo (30-79%
RE); 3- moderadamente nocivo (80-99% RE) e 4- nocivo (>99% RE).
Resultados e Discussão Nos experimentos I e II não ocorreram diferenças significativas
na porcentagem de emergência dos adultos em nenhum dos estágios
de desenvolvimento avaliados em relação à testemunha
de cada experimento, inclusive quando comparados com os valores médios
de emergência de adultos obtidos nos três estágios de
desenvolvimento. Diferentemente, no experimento III, a porcentagem de emergência
de adultos de T. pretiosum foi significativamente inferior para
o inseticida carbaril com percentuais de 46,0 e 15,6, respectivamente para
os estágios de ovo-larva e pré-pupa. No estágio de
pupa, malationa e carbaril propiciaram, respectivamente, a emergência
de 45,6 e 53,5% dos adultos do parasitóide, diferindo significativamente
da testemunha. Os demais pesticidas avaliados no experimento III, também
não afetaram significativamente a emergência de T. pretiosum
(Tabela
2). Avaliando-se os valores médios de adultos emergidos nos três
estágios de desenvolvimento, verifica-se que além de carbaril
e malationa, o acaricida-inseticida abamectina também diferiu significativamente
da testemunha (Tabela 2).
Tabela 2. Porcentagem média
(± EP) de emergência de adultos de T. pretiosum quando
ovos do hospedeiro A. kuehniella foram pulverizados contendo o parasitóide
em diferentes estágios de desenvolvimento. Temperatura 25±1ºC;
UR: 70±10%; Fotofase: 14 h.
Comparando-se os estágios de desenvolvimento, observa-se que
no experimento I, no tratamento com o herbicida glifosato, houve diferenças
significativas entre os estágios de ovo-larva e pré-pupa,
sendo que estes não diferiram do estágio de pupa (Tabela
2). Diferenças também foram observadas no experimento II
para o inseticida fosmete, onde a porcentagem de emergência foi significativamente
superior para o estágio de pupa em relação ao estágio
de ovo-larva (Tabela 2). No experimento III, a porcentagem de emergência
foi inferior para o estágio de pupa do parasitóide em relação
ao estágio de ovo-larva para o inseticida-acaricida óleo
mineral. Neste mesmo bioensaio, resultado similar também foi observado
para o inseticida malationa, onde a porcentagem de emergência para
o estágio de pupa do parasitóide foi estatisticamente inferior
aos estágios de ovo-larva e pré-pupa. Por outro lado, carbaril
foi mais prejudicial ao estágio de pré-pupa, para o qual
houve uma porcentagem inferior de emergência de adultos em relação
aos outros dois estágios de desenvolvimento (Tabela 2).
Na Tabela 3 estão apresentadas às reduções
na emergência de adultos de T. pretiosum, para os respectivos estágios
de desenvolvimento avaliados e a aplicação da classificação
proposta pela IOBC/WPRS para testes de toxicidade com parasitóides.
Dos doze pesticidas avaliados, 83,3% foram considerados inócuos
(classe 1) para todos os estágios de desenvolvimento avaliados.
Quando consideramos cada estágio de desenvolvimento, 91,7% dos pesticidas
foram inócuos para o estágio de ovo-larva e pré-pupa
e 83,3% dos pesticidas foram inócuos para o estágio de pupa.
Apenas no experimento III, foram observadas reduções na emergência
de adultos do parasitóide superiores a 30%, que é o limite
superior da classe 1 (inócuo), sendo que malationa foi levemente
nocivo (classe 2) somente no estágio de pupa, enquanto que carbaril
foi levemente nocivo para os estágios de ovo-larva e pupa e moderadamente
nocivo (classe 3) para o estágio de pré-pupa.
Tabela 3. Redução
na emergência (%) de adultos de T. pretiosum quando ovos do hospedeiro
A. kuehniella foram pulverizados com pesticidas, contendo o parasitóide
em diferentes estágios de desenvolvimento e classificação
de toxicidade destes produtos. Temperatura 25±1ºC; UR: 70±10%;
Fotofase: 14 h.
Tratamentos
Estágio de desenvolvimento
Ovo-larva
Pré-pupa
Pupa
RE1
Classe2
RE
Classe
RE
Classe
Experimento I
Enxofre
9,30
1
14,90
1
0,00
1
Glifosato
0,00
1
16,58
1
6,04
1
Glufosinato amônio
14,51
1
0,00
1
0,00
1
Triclorfom
0,00
1
3,88
1
0,15
1
Experimento II
Deltametrina
8,78
1
0,00
1
0,00
1
Etofenproxi
8,02
1
0,00
1
0,00
1
Fentiona
11,31
1
0,00
1
2,41
1
Fosmete
11,68
1
0,00
1
0,00
1
Experimento III
Abamectina
13,84
1
9,01
1
8,52
1
Carbaril
56,25
2
85,18
3
47,15
2
Malationa
7,56
1
6,05
1
55,02
2
Óleo mineral
0,00
1
3,41
1
10,54
1
1RE = Redução na
emergência de adultos comparada com a testemunha do experimento.
2Classes da IOBC/WPRS para teste de toxicidade
sobre Trichogramma spp. em seus estágios imaturos: 1 = inócuo
(<30%), 2 = levemente nocivo (30-79%), 3 = moderadamente nocivo (80-99%),
4 = nocivo (>99%).
Dos pesticidas avaliados neste estudo, apenas malationa (organofosforado)
e carbaril (carbamato) apresentaram algum efeito deletério sobre
a emergência de adultos de T. pretiosum. Outros organofosforados
como fentiona, fosmete e triclorfom, os piretróides deltametrina
e etofenproxi, os herbicidas glifosato e glufosinato-sal de amônio,
e demais pesticidas contendo como ingrediente ativo abamectina, enxofre
e óleo mineral quando pulverizados sobre os estágios imaturos
de ovo-larva, pré-pupa e pupa, não causaram reduções
acima de 30% na emergência de adultos do parasitóide, ficando
dentro da classe inócuo, conforme a classificação
proposta pela IOBC/WPRS.
Resultados similares para a porcentagem de emergência de adultos
de T. pretiosum foram previamente relatados para óleo mineral
e enxofre, pulverizados sobre Trichogramma cacoeciae Marchal em
seus estágios imaturos (Hassan 1998, Grützmacher
et
al. 2004) e para os inseticidas deltametrina e triclorfom para
Trichogramma
cordubensis Vargas & Cabello (Vieira
et
al. 2001). Por outro lado, a porcentagem de emergência de
adultos de T. pretiosum obtida neste trabalho foi superior à
observada em outros estudos com deltametrina (Youssef
et
al. 2004), fentiona e triclorfom (Hassan
1998, Grützmacher et al.
2004) e fosmete (Hassan 1998, Sterk
et
al. 1999) sobre T. cacoeciae, de deltametrina (Hohmann
1991) e abamectina (Cônsoli et al.
1998, Carvalho et al. 2001b)
sobre T. pretiosum e de etofenproxi sobre Trichogramma dendrolimi
(Matsumura)
(Takada et al. 2001).
As diferenças nos resultados obtidos podem estar relacionadas
a características intrínsecas dos ovos hospedeiros, às
espécies e/ou linhagens de Trichogramma, às concentrações
dos pesticidas e às distintas metodologias utilizadas nos respectivos
bioensaios.
Com relação aos ovos do hospedeiro, características
como permeabilidade do córion e das camadas adjacentes são
variáveis de acordo com a espécie, idade e estágio
de desenvolvimento do ovo (Cônsoli et
al. 1999b). Neste sentido, Cônsoli
et
al. (1999b) estudaram as estruturas de ovos de seis espécies
de lepidópteros, incluindo A. kuehniella. Estes autores verificaram
diferenças intraespecíficas na espessura do córion,
especialmente do exocórion e na densidade protéica desta
última camada, a qual, provavelmente, foi um dos fatores responsáveis
pela não penetração de determinados pesticidas.
A existência de diferenças interespecíficas de suscetibilidade
de Trichogramma spp. (Bull & Coleman
1985) a pesticidas e de diferenças intraespecíficas para
T.
pretiosum (Carvalho et al. 2003a),
relatadas previamente, demonstram a necessidade de realização
de estudos toxicológicos com a espécie, e se possível,
com a linhagem a ser utilizada no programa de controle biológico
na cultura. Essas diferenças explicariam em parte os efeitos nocivos
ocasionados pelos inseticidas fentiona e triclorfom, que foram testados
na mesma concentração do presente estudo, relatados por Grützmacher
et
al. (2004). Porém, neste trabalho realizado na Alemanha,
os bioensaios sobre imaturos foram conduzidos com T. cacoeciae criados
sobre ovos de Sitotroga cerealella (Oliv.) (Lepidoptera: Gelechiidae)
como hospedeiro, os quais, possivelmente também contribuíram
para a discrepância entre os resultados.
Em estudo conduzido por Bull & Coleman
(1985) ficou evidenciado que a concentração do inseticida
a qual os ovos parasitados foram expostos influencia significativamente
na emergência de adultos de Trichogramma spp. No presente
estudo, abamectina, deltametrina, etofenproxi e fosmete foram pulverizados
em concentrações inferiores àquelas utilizadas, respectivamente,
por Carvalho et al. (2003b), Youssef
et
al. (2004), Takada et al. (2001)
e Sterk et al. (1999). Características
do hospedeiro e da espécie e/ou linhagem utilizada nos distintos
estudos também poderiam ter influenciado nos resultados obtidos.
Outro fator importante que deve ser destacado é a falta de padronização
nos testes de toxicidade de pesticidas a inimigos naturais (Degrande
et
al. 2002), pois alguns trabalhos utilizaram metodologias distintas
(Takada et al. 2001, Carvalho
et
al. 2003b) o que também deve ser considerado.
Dos doze pesticidas testados, os inseticidas carbaril e malationa foram
os mais nocivos aos estágios imaturos de T. pretiosum. O
inseticida carbaril também é considerado nocivo a adultos
deste parasitóide (Giolo et al.
2005), tendo seu uso restringido a uma aplicação por
safra na PIP (Normas 2001).
A partir dos resultados obtidos nos testes de toxicidade, com as respectivas
concentrações indicadas na cultura do pessegueiro, conclui-se
que os pesticidas abamectina, deltametrina, enxofre, etofenproxi, fentiona,
fosmete, glifosato, glufosinato sal de amônio, óleo mineral
e triclorfom podem ser utilizados em associação com T.
pretiosum, sendo viável esta integração quando
o parasitóide encontra-se nos estágios imaturos de desenvolvimento.
Os inseticidas carbaril e malationa que apresentaram efeitos deletérios
sobre estágios imaturos de desenvolvimento devem, sempre que possível,
ter a sua utilização evitada. Estudos adicionais de seletividade
destes pesticidas são necessários e devem ser conduzidos
com ovos dos hospedeiros naturais G. molesta e A. sphaleropa
e também com adultos de T. pretiosum, que estão mais
expostos aos pesticidas, tanto em laboratório quanto em condições
de campo.
Agradecimentos Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico do Brasil (CNPq) e à Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) pelo apoio financeiro
para a realização desta pesquisa.
Literatura Citada Abbott, W.S. 1925. A method of computing the
effectiveness of an insecticide. J. Econ. Entomol. 18:265-267.
Afonso, A.P.S. 2001. Controle da Grapholita
molesta (Busck, 1916) (Lepidoptera: Tortricidae) no sistema de produção
integrada de pêssego. 62p. Dissertação (Mestrado em
Fitossanidade-Entomologia). Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade
Federal de Pelotas, Pelotas.
Basso, C., G. Grille, F. Pompanon, R. Allemand
& B. Pintureau. 1998. Comparación de los caracteres biológicos
y etológicos de Trichogramma pretiosum y de T. exiguum
(Hymenoptera:
Trichogrammatidae). Rev. Chil. Entomol. 25:45-53.
Botton, M., C. Arioli & V.D. Colletta.
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