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  BioAssay 1:7 (2006) ISSN: 1809-8460  
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EXTRATOS VEGETAIS

Atividade Biológica de Extratos Orgânicos de Trichilia spp. (Meliaceae) sobre Spodoptera frugiperda (J. E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae) em Dieta Artificial

ANDREIA P. MATOS1, LILIANE NEBO1, ELTON RODRIGO CALEGARI2, LUCIANE G. BATISTA-PEREIRA1, PAULO C. VIEIRA1, JOÃO B. FERNANDES1, MARIA FÁTIMA DAS G. F. DA SILVA1, PEDRO FERREIRA FILHO2 E RICARDO RIBEIRO RODRIGUES3

1Departamento de Química, Universidade Federal de São Carlos - CP 676, 13565-905, São Carlos, SP - paulo@dq.ufscar.br
2Departamento de Estatística,Universidade Federal de São Carlos - CP 676, 13565-905, São Carlos, SP
3Departamento de Ciências Biológicas, ESALQ/USP - CP 9, 13418-900, Piracicaba, SP



Enviado em: 02/II/2006; Aceito em: 29/VIII/2006; Publicado em: 28/IX/2006

Biological Activity of Organic Extracts from Trichilia spp. (Meliaceae) against Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae) in Artificial Diet

ABSTRACT - The biological activity of organic extracts of leaves and twigs from three Trichilia species (Trichilia catigua A. Juss., Trichilia claussenii C. DC. and Trichilia elegans A. Juss.) was evaluated on Spodoptera frugiperda (J. E. Smith) development under laboratory conditions. Leaves and twigs of each plant species were dried and ground separately. Organic extracts were obtained with hexane, methanol and methanol/water at proportion of 1:1. The organic extracts (at 1,000 mg kg-1) were incorporated into an artificial diet and offered to S. frugiperda during their larval period. The parameters evaluated were duration and mortality of larval and pupal periods and pupal weight. The hexane and methanol extracts of leaves and the hexane extract of twigs of T. claussenii caused the highest larval mortality (above 60%). The extracts of T. elegans, T. claussenii and T. catigua retarded the larval development in 2.0; 1.3 and 3.2 days, respectively. All extracts did not affect the pupal period. Except for the hexane extract of T. claussenii, all extracts caused significant reduction in the pupal weight in comparison to the control. Among the three species of Trichilia tested, the hexane and methanol extracts of leaves and hexane extract of twigs of T. claussenii are the most promising for controlling S. frugiperda.

KEY WORDS - Insecta, Meliaceae, fall armyworm, botanical insecticide

RESUMO - A atividade biológica de extratos orgânicos de folhas e ramos de três espécies de Trichilia (Trichilia catigua A. Juss., Trichilia claussenii C. DC. e Trichilia elegans A. Juss.) foi avaliada sobre Spodoptera frugiperda (J. E. Smith) em condições de laboratório. As folhas e ramos foram secos e moídos separadamente. Os solventes utilizados para a obtenção dos extratos foram hexano, metanol e metanol/água na proporção de 1:1. Os extratos orgânicos foram incorporados à dieta artificial na proporção de 100 mg de extrato para 100 g de dieta e oferecidos a S. frugiperda durante seu período larval. Os parâmetros avaliados foram duração e mortalidade das fases larval e pupal e peso das pupas.  Os extratos hexânico e metanólico de folhas e o hexânico de ramos de T. claussenii foram os mais eficientes apresentando alta taxa de mortalidade larval (superior a 60%). Já os extratos de T. elegans, T. claussenii e T. catigua, também afetaram o desenvolvimento do inseto, retardando o desenvolvimento larval em 2,0; 1,3 e 3,2 dias, respectivamente. Os extratos não afetaram o período pupal. Exceto para o extrato hexânico de T. claussenii, os extratos causaram redução significativa no peso de pupas em relação à testemunha. Dentre as três espécies de Trichilia testadas, os extratos hexânico e metanólico de folhas e o hexânico de ramos de T. claussenii se mostraram os mais promissores para uso no controle de S. frugiperda.

PALAVRAS-CHAVE - Insecta, Meliaceae, lagarta do cartucho-do-milho, inseticida botânico
 

  • Introdução
  • Material e Métodos
  • Resultados e Discussão
  • Tabela 1
  • Tabela 2
  • Tabela 3
  • Tabela 4
  • Tabela 5
  • Literatura Citada

  • A lagarta-do-cartucho do milho, Spodoptera frugiperda (J. E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae), é uma das principais pragas da cultura do milho, podendo seu dano levar à redução de até 34% no rendimento de grãos, dependendo principalmente, do estádio da cultura em que ocorre o ataque (Valicente & Cruz 1991, Cruz 1995). No milho, a lagarta é usualmente controlada pelo uso de agrotóxicos, quando o ataque é notado nas plantações. No entanto, problemas associados com o uso desses produtos, especialmente devido à possibilidade do surgimento de insetos resistentes e a redução de inimigos naturais (Cruz 1995). Desta forma, a busca de novos inseticidas de origem vegetal tem sido intensificada já que de uma forma geral, os inseticidas naturais não são persistentes, ou seja, degradam com maior velocidade que os não naturais, não deixando resíduos no alimento ou no meio ambiente.

    A planta considerada atualmente com maior atividade inseticida é Azadirachta indica A. Juss. (Meliaceae), conhecida no Brasil por nim. Seu efeito foi comprovado sobre aproximadamente 400 espécies de insetos (Martinez 2002). Outras espécies de Meliaceae com atividade inseticida incluem Melia azedarach L. e diversas espécies de Trichilia (Pennington & Styles 1975).

    Vários trabalhos comprovando a atividade inseticida de Trichilia spp. sobre S. frugiperda têm sido realizados. Mikolajczak & Reed (1987) testaram extratos etanólicos de Trichilia connaroides, T. prieureana, T. roka e T. triphyllaria sobre S. frugiperda, os quais ocasionaram mortalidade igual ou superior a 80% das lagartas, sendo que apenas a última espécie não afetou a sobrevivência do inseto. Experimentos realizados mediante a adição de extratos aquosos de T. casaretti, T. catigua, T. claussenii, T. elegans e T. pallida à dieta artificial afetaram o desenvolvimento das lagartas de S. frugiperda (Rodríguez & Vendramim 1996, 1997). O extrato aquoso de ramos de T. pallida provocou mortalidade total das lagartas a 1% (Rodríguez & Vendramim 1996, 1997). Embora tenha sido verificada a ação destas espécies de Trichilia sobre o desenvolvimento de S. frugiperda, deve-se considerar, que somente os extratos obtidos com solventes orgânicos de T. pallida foram avaliados (Rodríguez & Vendramim 1996, 1997; Roel & Vendramim 1999, Roel et al. 2000a,b; Bogorni & Vendramim 2003, 2005).

    Em vista do exposto, desenvolveu-se este trabalho com o objetivo de avaliar, em condições de laboratório, a bioatividade de extratos orgânicos de T. claussenii, T. catigua e T. elegans, incorporados à dieta artificial, sobre S. frugiperda

    Material e Métodos

    Os ensaios biológicos foram realizados no Laboratório de Bioensaios do Departamento de Química da UFSCar, a 25 ± 1°C, UR de 70 ± 5% e fotofase de 12 h. Para realização dos testes, foi mantida em laboratório criação de S. frugiperda, em dieta artificial (Kasten et al. 1978, Parra 1986). Os adultos foram alimentados com solução de mel a 10%.

    As espécies T. claussenii, T. catigua e T. elegans foram coletadas no Campus da Escola Superior de Agricultura 'Luiz de Queiroz' em Piracicaba, SP, em maio de 2002. As estruturas vegetais (ramos e folhas) foram secas em estufa de circulação de ar a 40°C, por 48 h e posteriormente trituradas em moinho do tipo Willey, até a obtenção de pó. O preparo dos extratos foi realizado pela maceração destas partes vegetais em solventes de ordem crescente de polaridade (hexano, metanol, metanol/água 1:1) por sete dias, sendo os extratos concentrados em evaporador rotativo, obtendo-se assim os extratos hexânico, metanólico e hidrometanólico.

    Para a realização dos bioensaios, cada extrato foi incorporado à dieta artificial para S. frugiperda na proporção de 100 mg de extrato para 100 g de dieta (1.000 mg.kg-1). A incorporação do extrato foi feita ao final do preparo da dieta quando esta apresentava temperatura de cerca de 50°C, evitando a degradação dos possíveis compostos presentes. Além das dietas correspondentes a cada tratamento, foi também preparada uma dieta testemunha (controle), sem extrato, utilizando o solvente (hexano/metanol/água) em que foram solubilizados os extratos. Depois do preparo, as dietas foram vertidas em tubos de vidro (8,5 cm de altura x 2,5 cm de diâmetro), previamente esterilizados, e em seguida tampados com algodão hidrófobo. Após 24 h foi feita a inoculação das lagartas recém-eclodidas de S. frugiperda, utilizando-se uma lagarta por tubo. As pupas obtidas foram pesadas 24 h após a pupação, e transferidas para copos plásticos de 50 ml de capacidade, onde permaneceram até a emergência dos adultos.

    Os parâmetros avaliados foram: duração das fases larval e pupal; peso das pupas e porcentagem de insetos mortos (mortalidade) ao final de cada fase. Para cada tratamento foram utilizadas 30 lagartas, distribuídas em seis repetições de cinco lagartas cada, em delineamento completamente casualizado. Os dados foram submetidos a uma análise fatorial 3´2´3 (espécie vegetal x parte vegetal x extrato). Para as durações das fases larval e pupal foi utilizado um modelo linear generalizado considerando dados de um modelo de Poisson (McCullagh & Nelder 1989), para o peso das pupas utilizou-se uma análise de variância padrão (Montgomery 2005) e para as mortalidades das fases larval e pupal um modelo linear generalizado considerando dados de um modelo Binomial (McCullagh & Nelder 1989). 

    Resultado e Discussão

    A duração da fase larval foi apenas afetada pela espécie vegetal e pela interação parte vegetal x extrato (Tabela 1). Desta forma, foi possível analisar o efeito espécie independentemente dos demais fatores enquanto que os fatores parte vegetal e extratos foram analisados conjuntamente. As lagartas alimentadas com a dieta artificial tratada com os extratos orgânicos de ramos e folhas de T. catigua, T. claussenii e T. elegans alongaram a fase larval em relação ao controle (15,7 dias) (Tabela 2). As espécies T. catigua, T. claussenii e T. elegans apresentaram significativo alongamento da fase larval de 3,2; 1,3 e 2,0 dias, respectivamente, em relação ao valor constatado no controle (15,7 dias) (Tabela 2). Portanto, verificou-se uma inibição do crescimento. O alongamento da fase larval foi verificado para o extrato aquoso de ramos de T. claussenii (Rodríguez & Vendramim 1997), o que se assemelha aos resultados obtidos por Xie et al. (1994). Bogorni & Vendramim (2005) averiguaram que não houve alongamento da fase larval para os extratos aquosos de T. claussenii, T. catigua e T. elegans quando aplicados sobre a folha de milho utilizada como alimento para as lagartas.
     

    Tabela 1. Resultados do teste razão verossimilhança para efeitos fatoriais para a duração da fase larval de S. frugiperda alimentada com dieta artificial tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos e folhas de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase: 12 h.
    Efeitos g.l. Chi-Square P > ChiSq
    Espécie 2 12,39 0,0020
    Parte vegetal 1 0,69 0,4050
    Espécie × Parte vegetal 2 2,21 0,3307
    Extrato 2 2,63 0,2680
    Espécie × Extrato 4 8,39 0,0783
    Parte vegetal × Extrato 2 6,58 0,0373
    Espécie × Parte vegetal × Extrato 4 8,89 0,0639

    Tabela 2. Médias da duração das fases larval de S. frugiperda alimentada com dieta artificial tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase: 12 h.
    Espécies Duração (dias) (± EP)
    T. catigua 18,9 ± 3,79
    T. claussenii 17,0 ± 2,87
    T. elegans 17,7 ± 2,35
    Controle 15,7 ± 1,05

    A maior duração da fase larval em campo pode deixar o inseto por mais tempo ao ataque de parasitóides, predadores e entomopatógenos. Os adultos emergidos poderiam estar em assincronia com a população normal e, conseqüentemente, a cópula poderia ser dificultada ou, quando existir, poderia levar à consangüinidade pelo acasalamento de indivíduos da mesma geração (Rodríguez & Vendramim 1996). Também o número de gerações do inseto no ciclo agrícola poderia ser reduzido, como foi assinalado por Tanzubil & McCaffery (1990). A inibição do crescimento de S. frugiperda devido à utilização do extrato clorofórmico de folhas de M. azedarach em dieta artificial provocou alongamento da fase larval (McMillian et al. 1969). Além disso, a utilização do extrato hexânico de sementes de Carapa procera, também causou inibição na alimentação de lagartas, quando os extratos foram aplicados sobre discos de feijoeiro, em testes com chance de escolha (Mikolajczak et al. 1988).

    O alongamento da fase larval foi verificado para o extrato aquoso de ramos de T. claussenii (Rodríguez & Vendramim 1997), o que se assemelha aos resultados obtidos por Xie et al. (1994). Bogorni & Vendramim (2005) averiguaram que não houve alongamento da fase larval para os extratos aquosos de T. claussenii, T. catigua e T. elegans quando aplicados sobre a folha de milho utilizada como alimento para as lagartas.

    A duração da fase pupal não foi influenciada por nenhum dos fatores em estudo, ou seja, a duração da fase pupal independe da espécie, parte vegetal e extrato (Tabela 3). Estes resultados concordam com os obtidos para os extratos aquosos de T. claussenii e T. catigua incorporados à dieta artificial observados por Rodríguez & Vendramim (1996, 1997), pois não foi constatado nenhum efeito dos extratos sobre a duração da fase pupal de S. frugiperda. Bogorni & Vendramim (2005) não verificaram efeito na duração da fase pupal dessa espécie quando as lagartas se alimentaram de folhas de milho tratadas com extratos aquosos dessas espécies de Trichilia.
     

    Tabela 3. Resultados do teste razão verossimilhança para efeitos fatoriais para a duração da fase pupal de S. frugiperda alimentada com dieta artificial tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos e folhas de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase: 12 h.
    Efeitos g.l. Chi-Square P > ChiSq
    Espécie 2 1,71 0,4262
    Parte vegetal 1 0,41 0,5209
    Espécie × Parte vegetal 2 0,56 0,7545
    Extrato 2 0,47 0,7907
    Espécie × Extrato 4 0,88 0,9280
    Parte vegetal × Extrato 2 0,78 0,6759
    Espécie × Parte vegetal × Extrato 4 2,16 0,7072

    O peso de pupas de S. frugiperda com os extratos metanólicos (246,9 mg) e hidrometanólicos (264,0 mg) de T. claussenii foram inferiores quando comparado ao controle (283,7 mg) (Tabela 4). Rodríguez & Vendramim (1997) e Bogorni & Vendramim (2005) verificaram que extratos aquosos de folhas e ramos de T. claussenii não provocaram alteração no peso pupal de S. frugiperda.
     

    Tabela 4. Médias do peso pupal de S. frugiperda alimentada com dieta artificial tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos e folhas de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase: 12 h. 
    Espécie Vegetal Parte Vegetal Solvente Peso Pupal (mg)1
    T. claussenii Folhas Hexano 284,3 A
    T. claussenii Folhas Hidrometanol 264,0 B
    T. catigua Folhas Hidrometanol 260,5 BC
    T. catigua Folhas Hexano 258,3 BC
    T. catigua Folhas Metanol 257, 4 BC
    T. elegans Ramos Hidrometanol 252,2 BC
    T. elegans Ramos Metanol 251,1 BC
    T. claussenii Folhas Metanol 246,9 BC
    Controle 283,7 A
    1- Médias seguidas pela mesma letra, em coluna, não diferem entre si pelo Teste de Duncan (P  0,05). 

    Os extratos hexânicos, metanólico e hidrometanólico de T. elegans e de T. catigua também causaram diminuição do peso pupal (241,2; 241,1; 252,1; 258,3; 257,4 e 260,5 mg, respectivamente) em relação ao controle (283,7 mg) (Tabela 4). Rodríguez & Vendramim (1996), verificaram que o extrato aquoso de ramos de T. catigua reduziu o peso de pupas. No entanto, Bogorni & Vendramim (2005) verificaram que os extratos de folhas e ramos dessa espécie não alteraram o peso de pupas quando aplicados em folha de milho. A redução do peso pupal provocada pelos extratos hexânicos de folhas e ramos de T. elegans está de acordo com os dados apresentados por Rodríguez & Vendramim (1996), em que o extrato aquoso de folhas reduziu o peso pupal.

    A inibição da alimentação provocada por extratos vegetais pode interferir no peso pupal. Se o peso é menor que o do controle, sugere-se que a planta provoca diminuição no consumo e utilização do alimento. Como conseqüência, pupas de menor peso darão origem a adultos pequenos, e possivelmente haverá problemas na cópula destes indivíduos com indivíduos normais e as fêmeas serão menos fecundas (Rodríguez & Vendramim 1996).

    Os extratos hexânico e metanólico de folhas e o hexânico de ramos de T. claussenii ocasionaram alta mortalidade larval de 80, 70 e 60%, respectivamente (Tabela 5). As espécies T. catigua e T. elegans não apresentaram efeito na sobrevivência de lagartas de S. frugiperda. A ausência de atividade inseticida dos extratos aquosos de folhas e ramos de T. elegans sobre a praga já havia sido constatada por Rodríguez & Vendramim (1996), quando os referidos extratos foram adicionados à dieta artificial e oferecidos às lagartas. Estes dados foram reforçados por Bogorni & Vendramim (2005), em que novamente não se observou nenhum tipo de atividade inseticida dos extratos aquosos de folhas e ramos de T. elegans sobre a lagarta-do-cartucho do milho, quando aplicados sobre folhas de milho. No entanto, foram observadas taxas significativas de mortalidade larval para o extrato de ramos de T. claussenii e de folhas de T. catigua (Bogorni & Vendramim 2005). Os efeitos causados por T. claussenii podem estar associados a um ou mais compostos orgânicos já isolados e identificados em caules, folhas e frutos (Pupo et al. 1996, 1997, 1998 e 2002), contudo, as atividades inseticidas destes compostos ainda não foram avaliadas.
     

    Tabela 5. Mortalidade das fases larval e pupal de S. frugiperda alimentada com dieta artificial tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos e folhas de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase: 12 h.
    Tratamento Mortalidade (%) (± EP)
    Fase Larval Fase Pupal
    T. catigua Folhas Hexânico 36,7 ± 8,03 16,7 ± 8,03
    Metanólico 23,3 ± 10,85 10,0 ± 4,47
    Hidrometanólico 13,3 ± 4,22 23,3 ± 9,54
    Ramos Hexânico 33,3 ± 6,67 23,3 ± 9,54
    Metanólico 20,0 ± 10,33 3,33 ± 3,33
    Hidrometanólico 6,7 ± 4,22 10,0 ± 4,47
    T. claussenii Folhas Hexânico 80,0 ± 6,67 0
    Metanólico 70,0 ± 4,47 10,0 ± 4,47
    Hidrometanólico 3,33 ± 3,33 13,3 ± 6,67
    Ramos Hexânico 60,0 ± 3,33 0
    Metanólico 16,7 ± 6,14 10,0 ± 4,47
    Hidrometanólico 30,0 ± 4,47 10,0 ± 6,83
    T. elegans Folhas Hexânico 36,7 ± 6,15 10,0 ± 6,83
    Metanólico 36,7 ± 9,54 3,33 ± 3,33
    Hidrometanólico 33,3 ± 4,22 3,33 ± 3,33
    Ramos Hexânico 10,0 ± 4,47 3,33 ± 3,33
    Metanólico 16,7 ± 6,15 13,3 ± 6,67
    Hidrometanólico 16,7 ± 6,15 6,7 ± 6,67
    Controle 6,7 ± 4,22 3,3 ± 3,33

    No presente trabalho, não foi constatado efeito dos extratos orgânicos de folhas e ramos de T. catigua, T. elegans e T. claussenii sobre a mortalidade pupal (Tabela 5). Estes dados concordam com os obtidos por Bogorni & Vendramim (2005), em que somente os extratos aquosos de ramos de T. pallida e de folhas de T. pallens apresentaram mortalidade de pupas.

    Com base nos resultados obtidos conclui-se que, dentre as três espécies de Trichilia testadas, os extratos hexânico e metanólico de folhas e o hexânico de ramos de T. claussenii são os mais promissores para uso no controle de S. frugiperda. As altas taxas de mortalidade provocadas por estes extratos devem estar relacionadas às substâncias que ainda não foram avaliadas e que deverão ser alvo de futuros estudos. 

    Literatura Citada

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    Bogorni, P.C. & J.D. Vendramim. 2005. Efeito subletal de extratos aquosos de Trichilia spp. sobre o desenvolvimento de Spodoptera frugiperda (J. E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae) em milho. Neotrop. Entomol. 34: 311-317.

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