Atividade Biológica de Extratos
Orgânicos de Trichilia spp. (Meliaceae) sobre Spodoptera
frugiperda (J. E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae) em Dieta Artificial
1Departamento de Química, Universidade Federal de
São Carlos - CP 676, 13565-905, São Carlos, SP -
paulo@dq.ufscar.br 2Departamento de Estatística,Universidade Federal
de São Carlos - CP 676, 13565-905, São Carlos, SP
3Departamento de Ciências Biológicas, ESALQ/USP
- CP 9, 13418-900, Piracicaba, SP
Biological Activity of Organic Extracts from Trichilia spp.
(Meliaceae) against Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) (Lepidoptera:
Noctuidae) in Artificial Diet
ABSTRACT - The biological activity of organic extracts of leaves
and twigs from three Trichilia species (Trichilia catigua A.
Juss., Trichilia claussenii C. DC. and Trichilia elegans A.
Juss.) was evaluated on Spodoptera frugiperda (J. E. Smith) development
under laboratory conditions. Leaves and twigs of each plant species were
dried and ground separately. Organic extracts were obtained with hexane,
methanol and methanol/water at proportion of 1:1. The organic extracts
(at 1,000 mg kg-1) were incorporated into an artificial diet
and offered to S. frugiperda during their larval period. The parameters
evaluated were duration and mortality of larval and pupal periods and pupal
weight. The hexane and methanol extracts of leaves and the hexane extract
of twigs of T. claussenii caused the highest larval mortality (above
60%). The extracts of T. elegans, T. claussenii and T.
catigua retarded the larval development in 2.0; 1.3 and 3.2 days, respectively.
All extracts did not affect the pupal period. Except for the hexane extract
of T. claussenii, all extracts caused significant reduction in the
pupal weight in comparison to the control. Among the three species of Trichilia
tested,
the hexane and methanol extracts of leaves and hexane extract of twigs
of T. claussenii are the most promising for controlling
S. frugiperda.
KEY WORDS - Insecta, Meliaceae, fall armyworm, botanical insecticide
RESUMO - A atividade biológica de extratos orgânicos
de folhas e ramos de três espécies de Trichilia (Trichilia
catigua A. Juss., Trichilia claussenii C. DC. e Trichilia
elegans A. Juss.) foi avaliada sobre Spodoptera frugiperda (J.
E. Smith) em condições de laboratório. As folhas e
ramos foram secos e moídos separadamente. Os solventes utilizados
para a obtenção dos extratos foram hexano, metanol e metanol/água
na proporção de 1:1. Os extratos orgânicos foram incorporados
à dieta artificial na proporção de 100 mg de extrato
para 100 g de dieta e oferecidos a S. frugiperda durante seu período
larval. Os parâmetros avaliados foram duração e mortalidade
das fases larval e pupal e peso das pupas. Os extratos hexânico
e metanólico de folhas e o hexânico de ramos de T. claussenii
foram
os mais eficientes apresentando alta taxa de mortalidade larval (superior
a 60%). Já os extratos de T. elegans, T. claussenii
e
T.
catigua, também afetaram o desenvolvimento do inseto, retardando
o desenvolvimento larval em 2,0; 1,3 e 3,2 dias, respectivamente. Os extratos
não afetaram o período pupal. Exceto para o extrato hexânico
de T. claussenii, os extratos causaram redução significativa
no peso de pupas em relação à testemunha. Dentre as
três espécies de Trichilia testadas, os extratos hexânico
e metanólico de folhas e o hexânico de ramos de T. claussenii
se
mostraram os mais promissores para uso no controle de S. frugiperda.
PALAVRAS-CHAVE - Insecta, Meliaceae, lagarta do cartucho-do-milho,
inseticida botânico
A lagarta-do-cartucho do milho, Spodoptera frugiperda (J. E.
Smith) (Lepidoptera: Noctuidae), é uma das principais pragas da
cultura do milho, podendo seu dano levar à redução
de até 34% no rendimento de grãos, dependendo principalmente,
do estádio da cultura em que ocorre o ataque (Valicente
& Cruz 1991, Cruz 1995). No milho, a lagarta
é usualmente controlada pelo uso de agrotóxicos, quando o
ataque é notado nas plantações. No entanto, problemas
associados com o uso desses produtos, especialmente devido à possibilidade
do surgimento de insetos resistentes e a redução de inimigos
naturais (Cruz 1995). Desta forma, a busca de novos
inseticidas de origem vegetal tem sido intensificada já que de uma
forma geral, os inseticidas naturais não são persistentes,
ou seja, degradam com maior velocidade que os não naturais, não
deixando resíduos no alimento ou no meio ambiente.
A planta considerada atualmente com maior atividade inseticida é
Azadirachta
indica A. Juss. (Meliaceae), conhecida no Brasil por nim. Seu efeito
foi comprovado sobre aproximadamente 400 espécies de insetos (Martinez
2002). Outras espécies de Meliaceae com atividade inseticida
incluem
Melia azedarach L. e diversas espécies de Trichilia
(Pennington
& Styles 1975).
Vários trabalhos comprovando a atividade inseticida de Trichilia
spp.
sobre S. frugiperda têm sido realizados. Mikolajczak
& Reed (1987) testaram extratos etanólicos de Trichilia
connaroides,
T. prieureana, T. roka e T. triphyllaria
sobre
S.
frugiperda, os quais ocasionaram mortalidade igual ou superior a 80%
das lagartas, sendo que apenas a última espécie não
afetou a sobrevivência do inseto. Experimentos realizados mediante
a adição de extratos aquosos de T. casaretti,
T.
catigua, T. claussenii,
T. elegans e T. pallida
à
dieta artificial afetaram o desenvolvimento das lagartas de
S. frugiperda
(Rodríguez
& Vendramim 1996,
1997).
O extrato aquoso de ramos de T. pallida
provocou mortalidade total
das lagartas a 1% (Rodríguez & Vendramim 1996,
1997).
Embora tenha sido verificada a ação destas espécies
de Trichilia sobre o desenvolvimento de S. frugiperda, deve-se
considerar, que somente os extratos obtidos com solventes orgânicos
de T. pallida foram avaliados (Rodríguez & Vendramim
1996,
1997;
Roel
& Vendramim 1999, Roel et al. 2000a,b;
Bogorni & Vendramim 2003, 2005).
Em vista do exposto, desenvolveu-se este trabalho com o objetivo de
avaliar, em condições de laboratório, a bioatividade
de extratos orgânicos de T. claussenii, T. catigua e
T.
elegans, incorporados à dieta artificial, sobre S. frugiperda.
Material e Métodos
Os ensaios biológicos foram realizados no Laboratório
de Bioensaios do Departamento de Química da UFSCar, a 25 ±
1°C, UR de 70 ± 5% e fotofase de 12 h. Para realização
dos testes, foi mantida em laboratório criação de
S.
frugiperda, em dieta artificial (Kasten et
al. 1978, Parra 1986). Os adultos foram alimentados
com solução de mel a 10%.
As espécies T. claussenii, T. catigua e T. elegans
foram
coletadas no Campus da Escola Superior de Agricultura 'Luiz de Queiroz'
em Piracicaba, SP, em maio de 2002. As estruturas vegetais (ramos e folhas)
foram secas em estufa de circulação de ar a 40°C,
por 48 h e posteriormente trituradas em moinho do tipo Willey, até
a obtenção de pó. O preparo dos extratos foi realizado
pela maceração destas partes vegetais em solventes de ordem
crescente de polaridade (hexano, metanol, metanol/água 1:1) por
sete dias, sendo os extratos concentrados em evaporador rotativo, obtendo-se
assim os extratos hexânico, metanólico e hidrometanólico.
Para a realização dos bioensaios, cada extrato foi incorporado
à dieta artificial para S. frugiperda na proporção
de 100 mg de extrato para 100 g de dieta (1.000 mg.kg-1). A
incorporação do extrato foi feita ao final do preparo da
dieta quando esta apresentava temperatura de cerca de 50°C,
evitando a degradação dos possíveis compostos presentes.
Além das dietas correspondentes a cada tratamento, foi também
preparada uma dieta testemunha (controle), sem extrato, utilizando o solvente
(hexano/metanol/água) em que foram solubilizados os extratos. Depois
do preparo, as dietas foram vertidas em tubos de vidro (8,5 cm de altura
x 2,5 cm de diâmetro), previamente esterilizados, e em seguida tampados
com algodão hidrófobo. Após 24 h foi feita a inoculação
das lagartas recém-eclodidas de S. frugiperda, utilizando-se
uma lagarta por tubo. As pupas obtidas foram pesadas 24 h após a
pupação, e transferidas para copos plásticos de 50
ml de capacidade, onde permaneceram até a emergência dos adultos.
Os parâmetros avaliados foram: duração das fases
larval e pupal; peso das pupas e porcentagem de insetos mortos (mortalidade)
ao final de cada fase. Para cada tratamento foram utilizadas 30 lagartas,
distribuídas em seis repetições de cinco lagartas
cada, em delineamento completamente casualizado. Os dados foram submetidos
a uma análise fatorial 3´2´3 (espécie vegetal
x parte vegetal x extrato). Para as durações das fases larval
e pupal foi utilizado um modelo linear generalizado considerando dados
de um modelo de Poisson (McCullagh &
Nelder 1989), para o peso das pupas utilizou-se uma análise
de variância padrão (Montgomery
2005) e para as mortalidades das fases larval e pupal um modelo linear
generalizado considerando dados de um modelo Binomial (McCullagh
& Nelder 1989).
Resultado e Discussão
A duração da fase larval foi apenas afetada pela espécie
vegetal e pela interação parte vegetal x extrato (Tabela
1). Desta forma, foi possível analisar o efeito espécie
independentemente dos demais fatores enquanto que os fatores parte vegetal
e extratos foram analisados conjuntamente. As lagartas alimentadas com
a dieta artificial tratada com os extratos orgânicos de ramos e folhas
de T. catigua,
T. claussenii e T. elegans alongaram
a fase larval em relação ao controle (15,7 dias) (Tabela
2). As espécies T. catigua,
T. claussenii e T.
elegans apresentaram significativo alongamento da fase larval de 3,2;
1,3 e 2,0 dias, respectivamente, em relação ao valor constatado
no controle (15,7 dias) (Tabela 2). Portanto, verificou-se
uma inibição do crescimento. O alongamento da fase larval
foi verificado para o extrato aquoso de ramos de T. claussenii (Rodríguez
& Vendramim 1997), o que se assemelha aos resultados obtidos por
Xie
et al. (1994). Bogorni & Vendramim
(2005) averiguaram que não houve alongamento da fase larval
para os extratos aquosos de T. claussenii,
T. catigua e T.
elegans quando aplicados sobre a folha de milho utilizada como alimento
para as lagartas.
Tabela 1. Resultados do teste
razão verossimilhança para efeitos fatoriais para a duração
da fase larval de S. frugiperda alimentada com dieta artificial
tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos
e folhas de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ±
5% e fotofase: 12 h.
Efeitos
g.l.
Chi-Square
P > ChiSq
Espécie
2
12,39
0,0020
Parte vegetal
1
0,69
0,4050
Espécie × Parte vegetal
2
2,21
0,3307
Extrato
2
2,63
0,2680
Espécie × Extrato
4
8,39
0,0783
Parte vegetal × Extrato
2
6,58
0,0373
Espécie × Parte vegetal × Extrato
4
8,89
0,0639
Tabela 2. Médias da duração
das fases larval de S. frugiperda alimentada com dieta artificial
tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de Trichilia
spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase: 12 h.
Espécies
Duração (dias) (± EP)
T. catigua
18,9 ± 3,79
T. claussenii
17,0 ± 2,87
T. elegans
17,7 ± 2,35
Controle
15,7 ± 1,05
A maior duração da fase larval em campo pode deixar o
inseto por mais tempo ao ataque de parasitóides, predadores e entomopatógenos.
Os adultos emergidos poderiam estar em assincronia com a população
normal e, conseqüentemente, a cópula poderia ser dificultada
ou, quando existir, poderia levar à consangüinidade pelo acasalamento
de indivíduos da mesma geração (Rodríguez
& Vendramim 1996). Também o número de gerações
do inseto no ciclo agrícola poderia ser reduzido, como foi assinalado
por Tanzubil & McCaffery (1990).
A inibição do crescimento de S. frugiperda devido
à utilização do extrato clorofórmico de folhas
de M. azedarach em dieta artificial provocou alongamento da fase
larval (McMillian et al. 1969). Além
disso, a utilização do extrato hexânico de sementes
de Carapa procera, também causou inibição na alimentação
de lagartas, quando os extratos foram aplicados sobre discos de feijoeiro,
em testes com chance de escolha (Mikolajczak
et al. 1988).
O alongamento da fase larval foi verificado para o extrato aquoso de
ramos de T. claussenii (Rodríguez
& Vendramim 1997), o que se assemelha aos resultados obtidos por
Xie
et al. (1994). Bogorni & Vendramim
(2005) averiguaram que não houve alongamento da fase larval
para os extratos aquosos de T. claussenii, T. catigua
e T.
elegans quando aplicados sobre a folha de milho utilizada como alimento
para as lagartas.
A duração da fase pupal não foi influenciada por
nenhum dos fatores em estudo, ou seja, a duração da fase
pupal independe da espécie, parte vegetal e extrato (Tabela
3). Estes resultados concordam com os obtidos para os extratos aquosos
de T. claussenii e T. catigua incorporados à dieta
artificial observados por Rodríguez & Vendramim (1996,
1997),
pois não foi constatado nenhum efeito dos extratos sobre a duração
da fase pupal de S. frugiperda. Bogorni
& Vendramim (2005) não verificaram efeito na duração
da fase pupal dessa espécie quando as lagartas se alimentaram de
folhas de milho tratadas com extratos aquosos dessas espécies de
Trichilia.
Tabela 3. Resultados do teste
razão verossimilhança para efeitos fatoriais para a duração
da fase pupal de S. frugiperda alimentada com dieta artificial tratada
com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos e folhas
de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase:
12 h.
Efeitos
g.l.
Chi-Square
P > ChiSq
Espécie
2
1,71
0,4262
Parte vegetal
1
0,41
0,5209
Espécie × Parte vegetal
2
0,56
0,7545
Extrato
2
0,47
0,7907
Espécie × Extrato
4
0,88
0,9280
Parte vegetal × Extrato
2
0,78
0,6759
Espécie × Parte vegetal × Extrato
4
2,16
0,7072
O peso de pupas de S. frugiperda com os extratos metanólicos
(246,9 mg) e hidrometanólicos (264,0 mg) de T. claussenii foram
inferiores quando comparado ao controle (283,7 mg) (Tabela
4). Rodríguez & Vendramim
(1997) e Bogorni & Vendramim
(2005) verificaram que extratos aquosos de folhas e ramos de T.
claussenii não provocaram alteração no peso pupal
de S. frugiperda.
Tabela 4. Médias do peso
pupal de S. frugiperda
alimentada com dieta artificial tratada com
extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos e folhas
de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ± 5% e fotofase:
12 h.
Espécie Vegetal
Parte Vegetal
Solvente
Peso Pupal (mg)1
T. claussenii
Folhas
Hexano
284,3 A
T. claussenii
Folhas
Hidrometanol
264,0 B
T. catigua
Folhas
Hidrometanol
260,5 BC
T. catigua
Folhas
Hexano
258,3 BC
T. catigua
Folhas
Metanol
257, 4 BC
T. elegans
Ramos
Hidrometanol
252,2 BC
T. elegans
Ramos
Metanol
251,1 BC
T. claussenii
Folhas
Metanol
246,9 BC
Controle
283,7 A
1- Médias seguidas pela mesma letra, em coluna,
não diferem entre si pelo Teste de Duncan (P
0,05).
Os extratos hexânicos, metanólico e hidrometanólico
de T. elegans e de T. catigua também causaram diminuição
do peso pupal (241,2; 241,1; 252,1; 258,3; 257,4 e 260,5 mg, respectivamente)
em relação ao controle (283,7 mg) (Tabela
4). Rodríguez & Vendramim
(1996), verificaram que o extrato aquoso de ramos de
T. catigua
reduziu
o peso de pupas. No entanto, Bogorni
& Vendramim (2005) verificaram que os extratos de folhas e ramos
dessa espécie não alteraram o peso de pupas quando aplicados
em folha de milho. A redução do peso pupal provocada pelos
extratos hexânicos de folhas e ramos de T. elegans está
de acordo com os dados apresentados por Rodríguez
& Vendramim (1996), em que o extrato aquoso de folhas reduziu o
peso pupal.
A inibição da alimentação provocada por
extratos vegetais pode interferir no peso pupal. Se o peso é menor
que o do controle, sugere-se que a planta provoca diminuição
no consumo e utilização do alimento. Como conseqüência,
pupas de menor peso darão origem a adultos pequenos, e possivelmente
haverá problemas na cópula destes indivíduos com indivíduos
normais e as fêmeas serão menos fecundas (Rodríguez
& Vendramim 1996).
Os extratos hexânico e metanólico de folhas e o hexânico
de ramos de T. claussenii ocasionaram alta mortalidade larval de
80, 70 e 60%, respectivamente (Tabela 5). As espécies
T. catigua
e
T. elegans não apresentaram efeito na
sobrevivência de lagartas de S. frugiperda. A ausência
de atividade inseticida dos extratos aquosos de folhas e ramos de T.
elegans sobre a praga já havia sido constatada por Rodríguez
& Vendramim (1996), quando os referidos extratos foram adicionados
à dieta artificial e oferecidos às lagartas. Estes dados
foram reforçados por Bogorni &
Vendramim (2005), em que novamente não se observou nenhum tipo
de atividade inseticida dos extratos aquosos de folhas e ramos de T.
elegans sobre a lagarta-do-cartucho do milho, quando aplicados sobre
folhas de milho. No entanto, foram observadas taxas significativas de mortalidade
larval para o extrato de ramos de T. claussenii e de folhas de T.
catigua (Bogorni & Vendramim
2005). Os efeitos causados por T. claussenii podem estar associados
a um ou mais compostos orgânicos já isolados e identificados
em caules, folhas e frutos (Pupo et al. 1996,
1997,
1998
e 2002), contudo, as atividades inseticidas
destes compostos ainda não foram avaliadas.
Tabela 5. Mortalidade das fases
larval e pupal de
S. frugiperda alimentada com dieta artificial
tratada com extratos orgânicos, a 1.000 mg.kg-1, de ramos
e folhas de Trichilia spp. Temp.: 25 ± 1°C; UR: 70 ±
5% e fotofase: 12 h.
Tratamento
Mortalidade (%) (± EP)
Fase Larval
Fase Pupal
T. catigua
Folhas
Hexânico
36,7 ± 8,03
16,7 ± 8,03
Metanólico
23,3 ± 10,85
10,0 ± 4,47
Hidrometanólico
13,3 ± 4,22
23,3 ± 9,54
Ramos
Hexânico
33,3 ± 6,67
23,3 ± 9,54
Metanólico
20,0 ± 10,33
3,33 ± 3,33
Hidrometanólico
6,7 ± 4,22
10,0 ± 4,47
T. claussenii
Folhas
Hexânico
80,0 ± 6,67
0
Metanólico
70,0 ± 4,47
10,0 ± 4,47
Hidrometanólico
3,33 ± 3,33
13,3 ± 6,67
Ramos
Hexânico
60,0 ± 3,33
0
Metanólico
16,7 ± 6,14
10,0 ± 4,47
Hidrometanólico
30,0 ± 4,47
10,0 ± 6,83
T. elegans
Folhas
Hexânico
36,7 ± 6,15
10,0 ± 6,83
Metanólico
36,7 ± 9,54
3,33 ± 3,33
Hidrometanólico
33,3 ± 4,22
3,33 ± 3,33
Ramos
Hexânico
10,0 ± 4,47
3,33 ± 3,33
Metanólico
16,7 ± 6,15
13,3 ± 6,67
Hidrometanólico
16,7 ± 6,15
6,7 ± 6,67
Controle
6,7 ± 4,22
3,3 ± 3,33
No presente trabalho, não foi constatado efeito dos extratos
orgânicos de folhas e ramos de T. catigua, T. elegans e
T.
claussenii sobre a mortalidade pupal (Tabela 5). Estes dados concordam
com os obtidos por Bogorni & Vendramim
(2005), em que somente os extratos aquosos de ramos de T. pallida
e
de folhas de T. pallens apresentaram mortalidade de pupas.
Com base nos resultados obtidos conclui-se que, dentre as três
espécies de Trichilia testadas, os extratos hexânico
e metanólico de folhas e o hexânico de ramos de T. claussenii
são
os mais promissores para uso no controle de S. frugiperda. As altas
taxas de mortalidade provocadas por estes extratos devem estar relacionadas
às substâncias que ainda não foram avaliadas e que
deverão ser alvo de futuros estudos.
Literatura Citada
Bogorni, P.C. & J.D. Vendramim.
2003. Bioatividade de extratos aquosos de Trichilia spp. sobre Spodoptera
frugiperda (J. E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae) em milho. Neotrop.
Entomol. 32: 665-669.
Bogorni, P.C. & J.D. Vendramim.
2005. Efeito subletal de extratos aquosos de Trichilia spp. sobre
o desenvolvimento de Spodoptera frugiperda (J. E. Smith) (Lepidoptera:
Noctuidae) em milho. Neotrop. Entomol. 34: 311-317.
Cruz, I. 1995. A lagarta-do-cartucho na cultura
do milho. Sete Lagoas, Embrapa, 45p. (EMBRAPA-CNPMS, Circular Técnica,
21).
Kasten, P.J., A.A.C.M. Precetti & J.R.P.
Parra. 1978. Dados biológicos comparativos de Spodoptera frugiperda
(J.
E. Smith, 1797) em duas dietas artificiais e substrato natural. Rev. Agric.
53: 68-78.
Martinez, S.S. 2002. (ed) O Nim Azadirachta
indica: Natureza, usos múltiplos, produção. Londrina,
Instituto Agronômico do Paraná, 142p.
McCullagh, P. & J. A. Nelder.
1989. Generalized linear models, 2a ed. Chapmann & Hall,
London, 511p.
McMillian, W.W., M.C. Bowman, R.L. Burton,
K.J. Starks & B.R. Wiseman. 1969. Extracts of chinaberry leaf as a
feeding deterrent and growth retardant for larvae of the corn earworm and
fall armyworm. J. Econ. Entomol. 62: 708-710.
Mikolajczak, K.L. & D.K. Reed.
1987. Extractives of seeds of the Meliaceae: Effects on Spodoptera frugiperda
(J.
E. Smith), Acalymma vittatum (F.), and Artemia salina
Leach.
J. Chem. Ecol. 13: 99-111.
Mikolajczak, K.L., D. Weisleder, L.
Parkanyi & J. Clardy. 1988. A limonoid antifeedant from seed of Carapa
procera. J. Nat. Prod. 51: 606-610.
Montgomery, D. C. 2005. Design and analysis
of experiments, 5a ed. John Wiley, New York, 645p.
Parra, J.R.P. 1986. Criação de
insetos para estudos com patógenos, p. 348-373. In S.B. Alves (eds.)
Controle microbiano de insetos. São Paulo, Editora Manole, 1163p.
Pennington, T.D. & B.D. Styles.
1975. A generic monograph of Meliaceae. Blumea, 22: 419-540.
Pupo, M.T., P.C.Vieira, J.B. Fernandes &
M.F.G.F. da Silva. 1996. A cycloartane triterpenoid and omega-phenyl alkanoic
and alkenoic acids
Trichilia claussenii. Phytochemistry 42: 795-798.
Pupo, M.T., P.C. Vieira, J.B. Fernandes &
M.F.G.F. da Silva. 1997. Androstane e pregnane 2-beta,19-hemiketal
steroids from Trichilia claussenii. Phytochemistry 45: 1495-1500.
Pupo, M.T., P.C. Vieira, J.B. Fernandes &
M.F.G.F. da Silva. 1998. Gamma-lactones from Trichilia claussenii.
Phytochemistry 48: 307-310.
Pupo, M.T., M.A.T. Adorno, P.C. Vieira, J.B.
Fernandes & M.F.G.F. da Silva. 2002. Terpenoids and steroids from Trichilia
species.
J. Braz. Chem. Society 13: 382-388.
Rodríguez H., C. &
J.D. Vendramim. 1996. Toxicidad de extractos acuosos de Meliaceae en Spodoptera
frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae). Man. Integ. Plagas 42: 14-22.
Rodríguez H., C. &
J.D. Vendramim. 1997. Avaliação da bioatividade de extratos
aquosos de Meliaceae sobre Spodoptera frugiperda
(J.E. Smith). Rev.
Agric. 72: 305-318.
Roel, A.R. & J.D. Vendramim. 1999.
Desenvolvimento de Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) em genótipos
de milho tratados com extrato acetato de etila de Trichilia pallida
(Swartz).
Sci. Agric. 56: 581-586.
Roel, A.R., J.D. Vendramim, R.T.S. Frighetto
& N. Frighetto. 2000a. Atividade tóxica de extratos orgânicos
de Trichilia pallida
Swartz (Meliaceae) sobre Spodoptera frugiperda
(J.
E. Smith). An. Soc. Entomol. Brasil 29: 799-808.
Roel, A.R., J.D. Vendramim, R.T.S.
Frighetto & N. Frighetto. 2000b. Efeito do extrato acetato de etila
de Trichilia pallida Swartz (Meliaceae) no desenvolvimento e sobrevivência
da lagarta-do-cartucho. Bragantia 59: 53-58.
Tanzubil, P.B. & A.R. McCaffery.
1990. Effects of azadirachtin and aqueous neem seed extracts on survival,
growth and development of the African armyworm, Spodoptera exempta.
Crop Prot. 9: 383-386.
Valicente, F.H. & I. Cruz. 1991.
Controle biológico da lagarta-do-cartucho,
Spodoptera frugiperda,
com o baculovírus. Sete Lagoas, Embrapa, 23 (EMBRAPA-CNPMS, Circular
Técnica, 15).
Xie, Y.S., M.B. Isman, P. Gunning, S. Mackinnon,
J.T. Arnason, D.R. Taylor, P. Sanchez, C. Hasbun & G.H.N. Towers. 1994.
Biological activity of extracts of Trichilia species and the limonoid
hirtin against lepidopteran larvae. Biochem. Syst. Ecol. 22: 129-136.