Interação do Fungo
Beauveria
bassiana (Bals.) Vuill. com Terra Diatomácea para o Controle
de Alphitobius diaperinus (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae),
o Cascudinho dos Aviários
1Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Centro de Ciências
Biológicas e da Saúde, Laboratório de Zoologia, Rua
Universitária, 2069, CEP 85819-110, Cascavel, PR, Brasil.
2 Bolsista de iniciação científica pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
modalidade PIBIC/CNPq/Unioeste.
3 Bolsista de Produtividade em Pesquisa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). E-mail: lfaalves@unioeste.br
Interaction of Beauveria bassiana with Diatomaceous Earth for
the control of Alphitobius diaperinus (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae),
the lesser mealworm
ABSTRACT - The lesser mealworm Alphitobius diaperinus (Panzer)
is considered one of the most important pests of modern aviculture. Alternatives
to control this insect include entomopathogenic fungi Beauveria bassiana
(Bals.)
Vuill. as well as diatomaceous earth (DE). This study aimed to evaluate
the interaction of these agents for lesser mealworm control, in two humidity
conditions. The experiment consisted of six treatments, at 55% and 95%
of humidity, as follows: DE applied 2g.kg-1;
B. bassiana
at
5×107; and 5×108 conidia.g-1;
DE (2g.kg-1) + B. bassiana at 5×107;
and 5×108 conidia.g-1, and control. The agents
were mixed with the bird food and distributed into Petri dishes with 15
adults were released in each replicate (three replicates per treatment).
The viability of the fungus associated to DE also was checked. It was verified
that DE significatively affect the fungi viability at 95% of humidity.
The highest mortality values were verified at 55% humidity, and treatments
where the agents were combined performed better (97.8%).The combined agents
also showed the greatest activity at 95% humidity; however, mortality was
lower than 70%. With regard to their interaction, a positive effect occurred
at the higher humidity only, in which a synergism was verified for both
concentrations of the fungus. We concluded that the use of both agents
could be a good strategy as long as they are used at smaller amounts, which
is quite interesting economically in a program for the integrated management
of the pest.
KEY WORDS - Inert dusts, Alphitobius diaperinus, synergism,
alternative control.
RESUMO - O cascudinho, Alphitobius diaperinus (Panzer),
é considerado uma das principais pragas da avicultura moderna. O
fungo entomopatogênico Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. e
terra diatomácea (TD) são alternativas para o controle do
inseto. Avaliou-se no presente estudo a interação destes
dois agentes para o controle do cascudinho, sob diferentes condições
de umidade. O trabalho constou de cinco tratamentos, incubados a 55 e 95%
de umidade: TD 2g.kg-1 de ração; B. bassiana
nas
concentrações de 5×107 e 5×108
conídios.g-1 de ração e TD (2g.kg-1)
+ B. bassiana nas concentrações de 5×107
e 5×108 conídios.g-1 de ração,
além da testemunha. Misturaram-se os agentes à ração
para aves em sacos plásticos, sendo distribuídos em placas
de Petri, com 15 adultos por repetição (três repetições
por tratamento). Monitorou-se a viabilidade do fungo associado à
TD durante o período de avaliação. Verificou-se que
a TD afetou mais significativamente a viabilidade do fungo na umidade de
95% e na umidade de 55% os maiores valores de mortalidade foram obtidos,
principalmente nos tratamentos com os agentes combinados (97,8%). Na umidade
de 95%, os agentes combinados também apresentaram a maior atividade,
com máximo de 70% de mortalidade. Quanto à interação,
ocorreu sinergismo para as duas concentrações de fungo, mas
apenas na umidade de 95%. Conclui-se que o uso dos agentes combinados pode
ser uma boa estratégia se usados em menores quantidades, o que é
muito interessante economicamente para um programa de MIP.
A indústria avícola tem se destacado nos últimos
anos no Brasil, alcançando níveis comparáveis de produção
de nações mais desenvolvidas neste setor, sendo o segundo
maior produtor e o principal exportador de frangos do mundo (Avicultura
Industrial 2006).
O besouro Alphitobius diaperinus (Panzer) (Coleoptera: Tenebrionidae),
conhecido como cascudinho, é uma das principais pragas da avicultura
moderna colonizando o substrato utilizado nos aviários (Arends
1987). Sua introdução em sistemas de produção
animal ocorreu, provavelmente, por meio de ração contaminada,
já que é considerado praga secundária de farinhas,
rações e derivados de grãos armazenados, dispersando-se
e adaptando-se rapidamente às condições dos aviários
(Chernaki-Leffer 2004).
As aves ao se alimentarem dos insetos deixam de ingerir a ração
balanceada, ocasionando redução na conversão de peso,
podendo ainda contaminar a carcaça de frangos, quando
são extraídos o papo e a moela nos abatedouros (Despins
& Axtel 1994, Chernaki-Leffer
et
al. 2001). Em algumas regiões de clima frio faz-se necessário
o uso de isolantes térmicos nos aviários, que é perfurado
pelo inseto causando danos estruturais de até 30% nesse material
(Steelman 1996). O
inseto pode também ser vetor de inúmeras doenças causadas
por vírus, bactérias, fungos, protozoários e helmintos,
sendo que alguns microorganismos já foram isolados do mesmo (Chernaki-Leffer
et
al.
2002, Bates et al. 2004).
As condições encontradas nos aviários, como temperatura
adequada, ausência de radiação UV e população
elevada da praga favorecem o desenvolvimento de fungos entomopatogênicos,
sendo que há relatos da ocorrência de Metarhizium anisopliae
(Metsch.)
(Sorok.) e Beauveria bassiana (Bals.) (Vuill.) em populações
do cascudinho em aviários nos EUA e também no Brasil (Steinkraus
et
al. 1991; Alves et al. 2004;
2005).
Métodos alternativos de controle têm sido pesquisados visando
reduzir a utilização de inseticidas químicos, e o
controle biológico destaca-se como uma opção para
o controle do cascudinho (Crawford et al.
1998).
Pós-inertes, como a terra de diatomácea (TD), são utilizados para o
controle de pragas de grãos armazenados (Lorini
et al. 2001), sendo sua eficiência comprovada para o cascudinho
em testes de laboratório (Alves et al.
2006).
A TD é proveniente de fósseis de algas diatomáceas,
composta principalmente por dióxido de sílica amorfa. É
um produto natural, inerte, não produzindo resíduos tóxicos.
Seu modo de ação é baseado na adesão das partículas
do pó ao corpo dos insetos e, conseqüentemente, na remoção
da cera epicuticular, devido à abrasão. A morte ocorre, principalmente,
por desidratação ou dessecação (Quarles
1992, Korunic 1998).
Tanto a TD como o fungo B. bassiana atuam por meio do contato
com o tegumento do inseto, mas de maneira diferente, o que pode resultar
em uma interação positiva para o controle das pragas, já
que o fungo deve aderir, germinar e penetrar o tegumento, e sua eficácia
pode ser melhorada na presença de outros agentes superfície-ativos.
A TD não afeta germinação e os danos provocados ao
inseto podem auxiliar na penetração do entomopatógeno
(Lord 2001).
Verifica-se que o desempenho de B. bassiana geralmente é
melhorado quando a umidade do ambiente é mais elevada (Ferron
1977), inversamente à TD, que mostra-se mais eficiente em baixa
umidade (Lord 2001). Contudo, os dois agentes são
aparentemente complementares em suas umidades ótimas (Akbar
et
al.
2004), podendo o seu uso ser muito interessante para programas
de MIP. A utilização simultânea pode reduzir a concentração
aplicada de ambos agentes, diminuindo os gastos e potencialmente melhorando
os resultados de mortalidade, pois testes realizados em campo com formulações
à base de B. bassiana
não apresentaram resultados
significativos (Geden & Steinkraus
2003).
Torna-se necessário buscar novas estratégias de aplicação
do fungo em campo (Oliveira 2005), e a associação com outros agentes pode
ser uma alternativa (Chernaki-Leffer 2004),
visto que a TD apresentou resultados satisfatórios na mortalidade
do cascudinho (Alves et al. 2006) e
esta combinação demonstrou-se promissora para outros insetos
em grãos armazenados (Lord 2001, Akbar
et
al. 2004).
Assim, o objetivo do trabalho foi avaliar a interação
de B. bassiana com a terra diatomácea na mortalidade de adultos
de A. diaperinus, em diferentes concentrações e condições
de umidade relativa do ar.
Material e Métodos
Os experimentos foram realizados no Laboratório de Zoologia de
Invertebrados da Unioeste, Cascavel/PR, com insetos provenientes de aviários
comerciais da região, foram mantidos em baldes plásticos
fechados com tampa perfurada, contendo cama de aviário e alimentados
com ração para aves, em condições ambiente,
de temperatura e fotoperíodo.
Obtenção do fungo. Utilizou-se o isolado Unioeste
4 de B. bassiana por ter sido previamente selecionado para o controle do
cascudinho (Rohde et al. 2006). O fungo
foi produzido em placas com meio de cultura ME (meio de esporulação,
Alves
et
al. 1998), incubadas a 26±1°C e 14 h de fotofase, durante
um período mínimo de sete dias para crescimento vegetativo
e conidiogênese. Após este período, os conídios
foram coletados e armazenados em tubos de vidro estéreis sob condições
de freezer (-12°C) por um período não superior a cinco
dias.
Inicialmente, quantificou-se o número de conídios.g-1
do fungo produzido, utilizando-se uma câmara de Neubauer, bem como
se estimou a viabilidade (Alves et al. 1998).
Com base nestes resultados o fungo foi pesado e misturado a amido de milho
PA, obtendo-se as concentrações de 5×107
e 1×108 conídios.g-1 da mistura.
O produto à base de TD utilizado foi fornecido pela empresa Keepdry
(KeepdryE, contendo 86% de dióxido de sílica amorfa com
granulometria média de 5m.
Efeito da umidade sobre a germinação do fungo.
Para verificar o efeito da umidade na germinação do fungo
monitorou-se sua viabilidade nos diferentes tratamentos. O fungo foi produzido
como descrito anteriormente, e 0,1 mL de suspensão contendo aproximadamente
105 conídios.mL-1 foi inoculado na superfície
do meio de cultura ME + tetraciclina, em placas de Petri que foram incubadas
a 26±1°C e 14 h de fotofase, durante 16 h. A viabilidade foi
avaliada observando-se as placas em microscópio de luz, no aumento
de 400 vezes, realizando-se três contagens por quadrante, num total
de quatro quadrantes por placa, obtendo-se assim a viabilidade inicial
(91%).
Na montagem do experimento, o fungo foi misturado à ração
comercial para aves e à ração comercial +TD, e em
seguida, distribuiu-se o material em tubos de vidro estéreis, que
foram divididos em dois grupos, um para cada uma das umidades em teste
(55±6% e 95±2,6%). Assim foram constituídos três
tratamentos para cada umidade: 1) Fungo; 2) Fungo+Ração;
3) Fungo+Ração+TD.
Todo o material foi acondicionado durante 10 dias em potes plásticos
com tampa e com fundo recoberto por espuma de poliuretano umedecida, no
caso da umidade elevada, e para a baixa umidade os potes plásticos
não apresentavam esta espuma e permaneceram sem a tampa.
As avaliações foram realizadas com 1, 2, 3, 6, e 10 dias,
retirando-se amostras que foram diluídas seriadamente em água
+ espalhante adesivo, e as suspensões foram quantificadas e diluídas
para se obter uma concentração final de 106 conídios.mL-1.
Em seguida, 0,1 mL da suspensão de cada tratamento foi inoculado
na superfície da placa de Petri, adotando-se o procedimento para
incubação e avaliação, conforme descrito anteriormente.
Os dados de viabilidade foram transformados em arcsen
utilizando-se o programa Excel® e comparando-se as médias de
mortalidade pelo teste de Tukey (P<0,05) com o auxilio do programa Sisvar®
(Ferreira 1992). O delineamento experimental
utilizado foi inteiramente casualizado, com parcelas subdivididas no tempo
(split-plot).
Interação dos agentes de controle. O experimento
constou de cinco tratamentos adicionados à ração esterilizada
para aves, contendo três repetições de 15 insetos cada
(n=15), submetidos às umidades de 55±6% e 95±2,6%.
As umidades foram mantidas como descrito anteriormente. No tratamento apenas
com TD misturou-se 2 g.kg-1 de ração, e nos tratamentos
apenas com fungo foram utilizadas quantidades equivalentes à 1g
de mistura (fungo + amido) por placa de Petri, nas duas concentrações.
Na combinação da TD com ambas as concentrações
do patógeno, foram utilizadas as mesmas proporções
que dos agentes isoladamente.
A incorporação dos agentes de controle na ração
ocorreu agitando-se o material em sacos plásticos fechados, durante
1 minuto. Em seguida, 5g da mistura homogênea foram distribuídos
em cada placa de Petri, e na testemunha, colocou-se apenas ração.
Os potes foram incubados em B.O.D. (26±1ºC e fotofase de 14
h), durante 15 dias.
As avaliações foram realizadas diariamente, sendo os insetos
mortos retirados e desinfestados em solução de álcool
70% e água destilada, e transferidos individualmente para câmara
úmida, nas mesmas condições de incubação
do experimento, a fim de confirmar a morte pelo fungo. Nos tratamentos
que continham TD, a mortalidade considerada foi a total. A umidade junto
às placas foi medida três vezes ao dia com um termohigrômetro,
sendo duas avaliações na foto fase e uma na escotofase, registrando-se
os valores para cálculo de uma média diária.
Os dados de mortalidade obtidos foram transformados em arcsen,
utilizando-se o programa Excel® e submetidos à análise
de variância (teste F), comparando-se as médias de mortalidade
pelo teste de Tukey (P<0,05), também utilizando-se o programa
Sisvar® (Ferreira 1992). A interação
entre os agentes e a interpretação da mesma foi calculada
pelo método apresentado por Koppenhofer
& Kaya (1997), baseado no teste do 2,
comparando-se a mortalidade observada (MO) com a esperada (ME), segundo
a fórmula proposta pelos autores:
, onde TD é a mortalidade causada pela TD e Bb é a mortalidade
causada pelo fungo. Assim, considera-se efeito aditivo (H0)
para os valores
3,84 (gl=1), sendo que para os excedentes ao tabelado (>3,84) rejeita-se
H0, e foi calculado um índice através da diferença
entre a mortalidade obtida no tratamento contendo os agentes combinados
(MTDBb) e a mortalidade esperada (MTDBb- ME). Quando
esta diferença apresenta valores positivos, o efeito é o
sinergismo, e quando negativa, considera-se antagonismo.
Resultados e Discussão
Efeito da umidade sobre a germinação do fungo.
Verificou-se que a porcentagem de germinação reduziu-se ao
longo do tempo em todos os tratamentos, em ambas as umidades de incubação,
sendo mais evidente na última avaliação (Tabela
1).
Contudo, os efeitos foram mais drásticos na umidade de 55%, já
que nos tratamentos incubados a 95% a viabilidade foi menos afetada até
o terceiro dia, tempo suficiente para o fungo germinar e penetrar a cutícula
do inseto (Alves 1998).
De maneira diferente, Lord (2005) constatou,
em seus estudos, que B. bassiana apresentou maior porcentagem de
germinação em umidades relativas mais baixas (43% e 56%),
sendo que em umidade mais elevada (75% e 85%) verificou-se, após
certo tempo, influência negativa na germinação.
Considerando que a umidade elevada é recomendada para o crescimento
de B. bassiana (Ferron 1977), e a divergência
entre os resultados obtidos neste estudo e também por Lord
(2005), concorda-se com a afirmação feita pelo último
autor, segundo o qual a interação do fungo com a umidade
do ambiente trata-se de uma questão complexa e controversa, e desta
forma, torna-se difícil estabelecer uma regra.
Além disso, comprovou-se que a TD é inócua ao fungo,
pois ao se comparar os valores obtidos neste parâmetro, entre o fungo
isoladamente e associado à TD, excetuando-se o ocorrido no segundo
e terceiro dias de avaliação na umidade de 95%. Nas demais,
a viabilidade do fungo no tratamento associado não diferiu significativamente
ou foi superior à viabilidade do fungo isoladamente, corroborando
observações feitas por Lord (2001).
Tabela 1. Porcentagem de germinação
de conídios de Beauveria bassiana (Bb) em dois diferentes substratos,
ração (R) e ração + Terra de diatomáceas
(TD), e em duas umidades relativas, 55 e 95% durante seis dias.
Tempo de incubação (dias)
Umidade/Tratamentos/% de viabilidade
55%
95%
Bb
Bb + R
Bb + TD
Bb
Bb + R
Bb + TD
0
91±0,88 A
91±0,88 A
91±0,88 A
91±0,88 A
91±0,88 A
91±0,88 A
1
66±4,40 Ba1
64±0,88 Ba
60±2,60 Ba
90±0,00 Aa*2
86±0,33Aa**3
87±0,57 Aa***4
2
54±1,45 Ba
11±0,57 Cb
47±2,18 BCa
68±1,73 Ba*
37±5,92 Cc**
55±1,85 Bb
3
26±1,15 Cb
11±3,38 Cc
45±9,47 Ca
65±0,88 Ba*
49±3,78 Bb**
47±5,04 Bb
6
0±0,00 Db
3±1,33 Dc
23±3,84Da
20±1,45 Cc*
50±3,17 Ba**
34±0,00 Cb***
Bb = B. bassiana 109.g-1;
R = B. bassiana 109.g-1+ 1g Ração;
Bb + TD = B. bassiana 109.g-1+ 1g ração
+ 0,002g Terra de Diatomácea
1 Médias (±EP) seguidas pela mesma letra maiúscula
na coluna, e minúscula na linha para cada umidade não diferem
entre si, segundo o teste de Tukey (P<0,05).
2 *diferença significativa para o tratamento Bb entre
55 e 95% de umidades.
3 ** diferença significativa para o tratamento R
entre 55 e 95% de umidades.
4 *** diferença significativa para o tratamento TD
entre 55 e 95% de umidades.
F1dia= 0,63, P = 0, 5447, CV=3,77; F2dias = 6,50;
P = 0,0122, CV=8,08; F3dias = 8,07; P = 0,0060, CV=14,89; F6dias
= 36,72; P = 0,0000, CV=12,32; G.L. = 2 para todas as análises.
Interação dos agentes de controle. Verificou-se
que a maior mortalidade foi obtida nos tratamentos em que os insetos foram
mantidos em baixa umidade (55%), superando em quase todas as concentrações,
os valores encontrados a 95% (Tabela 2).
Contudo, conforme visto anteriormente, a viabilidade do fungo na maior
umidade de incubação permaneceu maior durante o período
de germinação e penetração do fungo, e desta
forma, é provável que este fator ambiental não seja
responsável pela redução da mortalidade dos insetos
incubados nessa condição.
Tabela 2. Porcentagem de mortalidade
total (T) ou confirmada (C), de adultos de Alphitobius diaperinus em
duas umidades de incubação, 55±6% e 95±2,6%.
Mortalidade/Tratamentos
Mortalidade
55%
95%
(T) Testemunha
11,1 ± 0,88 C a1
15,6 ± 0,88 B a
(T) Terra Diatomácea (TD)
95,6 ± 2,23 A a
28,9 ± 13,49 AB b
(C) B.bassiana (Bb) 5×107
46,7 ± 0,00 B a
6,7 ± 00,00 B b
(C) B.bassiana (Bb) 1×108
28,9 ± 5,87 BC a
17,8 ± 5,87 B a
(T) TD + B.b. 5×107
97,8 ± 2,23 A a
68,9 ± 15,56 A b
(T) TD + B.b. 1×108
97,8 ± 2,23 A a
62,2 ± 18,98 A b
C.V.= 30,2%
1 Médias (±EP) seguidas pela mesma
letra minúscula na linha e maiúscula na coluna, não
diferem entre si, segundo o teste de Tukey a 5% de significância.
Ftratamentos = 29,58; P = 0,0000, gl = 5; Fumidade
=
27,9; P = 0,0000, gl = 1; Ftratamentos*umidade = 2,65; P = 0,0482,
gl = 5.
A presença de TD também influenciou diretamente a mortalidade,
haja vista que os tratamentos que a continham combinada ao fungo apresentaram
valores de mortalidade mais elevados em ambas as umidades relativas.
Analisando-se a mortalidade dos diferentes tratamentos separadamente
em cada umidade, observou-se que na menor, o tratamento que continha apenas
TD atingiu valores de mortalidade que não diferem estatisticamente
dos tratamentos com os agentes combinados. Nos demais, apenas o fungo na
concentração de 5×107 conídios.g-1
diferiu da testemunha, com valores intermediários de 46,7% de mortalidade.
Na umidade de 95%, verificou-se que a TD sozinha, apesar de ter atingido
29% de mortalidade, não diferiu da testemunha nem dos demais tratamentos,
caracterizando influência negativa da umidade em sua eficiência.
Este fato é comprovado ao comparar os resultados dos tratamentos
incubados nas duas umidades, não havendo diferença significativa
na mortalidade apenas no tratamento do fungo aplicado sozinho na concentração
de 1×108 conídios.g-1.
Michalaki et al. (2006) obtiveram
resultados semelhantes avaliando a combinação de Metarhizium
anisopliae e TD para o controle de T. confusum, constatando
que quanto maior a umidade do ambiente de incubação, menor
a mortalidade ocasionada pela TD.
Outros autores também observaram tal relação, quando
avaliaram a influência da umidade na eficiência da TD aplicada
sozinha para o controle de T. confusum e T. castaneum (Arthur
2000) e também somente para T. confusum (Vayas
& Athanassiou 2004). Estudos realizados por Lord
(2005) com B. bassiana associado à TD para o controle
de Rhyzopertha dominica F. (Coleoptera: Bruchidae) obtiveram os
maiores valores de mortalidade na menor umidade de incubação
(43%), inclusive nos tratamentos que continham apenas o fungo.
Estes dados corroboram os obtidos no presente trabalho, visto que a
umidade de 55% apresentou os maiores valores de mortalidade, não
diferindo estatisticamente da maior umidade apenas no tratamento com o
fungo aplicado na concentração de 1×108
conídios.g-1 (Tabela 2).
Assim, sob efeito da maior umidade os insetos podem ter maior movimentação,
revolvendo mais intensamente a ração e proporcionando maior
contato desta com o fungo, possibilitando até mesmo uma maior limpeza
do corpo do inseto devido ao atrito gerado, dificultando a permanência
do fungo na superfície da cutícula e conseqüentemente
a infecção.
Neste sentido, trabalhos realizados por Alves (dados não publicados)
com TD aplicada diretamente nos adultos do cascudinho, demonstraram tal
limpeza do corpo do inseto pelo contato com o substrato.
No entanto, estes resultados diferem de Akbar
et
al. (2004), que não encontraram diferenças significativas
quando compararam o efeito de duas umidades relativas (56% e 75%) na mortalidade
causada por TD acrescida de diferentes concentrações de B.
bassiana para T. castaneum. Porém, isto pode ser explicado
pelo fato de que no presente trabalho utilizou-se uma umidade máxima
de incubação diferente (95%), resultando em um intervalo
de 40%, o dobro do utilizado pelo autor e que provavelmente foi o fator
que caracterizou a diferença significativa.
Vayas & Athanassiou (2004)
reportaram que 10% de variação na umidade (por exemplo, 55%
para 65%) é suficiente para que ocorra uma redução
considerável na mortalidade de T. confusum
causada pela TD
e conseqüentemente pelos tratamentos em que ela encontra-se combinada.
É certo que a alta umidade do substrato interfere no modo de
ação da TD, diminuindo a abrasão e conseqüentemente
minimizando o efeito dessecante (Fields &
Korunic 2000, Mewis & Ulrichs 2001).
Além disso, quando expostas em ambientes com altos níveis
de umidade relativa do ar, as partículas de TD absorvem-na, o que
resulta na redução adicional na eficácia (Arthur
2001). Outro efeito que também pode ser atribuído à
alta umidade do ambiente sobre a TD é que nestas condições
a perda de água do corpo do inseto é menor, conferindo a
ele, provavelmente maior resistência à dessecação.
Na análise da interação ocorreu sinergismo entre
os agentes nas duas concentrações de fungo testadas, mas
apenas quando incubados na maior umidade, sendo que na umidade menor o efeito
foi aditivo (Tabela 3).
De forma diferente, Akbar et al. (2004)
avaliaram a interação entre TD e o fungo B. bassiana na
mortalidade de larvas de T. castaneum em duas umidades distintas
(56% e 75%), constatando sinergismo em ambas para todas as concentrações
de fungo testadas. Isto pode ter ocorrido porque as larvas geralmente são
mais susceptíveis à ação tanto do fungo quanto
da TD por apresentarem um tegumento mais frágil que os adultos.
Além disso, o maior volume corpóreo de A. diaperinus em
relação a T. castaneum pode representar maior reserva
de água, e consequentemente maior resistência contra dessecação.
O valor próximo a 100% de mortalidade ocasionada pela TD aplicada
sozinha na umidade de 55%, quando lançado no cálculo da interação
entre os agentes, impede que se obtenha um valor que indique a ocorrência
de sinergismo, e mesmo que a adição do fungo trouxesse algum
ganho, ele seria imperceptível estatisticamente.
Concluiu-se que a TD e o fungo B. bassiana têm potencial
para uso conjunto como uma alternativa viável para o controle do
cascudinho, podendo ocorrer interação sinérgica entre
os agentes dependendo da estratégia adotada, sendo a umidade do
ambiente e a concentração do fungo os fatores limitantes
a serem considerados para a interação. Ressalta-se que no
presente trabalho, no tratamento com fungo na menor concentração
associado à TD obteve-se resultados de sinergismo que não
diferiram estatisticamente da maior concentração, o que pode
ser muito importante do ponto de vista econômico, pois a aplicação
em um aviário normalmente demandaria grandes quantidades dos dois
agentes.
É preciso que se sejam realizados novos estudos com os agentes
combinados, testando também outros possíveis fatores limitantes,
como temperatura, influência do substrato, persistência dos
agentes no ambiente, para que seja possível então indicar
a melhor forma e estratégia de aplicação em um programa
de manejo integrado para o cascudinho.
Tabela 3. Interação
de Terra de Diatomácea (TD) e Beauveria bassiana na mortalidade
de adultos de Alphitobius diaperinus em duas umidades distintas
de incubação, 55±6% e 95±2,6%, analisada pelo
teste do 2 (gl = 1).
Concentração de B.bassiana (conídios.g-1)
% Mortalidade
B. bassiana sem adição de TD
Observada de B. bassiana + TD
Esperada de B. bassiana + TD
2
55%
0
-
95,6
-
-
5×107
46,7
97,8
97,6
0,001
1×108
28,9
97,8
96,6
0,001
95%
0
-
28,9
-
-
5×107
6,7
68,9
33,7
36,812
1×108
17,8
62,2
40,9
11,112
1 Efeito aditivo: 2
3,84.
2 Efeito sinérgico: 2
>3,84
(Quando MTDBb- ME= valor positivo).
* Nenhum dos tratamentos apresentou efeito antagônico: 2
>3,84 (Quando MTDBb- ME= valor negativo).
Literatura Citada
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