Efeito de Inseticidas Neonicotinóides
sobre a Mosca-das-Frutas Sul-Americana Anastrepha fraterculus (Wiedemann)
(Diptera: Tephritidae) na Cultura da Videira
ALINE NONDILLO1, ODIMAR ZANARDI1, ANA PAULA AFONSO1,
AUGUSTO J. BENEDETTI1 E MARCOS BOTTON1
Effect of Neonicotinoid Insecticides on the South American Fruit
Fly Anastrepha fraterculus (Wiedemann) (Diptera: Tephritidae) in
Vineyards
ABSTRACT - South American fruit fly Anastrepha fraterculus
(Wiedmann) is one of the most important pests associated with vineyards,
mainly with table grape. Insect control has been done basically with organophosphorus
insecticides (fenthion, fenitrothion or trichlorfom) that have a high pre-harvest
interval, low selectivity to natural enemies and high toxicity to human.
This study was conducted aiming to evaluate in laboratory and in a commercial
vineyard the effect of the neonicotinoid insecticides acetamiprid (4; 6
e 8 g.100L-1) and thiamethoxam (5; 7.5 e 10 g.100L-1)
compared with the organophosphate fenthion (50 mL.100L-1) on
adult and larvae control of A. fraterculus. In laboratory, the insecticide
fenthion caused 100% of adult mortality by contact and ingestion activities.
Similar result was observed to A. fraterculus larvae inside Italia
cultivar grapes. Thiamethoxam (10 g.100L-1) showed 79.5% of
adult mortality by contact and 100% by ingestion, however, did not caused
a significant larval mortality (between 44.4 e 55.6%) inside berries. Acetamiprid
controlled the adults by ingestion (100% of mortality). The contact activity
of acetamiprid was low (between 23.1 and 25.6% of mortality); however,
the larval control (between 77.8 and 88.9% of mortality) was equivalent
to fenthion. In the field experiment conducted in a commercial vineyard,
all insecticides and doses after four applications (10 days interval) reduced
berry damage at levels next to 90% during the harvest. These results showed
the potential of neonicotinoids insecticides to control A. fraterculus
in vineyards.
KEYWORDS - Chemical control, table grape, acetamiprid, thiamethoxan,
fenthion.
RESUMO - A mosca-das-frutas Anastrepha fraterculus (Wiedmann)
é uma das principais pragas associadas à cultura da videira,
com destaque para a destinada ao consumo in natura. O controle do inseto
tem sido realizado principalmente com inseticidas fosforados que possuem
período de carência elevada, reduzida seletividade aos inimigos
naturais, e alta toxicidade aos humanos. Neste trabalho, foi avaliado o
efeito dos inseticidas neonicotinóides acetamiprido (4; 6 e 8 g.100L-1),
tiametoxam (5; 7,5 e 10 g 100L-1), e fentiona (50 mL.100L-1),
em laboratório e vinhedo comercial, visando ao controle de adultos
e larvas de A. fraterculus. Em laboratório, fentiona proporcionou
100% de mortalidade de adultos pelo contato direto, ingestão e profundidade
controlando larvas de A. fraterculus localizadas no interior de
bagas de uva da cultivar Itália. O tiametoxam apresentou mortalidade
(M) de adultos de 79,5% (10g i.a. 100L-1) via contato direto
e 100% através da ingestão, nas três doses avaliadas,
porém resultou em reduzido efeito sobre larvas (entre 44,4 e 55,6
% M). O acetamiprido controlou os adultos via ingestão (100% M)
apresentando reduzido efeito de contato (entre 23,1 e 25,6% M), porém
proporcionou um controle de larvas (entre 77,8 e 88,9% M) equivalente a
fentiona. No experimento conduzido em vinhedo comercial, todos os inseticidas
e doses avaliadas, após 4 aplicações realizadas a
intervalos de 10 dias, reduziram a presença de danos nas bagas em
níveis próximo a 90%, demonstrando o potencial de emprego
destes inseticidas no controle de A. fraterculus na cultura da videira.
PALAVRAS-CHAVE - Controle químico, uva de mesa, acetamiprido,
tiametoxam, fentiona.
A produção de uvas no Brasil
concentra-se nas Regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sendo que no Rio
Grande do Sul encontra-se aproximadamente 60% da área cultivada
no Brasil (IBGE 2005). Nos últimos anos,
devido à pressão pelo aumento da qualidade da fruta tanto
para consumo in natura como para o processamento, os produtores têm
dedicado maior atenção à sanidade das uvas no momento
da colheita (Botton et al. 2003).
Em relação às pragas, uma das espécies que
tem se destacado causando prejuízos aos vinhedos do Sul do Brasil
é a mosca-das-frutas sul americana Anastrepha fraterculus (Wiedemann)
(Diptera: Tephritidae) (Bleicher et al.
1982,
Soria
1985, Salles 1995, Kovaleski
et
al. 1999,
Nora
et al. 2000,
Salles
2000).
Na cultura da videira, a picada do inseto nas bagas de cultivares tintas
é praticamente imperceptível a olho-nu. Entretanto, em uvas
brancas, pode-se observar, através da cutícula semi-transparente,
as galerias formadas pela alimentação das larvas no interior
do fruto o qual pode servir como porta de entrada para doenças (Soria
1985).
O dano causado pela praga é resultante da ação
conjunta da migração da larva dentro da polpa da fruta, bem
como pela atividade enzimática da flora bacteriana específica
do inseto (Soria 1985). A baga pode também
apresentar um dano maior no momento da saída da larva para empupar,
sendo que a espécie tem sido freqüentemente encontrada danificando
uvas para consumo in natura, ocorrendo maiores ataques em cultivares tardias
(Botton et al. 2003).
Poucas informações de pesquisa foram desenvolvidas no
Brasil visando ao manejo e controle da praga na cultura da videira, principalmente
na região sul do Brasil (Haji et al.
2001, Botton et al. 2003). O controle
de A. fraterculus tem sido adaptado àquele preconizado para
outras fruteiras de clima temperado, utilizando-se o monitoramento dos
adultos e a aplicação de inseticidas na forma de isca tóxica
ou cobertura total, conforme o nível populacional da mosca presente
no pomar (Soria 1985, Bressan
et
al. 1991, Salles 1995, Salles
1998, Haji et al. 2001, Nora
& Sugiura 2001, Botton
et al. 2003).
Os produtos empregados para o controle da mosca-das-frutas têm sido
basicamente os fosforados com destaque para fenitrotiona, fentiona e triclorfom
(Salles & Kovaleski 1990, Reis
Filho 1994, Calkins & Malavasi
1995, Salles 1995, Kovaleski
et
al. 2000, Kovaleski & Ribeiro
2003) sendo que atualmente, somente o fenthion encontra-se registrado
para uso na cultura para o controle de C. capitata (Agrofit
2005). Estes inseticidas, entretanto, caracterizam-se por apresentar
elevada toxicidade, baixa seletividade aos inimigos naturais e alto período
de carência (Lorenzato 1988, Salles
1998) levando a uma preocupação crescente sobre os efeitos
dos resíduos nos alimentos e no ambiente.
A redução do número de inseticidas registrados
para mosca-das-frutas tem levado a necessidade de se pesquisar novos ingredientes
ativos. Dentre os novos grupos químicos com potencial de controle
do inseto, destacam-se os neonicotinóides por apresentarem baixa
toxicidade a mamíferos e peixes, além de um reduzido efeito
adverso aos insetos benéficos (Leicht 1996,
Yamamoto
1996). Segundo Scoz
et al. (2004),
os inseticidas neonicotinóides tiametoxam e imidacloprido demonstraram
eficácia sobre adultos de A. fraterculus
em laboratório,
porém, não tiveram um efeito satisfatório no controle
das larvas em maçãs. Acetamiprido, também pertencente
ao grupo dos neonicotinóides, ainda não avaliado para o controle
da mosca-das-frutas no Brasil, demonstrou eficácia no controle de
Rhagoletis
cerasi (Diptera: Tephritidae), na cultura da cereja na Polônia
(Olszak & Maciesiak 2004), justificando
a realização de trabalhos visando conhecer o efeito destes
produtos no controle da mosca-das-frutas no Brasil.
Neste trabalho, o efeito dos inseticidas neonicotinóides acetamiprido
e tiametoxam foi avaliado em laboratório e em vinhedo comercial,
comparando-os com o inseticida fosforado fentiona visando ao controle de
adultos e larvas de A. fraterculus associada à cultura da
videira.
Material e Métodos 1. Experimentos em Laboratório. Os experimentos foram
conduzidos com insetos provenientes da criação mantida no
Laboratório de Entomologia da Embrapa Uva e Vinho em Bento Gonçalves,
RS seguindo a metodologia descrita por Scoz (2003).
Todos os experimentos foram conduzidos na temperatura de 25ºC, umidade
relativa (UR) de 70 ± 10% e fotoperíodo de 12h. Os inseticidas
e doses avaliadas foram: a) acetamiprido (Mospilan, pó solúvel
a 20%, Iharabrás S.A Indústrias Químicas, Sorocaba-SP)
4, 6 e 8g i.a. 100L-1 de água, b) tiametoxam (Actara
250WG, granulado dispersível em água a 25%, Syngenta Proteção
de Cultivos Ltda, São Paulo-SP) 5, 7,5 e 10g i. a. 100L-1
de água, c) fentiona (Lebaycid 500 CE, concentrado emulsionável
a 50%, Bayer Cropscience Ltda, São Paulo-SP), 50 mL i.a. 100L-1
de água, mantendo-se uma testemunha sem controle.
1.1 Bioensaio de contato e ingestão visando ao controle de
adultos. Os experimentos foram conduzidos utilizando-se dez repetições
por tratamento sendo cada unidade amostral composta por dois casais com
idade entre 8 e 14 dias.
No bioensaio de contato, os adultos foram retirados das gaiolas de criação
(25×25×25cm), colocados em saco plástico (20×30
cm) e anestesiados com CO2 por 30 segundos. Depois de anestesiados,
os produtos foram aplicados sobre os insetos utilizando-se Torre de Potter
(Burkard Scientific Uxbridge UK) calibrada a pressão de 10 lb.pol-2,
utilizando-se 1mL de calda por aplicação, resultando numa
deposição média de resíduo úmido de
2,2 mg.cm-2. Até 96h após a aplicação
(HAA), os insetos foram mantidos em gaiolas feitas de copos plásticos
(5 cm de diâmetro × 10 cm de altura) desprovidos de fundo,
sendo este substituído por tecido, tipo "voil" e alimentados com
mel a 10%.
No bioensaio de ingestão, os adultos foram retirados das gaiolas
de criação e transferidos para gaiolas feitas de copos plásticos
(5 cm de diâmetro × 10 cm de altura) desprovidos de fundo,
sendo este substituído por tecido, tipo "voil". Os inseticidas foram
oferecidos numa solução aquosa associada a mel a 2,5%, através
de um rolete dental de algodão inserido em tubo de vidro de 10mL.
Foi adicionada à calda contendo os inseticidas, 1g L-1
de corante vermelho Ponceau (Sigma Chemical Co.) para atuar como indicador
de consumo da solução, observado através da cor vermelha
no abdômen do inseto (Cruz et al. 1997,
Scoz
et
al. 2004).
1.2. Bioensaio de efeito de profundidade visando larvas. O experimento
foi realizado com bagas de uva Itália que foram oferecidas para
oviposição de A. fraterculus com 12 dias de idade,
no interior de gaiolas de criação (25×25×25cm),
com aproximadamente 60 insetos (1:1 machos e fêmeas), por um período
de 48 horas. Após o período de oviposição,
as bagas foram retiradas das gaiolas e acondicionadas em recipiente plástico
(30×20×10 cm) e coberto por tecido tipo "voil" por um período
de 5 dias. Passado esse período, foram selecionadas apenas as bagas
que continham galerias indicando a presença de larvas vivas. Em
seguida, as bagas foram imersas por 10 segundos em 1L de calda inseticida
contendo os mesmos tratamentos avaliados para o controle de adultos, deixando-se
os frutos ao ar livre para secagem por 2h após a aplicação.
Logo após, as bagas foram acondicionadas em recipientes plásticos
(6×10 cm) estabelecendo-se seis repetições, contendo
cada unidade amostral cinco bagas.
Em todos os experimentos o delineamento experimental utilizado foi o
inteiramente casualizado, sendo que nos experimentos de controle de adultos,
o número de insetos sobreviventes foi avaliado 24, 48, 72 e 96 h
após o tratamento (HAA) e no de profundidade, a avaliação
da presença de larvas vivas nas bagas foi realizada 15 dias após
a aplicação.
2. Experimento em vinhedo comercial. O experimento para avaliar
o efeito dos inseticidas em vinhedo comercial foi instalado em parreiral
da cultivar Moscato, plantada em 1997 no espaçamento de 1,80 ×
2,50 m conduzido no sistema latada, localizado na Embrapa Uva e Vinho,
em Bento Gonçalves, RS (29º09'44"S, 51º31'50"W ). Durante
a condução do experimento, a população de adultos
de A. fraterculus foi monitorada na área experimental (0,4
ha) utilizando três armadilhas McPhail, iscadas com proteína
hidrolisada (Bio Anastrepha®) avaliando-se o número de adultos
capturados semanalmente, quando foi realizada a reposição
do atrativo.
Foram avaliados os mesmos inseticidas dos experimentos de laboratório
utilizando o delineamento experimental inteiramente casualizado com cinco
repetições. Cada parcela foi constituída por três
plantas, utilizando-se a planta central para avaliação.
Os inseticidas foram aplicados com auxilio de um pulverizador costal
manual, modelo PJH 20, equipado com bico de cone vazio, modelo JA-1-5 e
volume de 833 L/ha. As aplicações foram realizadas no período
de maturação dos frutos, estabelecendo-se um intervalo entre
os tratamentos de aproximadamente 10 dias.
A avaliação do dano causado pela mosca-das-frutas nos
frutos foi realizada, colhendo-se ao acaso 10 cachos por repetição,
totalizando 50 cachos por tratamento. No laboratório, foram avaliadas
todas as bagas dos cachos separando-se aquelas com presença de galerias
causada por larvas de A. fraterculus.
3. Análise estatística. Para analise estatística,
nos experimentos de laboratório para avaliação do
controle de adultos (ingestão e contato) o número de insetos
sobrevivente foi submetido à análise de variância,
utilizando o Teste F e as médias foram transformadas em raiz de
x + 0,5. Nos experimentos de campo e no bioensaio de profundidade, foram
avaliados a porcentagem de frutos com danos ou a presença de larvas
vivas. Os dados foram transformados utilizando o arc sen
antes de serem submetidos à análise de variância. Para
análise foi utilizando o programa Sisvar (Furtado
2003), comparando-se as médias pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
A eficiência dos inseticidas foi calculada através da fórmula
de Abbott (1925).
Resultados e Discussão
1. Experimentos em Laboratório 1.1 Bioensaio de contato e ingestão visando ao controle de
adultos. A avaliação dos inseticidas realizada 24 horas
após aplicação (HAA), visando controlar os adultos
de via contato, demonstrou que a fentiona (50 mL i.a. 100L-1),
utilizada como padrão de comparação proporcionou mortalidade
de 100% de adultos (Tabela 1). Salles
& Kovaleski (1990) e Scoz et al.
(2004), também constataram em laboratório o mesmo resultado
utilizando fentiona (50mL i.a. 100L-1) demonstrando a elevada
atividade biológica deste inseticida considerado referência
no controle do inseto. Nesta avaliação, as menores doses
de acetamiprido (4 e 6 g i.a. 100L-1) apresentaram uma baixa
mortalidade, 17,5 e 15% respectivamente, apresentando um comportamento
semelhante ao da testemunha (Tabela 1). O tiametoxam
não apresentou diferença entre as doses, proporcionando uma
mortalidade intermediária entre 40 e 62,5%, diferindo significativamente
da testemunha (Tabela 1).
Tabela 1. Número médio
de insetos vivos (N± EP) e mortalidade (%M) de adultos de Anastrepha
fraterculus, 24, 48, 72, 96 h após aplicação (HAA)
de inseticidas via contato em laboratório. Temperatura 25 ±
3° C; UR: 70 ± 10% e fotofase de 12 h. Bento Gonçalves,
RS, 2005.
Na avaliação realizada 48 HAA o acetamiprido, nas três
doses avaliadas, proporcionou uma maior mortalidade de adultos, entretanto
manteve a baixa eficiência, inferior a 25,6%. Nesta avaliação,
o tiametoxam resultou em uma mortalidade entre 46,1 e 69,2% (Tabela
1).
Na avaliação realizada 72 HAA tiametoxam (5; 7,5 e 10
g i.a. 100L-1) apresentou mortalidade de 46,1; 64,1 e 74,4%
respectivamente. Comportamento similar foi observado na avaliação
realizada 96 HAA (Tabela 1). Os resultados obtidos
com tiametoxam (10 g i.a. 100L-1) são similares aos obtidos
por Scoz et al. (2004) que também
observaram mortalidade significativa de adultos via contato.
Nas duas últimas avaliações (72 e 96 HAA) o acetamiprido
nas três concentrações (4, 6 e 8 g i.a. 100L-1)
apresentou o mesmo comportamento, não proporcionando uma mortalidade
de adultos em níveis superiores a 25,6% (Tabela
1).
No bioensaio de ingestão, foi observado que todos os insetos
ingeriram os produtos fato registrado pela presença da cor vermelha
do abdômen devido ao corante utilizado na dieta. Isto indica que
os inseticidas não provocaram ação de repelência,
e a mortalidade observada foi resultante da ação dos produtos.
Cruz
et
al. (1997) e Scoz
et al. (2004)
também observaram que dietas com diferentes inseticidas contendo
o mesmo corante não foram discriminados por
A. fraterculus.
Na avaliação realizada 24 HAA, fentiona (50mL i.a. 100L-1)
provocou a morte de 100% dos insetos (Tabela 2) resultados
que concordam com Salles & Kovaleski
(1990) e Scoz et al. (2004). Nesta
avaliação, não foi observada diferença significativa
na mortalidade dos adultos entre a testemunha e os tratamentos com as duas
menores doses de acetamiprido (4 e 6g i.a. 100L-1) que proporcionaram
26,3% de controle (Tabela 2). Tiametoxam (10g i.a.
100L-1) foi o único dos inseticidas que provocou mortalidade
equivalente ao fosforado fentiona concordando com resultados obtidos por
Scoz
et
al. (2004).
Tabela 2. Número médio
de insetos vivos (N± EP) e mortalidade (%M) de adultos de Anastrepha
fraterculus, 24, 48, 72 e 96 h após aplicação (HAA)
de inseticidas via ingestão em laboratório. Temperatura
25 ± 3° C; UR: 70 ± 10% e fotofase de 12 h. Bento Gonçalves,
RS, 2005.
Na avaliação realizada 48 HAA, as três concentrações
de acetamiprido (4, 6 e 8g i.a. 100L-1) provocaram uma mortalidade
de A. fraterculus entre 59,5 a 67,6% (Tabela 2).
Tiametoxam (5, 7,5 e 10g i.a. 100L-1) apresentou controle de
adultos acima de 90%, igualando-se a fentiona e atingindo 100% de mortalidade
às 72 HAA (Tabela 2).
Na avaliação realizada 72 HAA, acetamiprido (6 e 8 g i.a.
100L-1) proporcionou mortalidade dos adultos próximo
a 90% equivalendo-se ao inseticida fentiona utilizado como padrão
(Tabela 2).
Os inseticidas acetamiprido e tiametoxam foram mais tóxicos a
adultos da mosca-das-frutas via ingestão do que por contato concordando
com os resultados obtidos por Scoz et al. (2004)
para outros neonicotinóides, como imidacloprido, tiametoxam e tiacloprido.
Este fato indica a possibilidade de emprego desse grupo químico
como substituto aos fosforados nas iscas tóxicas.
1.2. Bioensaio de efeito de profundidade visando ao controle de larvas.
No
experimento de profundidade, somente fentiona (50 mLi.a. 100L-1)
provocou 100% de mortalidade das larvas de A. fraterculus localizadas
no interior das bagas de uva da cultivar Itália (Tabela
3). Salles & Kovaleski (1990)
obtiveram resultados semelhantes a este em um experimento com ameixas infestadas
(91,9% de mortalidade).
Tabela 3. Porcentagem de frutos
com larvas vivas [± EP] por Anastrepha fraterculus após
aplicação de inseticidas em laboratório. Bento
Gonçalves, RS, 2005.
O inseticida acetamiprido, nas três concentrações
avaliadas (4, 6 e 8g i.a. 100L-1 ) apresentou mortalidade de
larvas entre 66,7 e 88,9% , sendo o comportamento semelhante ao fosforado
fentiona (Tabela 3). Não houve diferença
significativa entre as três concentrações avaliadas
de tiametoxam (5, 7,5 e 10g i.a. 100L-1), que manteve uma eficiência
de controle baixa (entre 44,4 e 55,6%), equivalendo-se ao tratamento testemunha
(Tabela 3), concordando com os resultados obtidos por
Scoz
et
al. (2004) que avaliou o efeito de profundidade do produto em maçãs.
No momento da aplicação dos inseticidas, todas as bagas
utilizadas no experimento possuíam galerias, indicando a presença
de larvas vivas. Entretanto, na avaliação realizada 15 dias
após, foi observado que apenas 40% das bagas da testemunha continham
larvas vivas o que indica que o inseto possui dificuldades para completar
o ciclo na cultivar Itália (Tabela 3). Embora
trabalhos de biologia com A. fraterculus na cultura da videira não
tenha sido conduzidos no Brasil, Chu & Tung
(1996) demonstraram que a mosca-das-frutas Bractocera dorsalis (Diptera:
Tephritidae) apresenta maior viabilidade em bagas maduras, porém,
somente 19% dos ovos conseguiram se transformar em adultos na cultura.
Mesmo com a baixa infestação de larvas na testemunha, foi
possível discriminar a eficiência dos os inseticidas aplicados
quanto a mortalidade (Tabela 3).
2. Experimento em vinhedo comercial. A presença de adultos
de A. fraterculus nos vinhedos foi observada durante os meses de
dezembro a fevereiro (15/12/04 a 14/02/05) (Fig.1).
A população de adultos da mosca-das-frutas na área
experimental manteve-se baixa (< 2 adultos/armadilha/semana) até
o dia 17/01/05. A partir deste período um acréscimo significativo
na população da praga foi observado tendo um pico populacional
no final do mês de janeiro (31/01/05) (25 adultos/armadilha em média),
sendo este concomitante com a época de maturação dos
frutos no parreiral.
Figura 1. Número médio de adultos de Anastrepha
fraterculus capturados em armadilhas Mc Phail na cultura da videira
durante a condução do experimento (15/12/04 a 14/02/05).
Bento Gonçalves, RS, 2004/2005.
No experimento de campo, foi observado que o acetamiprido (4, 6 e 8
g i.a. 100L-1) tiametoxam (5, 7,5 e 10 g i.a. 100L-1)
e fentiona (50 mL i.a. 100L-1) não diferiram entre si
quanto ao nível do dano nas bagas porém proporcionaram uma
redução na infestação da praga próximo
a 90% quando comparado com as parcelas testemunhas (Tabela
4).
Tabela 4. Porcentagem de bagas
com danos [± EP] de Anastrepha fraterculus após o
tratamento com inseticidas em pomar comercial de videira da cultivar
Moscato Embrapa. Bento Gonçalves, RS, 2005.
Com base nos experimentos de laboratório, foi observado que nenhum
dos neonicotinóides avaliados ofereceu controle eficiente nos três
modos de exposição (contato, ingestão e profundidade)
o que seria considerado ideal para aplicação em cobertura
total. O único tratamento que ofereceu eficiência nos três
modos de exposição foi o fosforado fentiona, que é
o produto referência para o controle da praga na cultura. Entretanto,
face às restrições quanto à toxicidade para
inimigos naturais (Gutierrez & Ettene
1981) e carência elevada (21 dias) na cultura, os neonicotinóides
podem ser opções alternativas para o controle da praga na
cultura. O maior potencial de emprego deste grupo químico parece
ser na utilização como isca tóxica substituindo os
fosforados que são altamente empregados, o que proporcionaria uma
redução significativa na quantidade deste grupo químico
anualmente aplicado nos vinhedos. Além do efeito de ingestão,
os resultados da ação de profundidade observados com o acetamiprido
e da redução de infestação no em vinhedo comercial,
demonstra o potencial de controle da mosca das frutas na cultura da videira
com o emprego deste grupo químico, que apresenta menor toxicidade
e carência que os fosforados atualmente empregados no controle da
espécie.
Literatura Citada
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