Avaliação da Técnica
de Disrupção Sexual Utilizando Emissores SPLAT®
Visando ao Controle de Bonagota salubricola (Meyrick) e Grapholita
molesta
(Busck) (Lepidoptera: Tortricidae) na Pré-colheita de
Maçãs da Cultivar 'Fuji'
1 Centro Nacional de Pesquisa Uva e Vinho,
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 95700-000, Bento Gonçalves,
RS. E-mail: plpastori@yahoo.com.br,
marcos@cnpuv.embrapa.br.
2 Depto. Fitossanidade, Faculdade de Agronomia
Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas, 96.010-900, Pelotas, RS.
E-mail: alioleo@bol.com.br.
3 Depto. Fitotecnia e Fitossanitarismo,
Setor Ciências Agrárias, Juvevê, Universidade Federal
do Paraná, 80035-050, Curitiba, PR. E-mail: lbmonteiro@terra.com.br.
4 ISCA Technologies, INC., Chicago Ave
Suite C2, Riverside CA 92507, USA. E-mail: president@iscatech.com.
Evaluation of the Sexual Disruption Technique Using SPLAT®
Dispensers to Control Bonagota salubricola (Meyrick) and Grapholita
molesta (Busck) (Lepidoptera: Tortricidae) in the Pre-harvest of 'Fuji'
Apple Cultivar
ABSTRACT - The sexual disruption of Bonagota salubricola (Meyrick)
and Grapholita molesta (Busck) (Lepidoptera: Tortricidae) was evaluated
in a commercial apple orchard using SPLAT Grafo + Bona®
(SG+B) and SPLAT Cida Grafo + Bona® (SCG+B) dispensers compared
with the management adopted in the Integrated Apple Production (IAP). The
dispensers were applied (1kg/ha) in the pre-harvest of 'Fuji' cultivar
distributed in 300 (SG+B) and 1000 (SCG+B) points/ha in experimental units
(EU) of 5 ha each treatment. Male capture of both species adults were evaluated
weekly in Delta traps with specific sexual pheromone from March - May/2005
(2004/05 season) and August - November/2005 (2005/06 season). Damage on
fruits was evaluated in the harvest. Dispensers application promoted a
significative reduction in the male population of B. salubricola and
G. molesta in Delta traps when compared with IAP. However, this
reduction in the capture had no correlation with damage caused by B.
salubricola and G. molesta in the harvest, that was similar
in the treatments with pheromone SG+B (3 and 0%) and SCG+B (3.5 and 0%)
and in the IAP (4.75 and 0.25%), respectively. Adult population of G.
molesta at the beginning of the 2005/06 season was lower (29.3 and
25.8 adults) in the EU (284.8 adults) that received the dispensers in 2004/05
season, showing a significant effect of the treatment with pheromone on
overwintering generation of this species, but not of B. salubricola.
KEYWORDS - Brazilian apple leafroller, oriental fruit moth, pheromone.
RESUMO - O controle de Bonagota salubricola (Meyrick)
e Grapholita molesta (Busck) (Lepidoptera: Tortricidae) foi avaliado
na cultura da macieira através da técnica de disrupção
sexual utilizando emissores SPLAT Grafo + Bona® (SG+B) e
SPLAT Cida Grafo + Bona® (SCG+B) comparado com o manejo
adotado na produção integrada de maçãs (PIM).
Os emissores foram aplicados (1 kg/ha) na pré-colheita da cultivar
'Fuji', distribuídos em 300 (SG+B) e 1000 (SCG+B) pontos/ha em unidades
experimentais (UE) de 5 ha cada tratamento. Semanalmente foi avaliado o
efeito das formulações sobre a captura de machos adultos
em armadilhas Delta iscadas com feromônio sexual sintético
das duas espécies no período de Março - Maio/2005
(safra 2004/05) e Agosto - Novembro/2005 (safra 2005/06) além dos
danos na colheita. A aplicação das formulações
promoveu redução significativa na população
de machos adultos de B. salubricola e de G. molesta capturados
em armadilhas Delta quando comparado com a testemunha (PIM). Entretanto,
esta redução na captura não refletiu na redução
de danos causados por B. salubricola e G. molesta na colheita,
que foi semelhante nos tratamentos com emissores SG+B (3 e 0%) e SCG+B
(3,5 e 0%) e na testemunha (PIM) (4,75 e 0,25%), respectivamente. A população
de adultos de G. molesta no início da safra 2005/06, foi
inferior (29,3 e 25,8 adultos) nas UE’s que receberam os emissores SG+B
e SCG+B na safra 2004/05 quando comparado com a PIM (284,8 adultos), indicando
um efeito significativo do tratamento com feromônio sexual sobre
a geração hibernante da espécie, fato não observado
com B. salubricola.
A fruticultura de clima temperado tem se expandido nos últimos
anos, tendo como destaque a cultura da macieira (Malus domestica Borkh.)
com área plantada evoluindo de 170 ha em 1974 para 35.493 ha em
2005, tornando o país de importador a exportador da fruta (IBGE
2005). A macieira também foi pioneira na implantação
do programa de produção integrada de frutas (PIF) sendo a
primeira a receber a certificação no Brasil (Protas
2003). Essa evolução foi garantida pela participação
conjunta de instituições de pesquisa e um setor produtivo
altamente organizado (Kovaleski 2004).
No Brasil, o cultivo da macieira é realizado principalmente nos
estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os quais são responsáveis
por 98% da produção nacional (IBGE 2005).
Além do aspecto econômico exercido pela atividade, já
que a produção de maçãs é responsável
pelo desenvolvimento rural e urbano nas regiões onde é cultivada,
destaca-se ainda o grande número de produtores envolvidos e também
por ser importante fonte geradora de empregos (Mello
2004).
Entretanto, a cultura da macieira tem enfrentado uma série de
problemas fitossanitários merecendo destaque a ocorrência
da lagarta-enroladeira-da-maçã Bonagota salubricola
(Meyrick) e da mariposa-oriental Grapholita molesta (Busck) (Lepidoptera:
Tortricidae) que de forma conjunta, podem acarretar perdas superiores a
10% da produção (Kovaleski
& Ribeiro 2003).
As primeiras infestações por B. salubricola foram
relatadas na década de 80 (Lorenzato 1984),
sendo que o ataque do inseto ocorre nas folhas e frutos. Embora nas folhas
não sejam promovidas perdas econômicas, é o dano nos
frutos que resulta em depreciação comercial (Botton
et
al. 2000). A mariposa-oriental é uma espécie polífaga,
que ataca preferencialmente rosáceas (Salles
2001). Na macieira, os danos provocados pelas lagartas podem ser observados
nos ponteiros das plantas e nos frutos, sendo que, nestes últimos,
causam perfurações tornando-os imprestáveis para o
comércio (Kovaleski 2004).
O manejo das duas pragas tem sido realizado principalmente com inseticidas
de amplo espectro com destaque para os fosforados (Botton
et
al. 2000; Kovaleski & Ribeiro
2003; Kovaleski 2004), os quais possuem
elevada toxicidade além de possuírem efeitos deletérios
sobre os inimigos naturais (Thomson et al.
2001;
Ferreira
et al. 2006;
Manzoni
et al. 2006).
Além disso, o elevado período de carência para os principais
produtos recomendados nos pomares conduzidos sob o sistema de produção
integrada de maçãs (PIM) (Kovaleski
& Ribeiro 2003) limitam sua utilização na pré-colheita
das frutas. Deste modo, novas alternativas de controle devem ser estudadas
visando o manejo das duas pragas na cultura.
Uma alternativa seria o emprego de feromônios sexuais que são
produzidos tanto por machos como fêmeas (Vilela
& Della Lúcia 2001), sendo que o emprego destas substâncias
visando à manipulação do comportamento poderia ser
uma estratégia ambientalmente segura e atóxica para substituir
os inseticidas de amplo espectro (Cardé
& Minks 1995). Ademais, por serem substâncias atóxicas,
não deixam resíduos nos frutos, sendo uma possibilidade de
emprego no período de pré-colheita.
No Brasil, o emprego de formulações específicas
para o controle da mariposa-oriental na cultura da macieira (Monteiro
2006), tem sido em muitos casos, limitado devido à especificidade
do composto, pois requerem aplicações adicionais de inseticidas
para outras pragas com destaque para a mosca das frutas sul-americana Anastrepha
fraterculus (Wiedemann) (Diptera: Tephritidae) e B. salubricola,
pragas importantes na pré-colheita das frutas. No caso da lagarta-enroladeira-da-maçã,
praga nativa do continente sul-americano (Núñez
et
al. 2006), o feromônio sexual foi isolado e identificado
(Unelius et al. 1996; Kovaleski
et
al. 2003) sendo que recentemente foi desenvolvida a formulação
SPLAT® (Specialized Pheromone & Lure Application Technology)
que contém no mesmo liberador, o feromônio sexual de B.
salubricola
e de G. molesta, o que permitiria o controle conjunto
dos dois lepidópteros-praga na mesma aplicação (Mafra-Neto
2005).
Neste trabalho, foi avaliado o efeito da aplicação de
emissores SPLAT Grafo + Bona® e SPLAT Cida Grafo + Bona®
visando ao controle da lagarta-enroladeira-da-maçã e da mariposa-oriental
aplicado na pré-colheita da cultivar 'Fuji' observando o efeito
do tratamento sobre os danos nos frutos durante a colheita e na população
de adultos da safra subseqüente.
Material e Métodos
O experimento foi conduzido no período de 10/mar/2005 a 26/mai/2005
(safra 2004/05) e de 30/ago/2005 a 1/nov/2005 (safra 2005/06) utilizando
um pomar de macieira localizado em Vacaria, RS (28°33'S & 50°42'W).
Área experimental e tratamentos avaliados. Foi utilizado
um pomar comercial de macieira plantado em 2000 no espaçamento de
1,5 x 4,5 m (plantas x linhas) com altura entre 2,5 a 3,0 m. O pomar foi
estabelecido numa combinação de quatro linhas da cultivar
'Gala' (produtora) e duas da cultivar 'Fuji' (polinizadora) correspondendo
a 66,6 e 33,4% da área cultivada, respectivamente. Em março
de 2005, após a colheita da cultivar 'Gala', foram delimitadas três
unidades experimentais (UE’s) de cinco hectares cada (Fig.
1) sendo aplicados os seguintes tratamentos: A) Disrupção
sexual utilizando emissores SPLAT Grafo + Bona® (SG+B) (46
g de ingrediente ativo/ha) na dose de 1 kg/ha distribuídos uniformemente
em toda a UE em 300 liberadores/ha de 3,3 g cada; B) Disrupção
sexual utilizando emissores SPLAT Cida Grafo + Bona® (SCG+B)
(24 g de ingrediente ativo + 50 g cipermetrina/ha) na dose de 1 kg/ha distribuídos
uniformemente em toda a UE em 1000 liberadores/ha de 1 g cada e, C) testemunha
(PIM) - manutenção seqüencial do programa de controle
seguindo as normas da produção integrada de maçãs
(Protas & Sanhueza 2002) sendo que
após a instalação do experimento até colheita
(safra 2004/05) não foram realizadas aplicações de
inseticidas. Anteriormente à instalação do experimento,
todas as UE's receberam o mesmo manejo fitossanitário.
Figura 1. Diagrama de três unidades experimentais, sendo
com representação esquemática do posicionamento das
armadilhas Delta iscadas com Iscalure Bonagota® e Iscalure
Grafolita® e não representam distância real
(n = 4 para cada espécie). Vacaria, RS.
As três UE's receberam uma aplicação do inseticida
fosmete (Imidan PM, 120g/100L) em 8/mar/2005 com o objetivo de reduzir
a infestação inicial de pragas no pomar, visto que a aplicação
de feromônios em áreas com altas populações
reduz a eficiência da técnica (Rothschild
1981; Charmillot & Pasquier
2001).
As UE's onde foram aplicados os emissores de feromônio sexual
foram distanciadas de no mínimo 200 m da PIM visando evitar a entrada
de fêmeas fecundadas.
Na safra 2005/06 foram realizadas duas aplicações na UE
PIM, sendo clorpyrifós (Lorsban 480, 150mL/100L) em 26/set/2005
e tebufenozida (Mimic 240, SC, 90mL/100L) em 25/out/2005.
Descrição da formulação do feromônio
sexual sintético. A formulação SPLAT®
(Specialized Pheromone & Lure Application Technology) foi desenvolvida
e patenteada pela Isca Technologies (Riverside, Califórnia, USA)
sendo uma emulsão pastosa e amorfa que controla a liberação
de semioquímicos e inseticidas, a qual é composta por óleos
e ceras. As formulações SPLAT Grafo + Bona®
(SG+B) e SPLAT Cida Grafo + Bona® (SCG+B) constituem-se
numa mistura do feromônio sexual de B. salubricola e de G.
molesta sendo compostas por: SG+B – [Acetato de (E)-8-dodecenila;
Acetato (Z)-8-dodecenila; Z-8-dodecenol (4,4%) (44 g/kg), Acetato de (E,Z)-3,5-dodecadienila
(0,20%) (2 g/kg)] e SCG+B – [Acetato de (E)-8-dodecenila; Acetato
(Z)-8-dodecenila; Z-8-dodecenol (2,2%) (22 g/kg) Acetato de (E,Z)-3,5-dodecadienila
(0,20%) (2 g/kg) (RS)-alpha-cyano-3-Phenoxybenzyl (1RS,3RS; 1 RS, 3SR)-
3-(2,2-dichlorovinyl) –2,2-dimethylcyclopropanecarboxylate (cipermetrina)
(5%) (50 g/kg)].
Metodologia de aplicação dos liberadores. Os liberadores
foram distribuídos manualmente nas UE’s em 10/mar/2005 com auxílio
de espátulas de madeira previamente aferidas para 3,3 (SG+B) e 1g
(SCG+B) aplicando a dose de 1 kg/ha para as duas formulações.
Na periferia da UE de cada tratamento (aproximadamente 10 m) foram distribuídos
10% de liberadores a mais, objetivando diminuir o efeito de borda, comum
neste tipo de experimento (Degen et al. 2005;
Mafra-Neto
2005). Os liberadores foram posicionados nas plantas à sombra,
na base dos ramos entre 1,5 a 2,0 m acima da superfície do solo.
Delineamento experimental. O experimento foi conduzido no delineamento
inteiramente casualizado, sendo que cada UE foi dividida em quatro repetições
de 1,25 ha cada.
Avaliação prévia da população
de pragas. Em 6/mar/05 foram instaladas quatro armadilhas Delta de
coloração branca para cada espécie, iscadas com Iscalure
Bonagota® e Iscalure Grafolita® (Isca Tecnologias
Ltda., Ijuí, RS, Brasil) distanciadas 30 m entre si, posicionadas
nas plantas a uma altura entre 1,5 e 2,0 m acima da superfície do
solo, as quais foram avaliadas em 10/mar/2005 com o objetivo de verificar
a homogeneidade das UE's. Além disso, foram avaliados 1.600 frutos
por UE distribuídos em 8 pontos de 200 frutos cada, para estimar
o dano causado por B. salubricola e
G. molesta no momento
da aplicação dos emissores de feromônios.
Avaliação dos tratamentos. A eficiência dos
tratamentos foi avaliada registrando-se semanalmente a população
de adultos nas armadilhas Delta no período de 17/mar/2005 a 26/mai/2005
(safra 2004/05) e de 30/ago/2005 a 1/nov/2005 (safra 2005/06) contando-se
o número de machos capturados, retirando-os e substituindo os septos
de feromônio da lagarta-enroladeira-da-maçã e da mariposa-oriental
a cada 90 e 30 dias, respectivamente. O fundo contendo cola adesiva foi
substituído de acordo com a necessidade.
A avaliação do efeito da técnica de disrupção
sexual utilizando emissores de feromônios sobre a população
de adultos de B. salubricola e G. molesta foi realizada calculando-se
o índice de interrupção do acasalamento (IIA), através
da fórmula IIA = (C-T/T)*100, sendo "C" a média de machos
capturados por armadilha na UE com feromônios e "T" é o número
de capturas na PIM (Molinari et al. 2000).
O número médio de insetos capturados/armadilha em cada UE
foi comparado em cada período, sendo este realizado no fim da safra
2004/05 e início da 2005/06.
Para verificar o dano causado pelas pragas nos frutos, foi realizada
uma avaliação na colheita da cultivar 'Fuji' em 5/mai/2005,
registrando-se o número de frutos danificados por B. salubricola
e
G.
molesta em 1600 frutos por UE, distribuídos em 8 pontos de 200
frutos cada.
Análise dos dados. A flutuação populacional
de adultos foi demonstrada graficamente plotando-se o número médio
de machos/armadilha/semana em função do tempo nos diferentes
tratamentos.
O número médio de insetos capturados nas quatro armadilhas
em cada UE foi comparado considerando três períodos: pré-amostragem
com dados de coleta de quatro dias para verificar a homogeneidade de infestação
entre as UE’s; da colocação dos liberadores ao final da safra
2004/05, para avaliar o efeito dos feromônios e de 30/ago/2005 a
1/nov/2005, para avaliar o efeito na safra 2005/06. Todos os dados foram
submetidos à análise de variância (ANOVA), sendo as
médias comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade
utilizando-se do programa STATISTICA (Versão 6).
Resultados e Discussão
O número de insetos capturados nas armadilhas Delta e o percentual
de frutos danificados na pré-avaliação (10/mar/2005)
não apresentaram diferenças significativas entre as UE's,
demonstrando homogeneidade de infestação das pragas antes
da instalação do experimento (Fig. 2
e Tabela 1).
Figura 2. Número médio de machos de B. salubricola
(A)
e G. molesta (B) capturados por semana em armadilhas Delta (n =
4 para cada espécie) iscadas com o feromônio Iscalure Bonagota®
e Iscalure Grapholita® em parcelas de macieira tratadas
com SPLAT Grafo + Bona® (SG+B) e SPLAT Cida Grafo + Bona®
(SCG+B) aplicados em 10/mar/2005 e testemunha (PIM). As setas coloridas
indicam as aplicações de inseticidas nas respectivas unidades
experimentais. Vacaria, RS, 2004/06.
Tabela 1. Percentagem (±
erro padrão) de maçãs 'Fuji' danificadas por B.
salubricola e G. molesta na pré-avaliação
e na colheita em unidades experimentais tratadas com SPLAT Grafo + Bona®
(SG+B) e SPLAT Cida Grafo + Bona® (SCG+B) aplicados em 10/mar/2005
e testemunha (PIM) (n = 8 para cada espécie). Vacaria, RS, 2004/05.
A flutuação populacional de adultos de B. salubricola
capturados
nas UE's tratadas com os emissores SG+B e SCG+B e na PIM foram semelhantes
do início do experimento até 14/abr/2005, sendo que a partir
desta data, ocorreu um aumento no número de adultos capturados na
UE PIM, fato não observado nas UE's tratadas com emissores de feromônios
(Fig. 2A). Na safra 2004/05, a flutuação populacional de
adultos de B. salubricola nas UE's tratadas com SG+B e SCG+B mantiveram-se
sempre em níveis inferiores aos da PIM, onde se verificou picos
populacionais próximos a 150 machos.armadilha-1.semana-1
(Fig. 2A). Neste caso, foi observado que os emissores de feromônios
contribuíram para reduzir a população de adultos de
B.
salubricola.
Na safra 2005/06, a partir da avaliação realizada em 04/out/2005,
observou-se que nas unidades tratadas com os emissores SG+B e SCG+B houve
aumento na flutuação populacional de adultos de B. salubricola
em
relação à UE PIM (Fig. 2A). Tal fato pode ser resultante
do término do efeito dos liberadores sobre os acasalamentos que
continuaram mesmo durante a entre-safra da cultura, já que B.
salubricola
não apresenta diapausa (Kovaleski
et
al. 1998; Botton et al. 2000)
e pode se alimentar de outras plantas hospedeiras (Kovaleski
et
al. 1998).
O número médio de machos adultos de B. salubricola
capturados
na safra 2004/05, não diferiu entre as UE’s tratadas com os emissores
SG+B (246) e SCG+B (344,5) indicando que as duas formulações
foram equivalentes em evitar o acasalamento da espécie. A média
de capturas na UE tratada com os emissores SG+B foi significativamente
inferior ao número médio capturado na PIM (806,7) (Tabela
2). O IIA (Índice de Interrupção do Acasalamento),
que representa a redução no número de capturas de
machos de B. salubricola em armadilhas Delta em relação
à UE sem aplicação de feromônios, neste caso
a PIM, foi de 87,8% e 82,9%, para as UE’s SG+B e SCG+B, respectivamente
(Tabela 2), indicando que a aplicação
dos emissores dificultou o encontro das fêmeas pelos machos. Na safra
2005/06, o número médio de machos de B. salubricola capturados
nas armadilhas foi semelhante entre todas as UE's, ratificando que a aplicação
dos emissores na safra 2004/05 não foi eficiente para atuar sobre
os acasalamentos durante o inverno e início da safra 2005/06 (Tabela
2).
Tabela 2. Número médio
(± erro padrão) de machos de B. salubricola e G.
molesta capturados (Nº. MC) e Índice de Interrupção
do Acasalamento (IIA - %) em unidades experimentais de macieiras tratadas
com SPLAT Grafo + Bona® (SG+B) e SPLAT Cida Grafo + Bona®
(SCG+B) aplicados em 10/mar/2005 e testemunha (PIM) (n = 4 para cada espécie).
Vacaria, RS, 2004/06.
Com base nestes resultados, verificou-se que a aplicação
da formulação SG+B e SCG+B na pré-colheita da cultivar
'Fuji' não resultou em redução da população
de B. salubricola durante a entressafra da cultura, não sendo
uma estratégia interessante de supressão populacional da
referida praga.
A flutuação populacional de adultos de G. molesta na
UE PIM na safra 2004/05 foi superior à flutuação nas
UE's tratadas com feromônios (Fig. 2B). Nas UE's tratadas com os
emissores SG+B e SCG+B, os valores de capturas mantiveram-se próximos
a zero, caracterizando a interrupção do acasalamento, registrado
pela redução no número de machos que encontraram a
fonte emissora de feromônio, neste caso a armadilha Delta.
Por outro lado, diferente do observado para B. salubricola, os
tratamentos SG+B e SCG+B aplicados para redução da população
de G. molesta na pré-colheita da cultivar 'Fuji' na safra
2004/05 resultaram em capturas menores nestas UE's em comparação
à PIM na safra 2005/06 (Fig. 2B). Este fato pode ser explicado pela
ação dos emissores no período em que a população
de G. molesta entra em diapausa (Dickson
1949; Kovaleski 2004), reduzindo o crescimento
populacional na safra seguinte quando comparado com áreas sem tratamento
(Fig. 2B).
Os emissores de feromônio SG+B e SCG+B aplicados na safra 2004/05,
apresentaram-se eficientes para reduzir o encontro entre machos e fêmeas
de G. molesta, uma vez que o número médio de machos
capturados foi de 0,13 e 0,38 respectivamente, não diferindo entre
si, mas sim da UE PIM (58,4) (Tabela 2). A mesma tendência
foi observada no início da safra 2005/06, sendo que as UE's tratadas
com emissores SG+B (29,3) e SCG+B (25,8) não diferiram entre si,
mas mostraram-se significativamente inferiores à PIM (284,8), demonstrando
que para G. molesta, a aplicação dos emissores SG+B
e SCG+B na pré-colheita da cultivar 'Fuji' afeta negativamente a
população inicial da safra seguinte. O IIA (%) para G.
molesta, na safra 2004/05, observado na UE tratada com os emissores
SG+B foi de 99,8% e na UE SCG+B de 99,4%, já na safra 2005/06 este
índice decresceu para 89,7 e 91,0%, respectivamente (Tabela
2).
O dano causado por B. salubricola em frutos da cultivar 'Fuji'
verificados na colheita nas UE's onde foram aplicados os emissores SG+B
e SCG+B foram de 3 e 3,5% respectivamente, com tendência a serem
inferiores aos da UE PIM (4,75%) (Tabela 1). Nenhum
dano em frutos causados por G. molesta foi verificado nas UE's tratadas
com os emissores SG+B e SCG+B comparado com 0,25% na PIM (Tabela
1). Entretanto, para as duas espécies, não foram detectadas
diferenças significativas entre os tratamentos.
Sob o ponto de vista dos produtores, não foram observadas vantagens
na aplicação dos liberadores SG+B e SCG+B na pré-colheita
da cultivar 'Fuji' visando evitar danos nos frutos durante a colheita causados
por B. salubricola e G. molesta (Tabela 2).
Entretanto, foi observado que os emissores SG+B e SCG+B promoveram uma
redução na população de G. molesta que
entra em diapausa podendo ser uma estratégia interessante para aquelas
situações onde a população da praga nos pomares
é elevada e/ou detectou-se resistência a inseticidas. Neste
caso, não haveria necessidade de se utilizar no liberador o feromônio
de B. salubricola, visto que a população desta espécie
não foi afetada negativamente pela aplicação da disrupção
sexual.
Agradecimentos
Ao estatístico Nério Cardoso e aos professores: Dr. José
Maurício Simões Bento e Dr. Luís Amilton Foerster
pelas considerações e sugestões, ao Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) pela concessão de bolsas de estudo, à empresa
Isca Tecnologias Ltda. pelo fornecimento das armadilhas e feromônios
sexuais, à Embrapa Uva e Vinho e à RASIP AGRO PASTORIL S.
A. de Vacaria, RS, por cederem as áreas para a execução
deste trabalho.
Literatura Citada
Botton, M., O. Nakano & A. Kovaleski.
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