Compatibility of pesticides with the predatory mites Neoseiulus
californicus (McGregor) and Phytoseiulus macropilis (Banks)
(Acari: Phytoseiidae)
ABSTRACT - One of the strategies to manage Tetranychus urticae
Koch
is the use of applied biological control by releasing phytoseiid mites
(Acari: Phytoseiidae). However, the use of pesticides can affect the survivorship
and reproduction of these biological control agents. The objective of this
study was to evaluate the compatibility of 21 pesticides (acaricide-insecticides,
insecticides and fungicides) on immature and adult stages of the predaceous
mites Neoseiulus californicus (McGregor) and Phytoseiulus macropilis
(Banks).
Each pesticide was tested at concentrations that were recommended to control
the pests in ornamental and vegetable crops in Brazil. The mortality of
immature and adult of each predaceous mite was assessed 120 and 48 h after
spraying the pesticide, respectively. The impact of pesticides on instantaneous
growth rate (ri) was also assessed. Among the pesticides, two
acaricide-insecticides (fenpropathrin and milbemectin), two insecticides
(buprofezin and spinosad) and eight fungicides (azoxystrobin, metiram+pyraclostrobin,
boscalid+kresoxim-methyl, tebuconazole, clorotalonil, imibenconazole, iprodione,
triforine) had no effect on survivorship and reproduction of N. californicus.
Six fungicides were compatible with P. macropilis (azoxystrobin,
boscalid+kresoxim-methyl, tebuconazole, imibenconazole, iprodione e triforine).
The highest toxicity to N. californicus
was observed with pyridaben.
Besides the high mortality of P. macropilis
caused by fenpropathrin,
beta-cypermethrin, formetanate, methomyl and pyridaben, these pesticides
led to the extinction of mite population. Because of the tolerance of N.
californicus to several pesticides, these predaceous mites have showed
high potential to be used in commercial field crops.
KEYWORDS - Integrated pest management, Tetranychus urticae,
phytoseiid, biological control, chemical control.
RESUMO - Uma estratégia para o manejo do ácaro
rajado, Tetranychus urticae Koch, é o uso do controle biológico
aplicado mediante liberações de ácaros fitoseídeos
(Acari: Phytoseiidae). No entanto, o emprego de agrotóxicos pode
interferir na sobrevivência e reprodução desses inimigos
naturais. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a compatibilidade
de 21 agrotóxicos (acaricida-inseticidas, inseticidas e fungicidas)
sobre imaturos e adultos dos ácaros predadores Neoseiulus californicus
(McGregor)
e Phytoseiulus macropilis (Banks). As concentrações
utilizadas para cada produto foram definidas dentro do intervalo recomendado
pelos fabricantes. A avaliação da mortalidade de imaturos
e adultos foi efetuada 120 e 48 h após a pulverização,
respectivamente. O impacto dos agrotóxicos no crescimento populacional
foi avaliado mediante a taxa instantânea de crescimento (ri).
Dentre os produtos testados, dois acaricida-inseticidas (fenpropatrina
e milbemectina), dois inseticidas (buprofezina e espinosade) e oito fungicidas
(azoxistrobina, metiram+piraclostrobina, boscalida+cresoxim-metílico,
tebuconazol, clorotalonil, imibenconazol, iprodiona, triforina) foram compatíveis
à N. californicus, não afetando a sobrevivência
de imaturos e adultos, além de não ter causado redução
na ri. Por outro lado, seis fungicidas mostraram-se inócuos a P.
macropilis (azoxistrobina, boscalida+cresoxim-metílico, tebuconazol,
imibenconazol, iprodiona e triforina). Devido à tolerância
de N. californicus a vários agrotóxicos, sugere-se
que esse predador possa ser liberado em áreas comerciais onde o
uso do controle químico é realizado comumente. Com relação
a P. macropilis, uma estratégia que contribuiria com a sua
preservação em áreas de produção comercial
seria a seleção de linhagens resistentes aos agrotóxicos.
O controle químico é a principal estratégia adotada
para o manejo do ácaro rajado, Tetranychus urticae Koch (Acari:
Tetranychidae), em cultivo protegido de hortaliças e plantas ornamentais.
No entanto, o uso intensivo de acaricidas para o controle dessa praga tem
comprometido o desempenho dos principais ingredientes ativos disponíveis
no mercado, principalmente devido à evolução da resistência
(Cranham & Helle 1985, Nauen
et
al. 2001).
Uma estratégia viável para o manejo da resistência
do ácaro rajado a acaricidas nessas culturas é o uso do controle
biológico aplicado, sendo que essa ferramenta insere-se perfeitamente
na teoria preconizada pelo manejo integrado de pragas (MIP) (Norris
et
al. 2003). Os ácaros predadores são considerados
os inimigos naturais mais efetivos no controle biológico de ácaros-praga,
sendo que as principais famílias com espécies de predadores
são Anystidae, Bdellidae, Cheyletidae, Cunaxidae, Laelapidae, Phytoseiidae
e Stigmaeidae (Yaninek & Moraes 1991,
Gerson
et
al. 2003). Dentre esses, os ácaros fitoseídeos são
os mais importantes, sendo que em todo mundo são conhecidas mais
de 2.250 espécies, das quais cerca de 140 já foram relatadas
no Brasil (Moraes
et al. 2004).
No entanto, a adoção do controle químico pode interferir
drasticamente nas liberações desses predadores, já
que os mesmos geralmente são mais suscetíveis aos agrotóxicos
do que os ácaros fitófagos (Rock 1979,
Croft
& Whalon 1982, Croft 1990). Para minimizar
o efeito negativo do controle químico sobre o biológico e
proporcionar um equilíbrio ecológico entre as pragas e seus
inimigos naturais, a integração dessas estratégias
de controle pode resultar em uma forma de manejo racional de ácaros.
A seleção de agrotóxicos que sejam compatíveis
com os ácaros fitoseídeos é uma estratégia
importante, o que poderá contribuir para o sucesso de programas
de manejo integrado em cultivo protegido de hortaliças e ornamentais.
Além do efeito letal sobre os inimigos naturais, estudos para
estimar o efeito subletal de cada produto são recomendados, principalmente
para os agrotóxicos pertencentes a novos grupos, os quais são
considerados mais específicos com relação à
praga-alvo e menos agressivos ao meio ambiente (Desneux
et
al. 2007). Nesse contexto, a avaliação da toxicidade
dos agrotóxicos nos parâmetros demográficos é
uma das principais ferramentas para avaliar o efeito subletal em populações
de inimigos naturais. Assim, estudos de ecotoxicologia têm sido realizados
com esse propósito, geralmente empregando a estimativa da taxa instantânea
de crescimento (ri) (Stark et al.
1997, Stark & Banken 1999, Teodoro
et
al. 2005). Essa medida estima a toxicidade direta dos agrotóxicos
no crescimento populacional, e assim como a razão intrínseca
de crescimento (rm), integra os efeitos na sobrevivência
e fecundidade de uma determinada população (Stark
& Banks 2003).
Este trabalho foi desenvolvido com o propósito de avaliar a compatibilidade
de 21 agrotóxicos (incluindo acaricida-inseticidas, inseticidas
e fungicidas), recomendados para o controle de pragas em cultivo de hortaliças
e/ou plantas ornamentais, com os ácaros Neoseiulus californicus
(McGregor) e Phytoseiulus macropilis (Banks) que são inimigos
naturais potenciais para o emprego em programas de manejo aplicado de T.
urticae nessas culturas.
Material e Métodos
Coleta das populações de ácaros. A população
de T. urticae foi proveniente de coletas realizadas durante o ano
de 2003 em cultivo de feijão, Phaseolus vulgaris L., situados
no campo experimental do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia
Agrícola, da ESALQ/USP em Piracicaba/SP. Com relação
aos ácaros predadores, a população de N. californicus
foi
cedida em 2002 pelo Dr. Mario Eidi Sato do Instituto Biológico em
Campinas/SP, sendo previamente coletada em cultivo comercial de morango
no município de Atibaia/SP, em outubro de 1999. A população
de P. macropilis foi coletada em 2003, em associação
com a população de T. urticae. Após a realização
das coletas, os ácaros foram encaminhados até o laboratório,
dentro de sacos de papel acondicionados em caixas de isopor contendo gelo.
Criação de ácaros em condições
de laboratório. Para a criação de T.
urticae, plantas de feijão de porco Canavalia ensiformis
(L.)
foram cultivadas em casa de vegetação até o desenvolvimento
do primeiro par de folhas, momento em que as mesmas foram encaminhadas
ao laboratório. Nessas condições, aproximadamente
50 plantas foram infestadas com todas os estágios de desenvolvimento
do ácaro rajado, sendo mantidas em uma gaiola de 1,0 × 0,6
× 0,4 m que foi feita com armação de madeira e coberta
com tecido "voil". A cada cinco dias efetuou-se a substituição
de aproximadamente 25 plantas para a manutenção da população.
As populações dos ácaros predadores N. californicus
e
P.
macropilis foram mantidas separadamente sobre plantas de
C. ensiformis
infestadas
com T. urticae. Cada espécie de ácaro predador foi
isolada em câmaras climatizadas a 25±2ºC, 70±10%
de umidade relativa e 14 h de fotofase. A reposição das plantas
para a manutenção das populações dos predadores
foi realizada a cada cinco dias, da mesma forma que o descrito para T.
urticae. Após o estabelecimento das populações
em laboratório, amostras foram retiradas para identificação
específica.
Bioensaios toxicológicos. A toxicidade dos 21 agrotóxicos
recomendados e/ou empregados para o controle de pragas em cultivo protegido
de plantas ornamentais e/ou hortaliças (Tabela 1)
foi avaliada sobre os ácaros predadores N. californicus e
P.
macropilis. Os agrotóxicos foram divididos em três grupos
sendo: A. acaricida-inseticidas; B. inseticidas e C. fungicidas.
A concentração utilizada para cada agrotóxico foi
definida dentro do intervalo recomendado pelos respectivos fabricantes
para o controle de pragas em hortaliças e/ou plantas ornamentais
(AGROFIT 2006). Para o tratamento-controle foi
utilizada água destilada.
Tabela 1. Agrotóxicos
utilizados nos bioensaios toxicológicos com os ácaros predadores
N.
californicus e P. macropilis.
Efeito no desenvolvimento de imaturos. Grupos com 50 fêmeas
adultas de N. californicus e P. macropilis foram retirados
das criações de laboratório e transferidos para arenas
confeccionadas com folhas de C. ensiformis infestadas com todos
os estágios de desenvolvimento de T. urticae. Para a confecção
dessas arenas, cada folha foi disposta sobre uma espuma embebida em água
destilada contida em placa de Petri de 12 cm de diâmetro. Em seguida
as folhas foram circundadas com algodão hidrófilo umedecido
para mantê-las túrgidas e impedir a fuga dos ácaros.
As arenas foram mantidas em câmara climatizada a 25±2ºC,
70±10% de umidade relativa e 14 h de fotofase, durante 24 h. Após
esse período, grupos com cinco ovos de cada predador foram transferidos
em discos de folha de C. ensiformis de 3 cm de diâmetro contendo
20 fêmeas adultas e 100 ovos de T. urticae. Esses discos foram
dispostos sobre espuma embebida em água destilada contida em placa
de Petri de 12 cm de diâmetro, sendo mantidos durante 20 h em câmara
climatizada.
Posteriormente foi realizada a pulverização direta dos
ovos em estágio final de desenvolvimento embrionário, com
uso da torre de Potter (Burkard Manufacturing, Rickmansworth, Herts, Inglaterra)
calibrada a uma pressão de 10 psi (68,95 kPa). Em cada aplicação
foi utilizado um volume de 2 ml de suspensão de cada produto químico,
obtendo-se uma deposição média de 1,50 mg/cm2.
Meia hora após a pulverização, cada disco foi transferido
sobre uma mistura de ágar-água (3%) contida em placas de
Petri de 3,5 cm de diâmetro. Essas placas foram fechadas com filme
plástico (PVC) para evitar a fuga dos ácaros, sendo posteriormente
mantidas dentro de caixas plásticas, em câmaras climatizadas
a 25±2ºC, 70±10% de umidade relativa e 14 h de fotofase.
Foram realizadas cinco repetições para cada tratamento, sendo
cada repetição composta por quatro placas.
A avaliação da mortalidade foi realizada 120 h após
a pulverização dos ovos, período que na ausência
de efeitos adversos possibilita o desenvolvimento das fases de larva, protoninfa,
deutoninfa e a emergência de adultos de N. californicus e
P.
macropilis. Foi considerado morto o ácaro predador que não
respondeu com movimentos vigorosos ao ser tocado por um pincel. Os dados
de porcentagem de mortalidade, para cada espécie, foram submetidos
à análise de variância (ANOVA) e as médias dos
tratamentos com agrotóxicos foram comparadas com o controle pelo
teste de Dunnett ao nível de 5% de significância (SAS
Institute 2000). Além disso, para cada produto testado foi comparada
a suscetibilidade de N. californicus e P. macropilis pelo
teste-t, sendo que para isso a mortalidade de cada tratamento foi corrigida
pela fórmula de Abbott (1925).
Toxicidade sobre fêmeas adultas. Trinta fêmeas adultas
de N. californicus ou P. macropilis, com aproximadamente
10 dias após a emergência, foram transferidas para arenas
confeccionadas com folhas de C. ensiformis, previamente infestadas
com todos os estágios de desenvolvimento de T. urticae (como
foi descrito no item anterior).
Após a transferência dos predadores foi realizada a pulverização
dessas arenas, juntamente com discos de folha de C. ensiformis de
3 cm de diâmetro, previamente infestados com cerca de 40 fêmeas
adultas e 100 ovos de T. urticae. A pulverização foi
realizada com a torre de Potter calibrada a uma pressão de 10 psi
(68,95 kPa), sendo que para cada aplicação foi utilizado
um volume de 2 ml de suspensão, obtendo-se uma deposição
média de aproximadamente 1,50 mg/cm2. Em seguida, os
discos de folha contendo resíduo foram deixados para secar em condições
de laboratório por aproximadamente meia hora. Posteriormente, esses
discos foram acondicionados sobre uma mistura de ágar-água
(3%) contida no interior de placas de Petri de 3,5 cm de diâmetro.
Grupos de cinco fêmeas pulverizadas foram transferidos para cada
arena contendo resíduo do respectivo agrotóxico. Posteriormente
essas arenas foram fechadas com filme plástico transparente (PVC)
para impedir a fuga dos ácaros. Durante o período de desenvolvimento
dos bioensaios, as arenas foram mantidas em câmara climatizada a
25±2ºC, 70±10% de umidade relativa e 14 h de fotofase.
Foram realizadas quatro repetições para cada tratamento,
sendo cada repetição composta por quatro arenas. A avaliação
da mortalidade foi efetuada 48 h após a transferência dos
ácaros predadores contaminados sobre o resíduo, sendo considerado
morto o indivíduo que não respondeu com movimentos vigorosos
ao ser tocado por um pincel. Os dados de porcentagem de mortalidade, para
cada espécie, foram submetidos à análise de variância
(ANOVA) e as médias dos tratamentos com agrotóxicos foram
comparadas com o controle pelo teste de Dunnett ao nível de 5% de
significância (SAS Institute 2000). Além
disso, para cada produto químico testado foi comparada a suscetibilidade
de N. californicus e P. macropilis pelo teste-t, corrigindo-se
a mortalidade de cada tratamento pela fórmula de Abbott
(1925).
Efeito no crescimento populacional. Para avaliar o impacto dos
agrotóxicos no crescimento populacional de N. californicus e
P.
macropilis foi realizada a estimativa da taxa instantânea de
crescimento (ri), equação (1):
(1)
onde: Nf é o número de ácaros presentes
em cada arena por ocasião da avaliação do bioensaio
(ovos, larvas, ninfas e adultos), No é o número
inicial de ácaros transferidos em cada arena por ocasião
do início do bioensaio e
é o período em que os ácaros predadores ficaram em
contato com o resíduo dos produtos, ou seja, o período de
duração do bioensaio. De acordo com a equação,
se o valor estimado para: ri = 0, verifica-se equilíbrio
no crescimento populacional; por outro lado se ri > 0, o crescimento populacional
mantêm-se em estado ascendente e se ri < 0, a população
está sofrendo um declínio que poderá levá-la
à extinção, quando Nf = 0 (Stark
& Banks 2003).
Os procedimentos adotados para a execução deste bioensaio
foram os mesmos descritos para avaliar a toxicidade sobre fêmeas
adultas, conforme descrito anteriormente. Porém, a avaliação
foi efetuada sete dias após a transferência das fêmeas
adultas contaminadas sobre o resíduo, momento em que se procedeu
a contagem do número total de predadores/arena (ovos, imaturos e
adultos). Os dados do número final de cada predador por tratamento
(Nf), para cada espécie, foram submetidos à análise
de variância (ANOVA) e as médias dos tratamentos foram comparadas
com o controle pelo teste de Dunnett ao nível de 5% de significância
(SAS Institute 2000). Além disso, também
foi efetuada a interpretação dos resultados obtidos para
taxa instantânea para cada tratamento.
Resultados e Discussão
Efeito sobre imaturos. Um maior número de agrotóxicos
afetou o desenvolvimento de imaturos, quando comparado com os resultados
obtidos para fêmeas adultas de ambas as espécies de predadores.
Diferença significativa entre os tratamentos foi observada para
N.
californicus (F=10,53; g.l.= 21, 114; p<0,0001). Os acaricida-inseticidas
cloridrato de formetanato, diaferentiurom, piridabem e endosulfan, causaram
mortalidade maior do que 60% nesse estágio de desenvolvimento. Os
inseticidas beta-cipermetrina, metomil, imidacloprido e ciromazina também
foram tóxicos sobre imaturos de N. californicus, ocasionando
mortalidade entre 37 e 58%. Com relação aos fungicidas, apenas
mancozebe afetou os imaturos desse predador (Fig. 1).
Figura 1. Toxicidade de acaricida-inseticidas (A), inseticidas
(B) e fungicidas (C) no desenvolvimento de imaturos do ácaro predador
N.
californicus. *Mortalidade média no tratamento diferiu significativamente
do controle (Dunnett, p< 0,05).
Todos os acaricida-inseticidas e inseticidas testados afetaram significativamente
o desenvolvimento de imaturos de P. macropilis (F=18,23; g.l.=21,
102; p< 0,0001), sendo que fenpropatrina, piridabem, cloridrato de formetanato,
diafentiuron, endosulfan, beta-cipermetrina, metomil e imidacloprido causaram
mortalidades superiores a 85%. Com relação aos fungicidas,
clorotalonil, mancozebe e metiram+piraclostrobina apresentaram toxicidade
significativa sobre imaturos de P. macropilis, causando mortalidade
maior do que 40% nesse estágio (Fig. 2).
Figura 2. Toxicidade de acaricida-inseticidas (A), inseticidas
(B) e fungicidas (C) no desenvolvimento de imaturos do ácaro predador
P.
macropilis. *Mortalidade média no tratamento diferiu significativamente
do controle (Dunnett, p< 0,05).
Comparando-se a suscetibilidade de imaturos de N. californicus e
P.
macropilis, verifica-se que N. californicus foi mais tolerante
aos acaricida-inseticidas fenpropatrina, cloridrato de formetanato, aos
inseticidas beta-cipermetrina e metomil e aos fungicidas metiram+piraclostrobina,
tebuconazol e clorotalonil do que P. macropilis (Tabela
2).
Tabela 2. Efeito de agrotóxicos
no desenvolvimento de imaturos dos ácaros predadores N. californicus
e
P.
macropilis a agrotóxicos.
Toxicidade sobre fêmeas adultas. A análise dos dados de
mortalidade de fêmeas adultas de N. californicus revelou diferenças
significativas entre os tratamentos (F=15,31; g.l.= 21, 79; p< 0,0001).
Três acaricida-inseticidas causaram mortalidade significativa desse
predador, sendo cloridrato de formetanato (56,%), piridabem (95%) e endosulfan
(46%). Os demais acaricida-inseticidas, inseticidas e fungicidas testados
não apresentaram impacto sobre esse estágio de desenvolvimento
do predador, sendo que todos os produtos causaram mortalidade inferior
a 20% (Fig. 3).
Figura 3. Toxicidade de acaricida-inseticidas (A), inseticidas
(B) e fungicidas (C) sobre fêmeas adultas do ácaro predador
N.
californicus. *Mortalidade média no tratamento diferiu significativamente
do controle (Dunnett, p< 0,05).
Um maior número de agrotóxicos causou elevada toxicidade
sobre P. macropilis, obtendo-se diferenças significativas
entre os tratamentos (F=12,21; g.l.= 21, 78; p< 0,0001). Os acaricida-inseticidas
fenpropatrina, cloridrato de formetanato e piridabem e os inseticidas beta-cipermetrina
e metomil, causaram mortalidades entre 98 e 100% de adultos desse predador.
Além desses, milbemectina, endosulfan, triforina e imidacloprido
também afetaram P. macropilis, observando-se mortalidades
entre 47 e 73% de fêmeas adultas dessa espécie (Fig.
4).
Figura 4. Toxicidade de acaricida-inseticidas (A), inseticidas
(B) e fungicidas (C) sobre fêmeas adultas do ácaro predador
P.
macropilis. *Mortalidade média no tratamento diferiu significativamente
do controle (Dunnett, p < 0,05).
Comparando-se a suscetibilidade de fêmeas adultas desses dois
predadores, verifica-se que N. californicus foi mais tolerante aos
acaricidas-inseticida fenpropatrina, cloridrato de formetanato, milbemectina
e aos inseticidas beta-cipermetrina e metomil do que P. macropilis (Tabela
3). De modo geral, dentre as classes de agrotóxicos testados,
o grupo dos fungicidas foi o que apresentou menor impacto sobre fêmeas
adultas de ambos os predadores.
Tabela 3. Efeito de agrotóxicos
no desenvolvimento de imaturos dos ácaros predadores N. californicus
e P. macropilis a agrotóxicos.
Efeito no crescimento populacional dos ácaros predadores.
Com
relação ao efeito dos agrotóxicos no crescimento populacional
de N. californicus, foram observadas diferenças significativas
no número final de indivíduos (Nf) entre os tratamentos
(F= 6,68; g.l.= 21, 91; p < 0,0001). Os acaricida-inseticidas piridabem
e endosulfan afetaram o crescimento populacional de N. californicus
reduzindo
o número final de indivíduos, o que ocasionou valores negativos
para a para taxa instantânea de crescimento (ri) (Tabela
4). Apesar de cloridrato de formetanato e metomil também terem
reduzido significativamente o número final de indivíduos
de N. californicus, houve um crescimento populacional dessa espécie,
observando-se valores positivos de ri para esses produtos (Tabela
4). Nenhum produto testado levou à extinção de
N.
californicus nestas condições.
Tabela 4. Impacto de agrotóxicos
no crescimento populacional de N. californicus.
Por outro lado, os acaricida-inseticidas fenpropatrina, piridabem, cloridrato
de formetanato, e os inseticidas beta-cipermetrina e metomil, extinguiram
a população de P. macropilis testada. Valores negativos
para a taxa instantânea de crescimento em P. macropilis foram
observados Endosulfan e milbemectina também afetaram o crescimento
populacional desse predador, ocasionando valores negativos na taxa instantânea
de crescimento, sendo -0,060 e -0,014 respectivamente (Tabela
5).
Tabela 5. Impacto de agrotóxicos
no crescimento populacional de P. macropilis.
O ácaro predador N. californicus foi compatível
com um maior número de agrotóxicos do que P. macropilis.
Dentre os 21 produtos testados, 12 foram inócuos sobre N. californicus,
sendo dois acaricida-inseticidas (fenpropatrina, milbemectina), dois inseticidas
(buprofezina e espinosade) e oito fungicidas (azoxistrobina, metiram+piraclostrobina,
boscalida+cresoxim-metílico, tebuconazol, clorotalonil, imibenconazol,
iprodiona, triforina), sendo que esses não afetaram a sobrevivência
e reprodução de fêmeas adultas, além de não
ter causado impacto significativo no desenvolvimento de imaturos dessa
espécie. Por outro lado, apenas seis fungicidas mostraram-se inócuos
a P. macropilis sendo: azoxistrobina, boscalida+cresoxim-metílico,
tebuconazol, imibenconazol, iprodiona e triforina.
Os acaricida-inseticidas cloridrato de formetanato, endosulfan e piridabem
causaram elevada mortalidade de imaturos e adultos em ambas as espécies.
Apesar de cloridrato de formetanato ter reduzido significativamente o número
final (Nf) de N. californicus, observou-se que a taxa
instantânea de crescimento obtida para esse predador permaneceu positiva
(0,037), quando o mesmo foi exposto a esse produto (Tabela
4). Por outro lado, sete dias após a pulverização
com esse acaricida-inseticida, observou-se que a população
de P. macropilis foi levada à extinção, já
que por ocasião da avaliação nenhum sobrevivente foi
encontrado nas arenas.
O impacto no crescimento populacional dos predadores também foi
observado para o endosulfan. Apesar dos valores negativos estimados para
a taxa instantânea de crescimento de N. californicus e P.
macropilis, esse produto não levou imediatamente nenhum predador
à extinção. Porém, a obtenção
de valores negativos para ri é um indicativo de que o
agrotóxico pode ocasionar a extinção da população
exposta ao seu resíduo (Stark et al.
1997, Stark & Banks 2003). A elevada
toxicidade de endosulfan sobre o ácaro predador Phytoseiulus
persimilis Athias-Henriot também foi observada por Blümel
et
al. (1993). Trabalho realizado por Bostanian
e Akalach (2006) revelou que endosulfan ocasionou mortalidade de 66%
em fêmeas adultas de P. persimilis, sendo que esse resultado
aproximou-se da mortalidade obtida no presente estudo tanto para N.
californicus quanto para P. macropilis. Por outro lado, esses
autores verificaram que endossulfan foi inócuo ao ácaro predador
Amblyseius
(=Neoseiulus)
fallacis
e ao percevejo predador
Orius insidiousus (Say) (Hemiptera:
Anthocoridae).
Dentre os agrotóxicos testados, piridabem foi o que causou a
maior toxicidade sobre N. californicus, sendo obtidas mortalidades de 100%
para imaturos e 95% para adultos (Figs. 1 e 3).
Além disso, esse produto também reduziu drasticamente o crescimento
populacional dessa espécie, obtendo-se um valor negativo para a
taxa instantânea de crescimento (-0,230) (Tabela
4). Para P. macropilis, além de piridabem ter causado
elevado impacto sobre adultos e imaturos também levou à extinção
a população desse predador. Esses resultados assemelham-se
com o observado por Alston & Thomson
(2004), que verificaram que piridabem causou elevada toxicidade sobre
fêmeas adultas de Galendromus occidentalis (Nesbitt), reduzindo
a fecundidade e o consumo desse ácaro predador sobre T. urticae.
Amano et al. (2004) após
avaliarem a suscetibilidade de diferentes populações de N.
califonicus no Japão, detectaram variabilidade intraespecífica
na resposta ao piridabem, sendo que a mortalidade das fêmeas adultas
variou entre 28 e 76%. Uma hipótese estabelecida para explicar tal
fato foi que essa suscetibilidade diferencial poderia estar associada à
pressão de seleção local com esse produto e consequentemente
a resistência de populações de N. californicus a
este acaricida-inseticida. O emprego de linhagens resistentes de N.
californicus ao piridabem pode contribuir com o sucesso de programas
de manejo integrado de T. urticae.
Comparando os resultados obtidos para milbemectina, verifica-se que
a mortalidade de fêmeas adultas de N. califonicus esteve abaixo
de 20%, sendo significativamente menor do que a estimada para P. macropilis
que
foi de 51% (Tabela 3). A elevada mortalidade de fêmeas
adultas, somada à toxicidade de milbemectina no desenvolvimento
imaturos de P. macropilis, também ocasionou redução
no crescimento da população exposta a este produto, obtendo-se
valor negativo para ri (Tabela 5).
Segundo Kim & Yoo (2002), milbemectina
também apresentou elevada toxicidade sobre adultos e imaturos de
P.
persimilis, sendo que o mesmo foi observado para Amblyseius
(=Neoseiulus) womersley Kim &
Seo (2001). A elevada suscetibilidade de N. womersleyi aos acaricida-inseticidas
milbemectina e piridabem foi a hipótese levantada por Amano
et
al. (2004) para explicar o fato desse fitoseídeo, que até
os anos 90 era a espécie de ácaro predador predominante em
pomares de frutas no Japão, ter sido substituído, a partir
de então, por N. califonicus nestas condições.
De acordo com esses autores, algumas populações de N.
califonicus, coletadas em campo, mostraram-se mais tolerantes a esses
acaricida-inseticidas do que N. womersleyi. Pelos resultados obtidos
neste estudo pode-se inferir que as liberações dessa população
de N. califonicus poderiam ser efetivas mesmo em áreas onde
se utiliza milbemectina, ao contrário do observado para P. macropilis.
No presente trabalho os adultos de N. californicus foram tolerantes
a fenpropatrina, beta-cipermetrina e metomil, produtos que além
de não terem causado mortalidade significativa nesse estágio
de desenvolvimento, também não afetaram a taxa instantânea
de crescimento do predador (ri). Por outro lado, todos esses
produtos foram extremamente tóxicos aos imaturos e adultos de P.
macropilis, levando inclusive a população desse predador
à extinção. O efeito letal pronunciado de fenpropatrina
sobre outros inimigos naturais como o ácaro predador Typhlodromus
pyri Scheuten e percevejo O. insidiosus também foi relatado
por Solomon et al. 1993 e Ashley
et
al. 2006.
Em outros estudos realizados com N. californicus, também
foi observada elevada tolerância a outros agrotóxicos de largo
espectro de ação como os piretróides acrinatrina,
deltametrina e o organofosforado dimetoato, além de fenpiroximate,
propargite, enxofre e benomil (Sato et al.
2002, Silva & Oliveira 2006).
Geralmente os piretróides apresentam elevada toxicidade sobre os
ácaros predadores (Rock 1979, Croft
1990), o que neste trabalho foi comprovado para P. macropilis.
Nesse caso, a elevada tolerância de N. californicus a esses
produtos pode ser explorada de maneira positiva em programas de manejo
do ácaro T. urticae.
A classe de agrotóxicos que apresentou menor impacto sobre os
predadores foi a dos fungicidas, sendo que dentre os nove produtos testados,
apenas mancozebe apresentou algum efeito sobre N. califonicus. Já
P.
macropilis foi afetado por três fungicidas, sendo: mancozebe,
metiram+piraclostrobina e clorotalonil. Todos esses produtos causaram mortalidades
significativas apenas no desenvolvimento de imaturos, não afetando
a sobrevivência e reprodução de fêmeas adultas
dos predadores. Resultado semelhante foi reportado por Kongchuensin
& Takafuji (2006) que verificaram apesar das fêmeas adultas
de Neoseiulus longispinosus (Evans) apresentarem elevada tolerância
ao mancozebe, por outro lado, os imaturos desse predador foram altamente
suscetíveis a este produto.
O efeito de mancozebe e metiram (ambos pertencentes ao grupo dos ditiocarbamatos)
sobre os ácaros G. occidentalis e Euseius victoriensis
(Womersley)
foi reportado por Bernard et al. (2004).
Segundo esses autores, mancozebe foi altamente tóxico sobre esses
predadores, resultando em redução nas capacidades reprodutiva
e de predação dos mesmos, sugerindo-se incompatibilidade
desse fungicida em sistemas de manejo de pragas onde são efetuadas
liberações com esses inimigos naturais. Já o fungicida
metiram afetou esses dois ácaros de modo diferenciado, causando
elevada mortalidade em fêmeas adultas de G. occidentalis e
reduzindo a capacidade reprodutiva de E. vistoriensis. Um estudo
realizado no nordeste da Itália revelou que em algumas áreas
de produção comercial de uvas, o emprego de mancozebe causou
um desequilibro ecológico entre o ácaro predador Kampimodromus
aberrans (Oudemans) e o ácaro fitófago T. urticae,
observando-se incremento no crescimento populacional da praga em detrimento
do predador (Pozzebon et al. 2002).
Outros agrotóxicos como o acaricida-inseticida diafentiuron e
os inseticidas imidacloprido e ciromazina apesar de não terem causado
elevada toxicidade sobre fêmeas adultas de N. californicus causaram
elevada mortalidade sobre imaturos dessa espécie. O mesmo efeito
foi obtido para P. macropilis sendo que além desses três
produtos, buprofezina e espinosade também só afetaram o desenvolvimento
de imaturos dessa espécie. Sugere-se que a elevada toxicidade observada
para esses agrotóxicos sobre imaturos foi devido à pulverização
direta dos ovos momento antes à eclosão das larvas e conseqüente
a contaminação das mesmas. No bioensaio para avaliar o impacto
no crescimento populacional, a pulverização foi efetuada
diretamente sobre as fêmeas, que continuaram ovipositando normalmente.
Após a eclosão, as larvas expostas ao resíduo desses
agrotóxicos sobreviveram, o que também contribuiu para o
crescimento populacional de ambas as espécies.
Espinosade não causou impacto significativo na sobrevivência
e reprodução de fêmeas adultas de N. californicus
e
P.
macropilis, sendo obtidos valores positivos para a taxa instantânea
de crescimento das duas espécies. De acordo com
Jones
et
al. (2005), espinosade pode ser utilizado concomitantemente com
o ácaro predador Neoseiulus cucumeris Oudemans, que comumente
é empregado para o controle biológico de tripes, Frankliniella
occidentalis Pergande, em cultivo protegido de hortaliças, tal
como pepino. Um estudo realizado em cultivo protegido de gerânio
também revelou que o uso de espinosade foi compatível com
liberações do ácaro
P. persimilis, sendo que
mesmo após a aplicação desse produto, o predador sobreviveu,
reproduziu-se e controlou o ácaro rajado com eficiência (Holt
et
al. 2006).
Por outro lado, Villanueva e Walgenbacii
(2005) verificaram que apesar de espinosade ter exibido elevado impacto
sobre fêmeas adultas do ácaro predador N. fallacis,
as quais permaneceram 96 h expostas ao resíduo deste produto, o
mesmo não afetou o desenvolvimento de imaturos dessa espécie.
Com relação à toxicidade de espinosade sobre ácaros
fitófagos, apesar desse produto não afetar Panonychus
ulmi (Koch), causou elevada mortalidade, redução na fecundidade
e repelência de fêmeas de T. urticae (Villanueva
& Walgenbacii 2006). No entanto, o efeito de espinosade foi obtido
somente quando esse ácaro permaneceu exposto sobre o resíduo
do produto durante 3 a 4 dias. O fato de espinosade apresentar repelência
sobre T. urticae, pode fazer com que após a pulverização
em campo esse ácaro desloque-se em busca de áreas de refúgio,
permanecendo sobre o resíduo por um período que reduziria
a atividade acaricida deste produto nestas condições (Villanueva
& Walgenbacii 2006).
Diante dos resultados obtidos, devido à compatibilidade de N.
californicus com vários agrotóxicos, inclusive com produtos
de largo espectro de ação como os piretróides, sugere-se
que esse ácaro possa apresentar vantagens adaptativas em áreas
comerciais. Com relação a P. macropilis, uma estratégia
que poderia contribuir com a sua preservação em campo seria
a seleção de linhagens resistentes a alguns produtos como
fenpropatrina, beta-cipermetrina, cloridrato de formetanato, metomil, milbemectina
e piridabem. Ressalta-se que um programa para seleção de
linhagens de ácaros fitoseídeos resistentes a agrotóxicos
poderia ser iniciado a partir de coletas de populações em
áreas comerciais, preferencialmente onde a pressão de seleção
com determinado ingrediente ativo seja intensa. Obtendo-se uma população
que apresente alta freqüência de sobrevivência a um determinado
produto, o próximo passo seria a seleção em condições
de laboratório e multiplicação massal para liberação
em campo. Em vários países o emprego de linhagens de ácaros
predadores resistentes a agrotóxicos tem contribuído com
o sucesso de programas de manejo de ácaros (Hoy
1985, Fournier et al. 1985,
Blommers
1994).
Para os agrotóxicos que causaram elevada mortalidade apenas sobre
os imaturos dos predadores, ou ainda, para aqueles que apresentaram elevada
toxicidade sobre fêmeas adultas e no crescimento populacional, experimentos
realizados em condições de semi-campo e/ou campo poderiam
comprovar o efeito dos mesmos, confirmando ou não, os resultados
obtidos em laboratório. Com relação aos produtos que
não apresentaram nenhum efeito sobre os parâmetros avaliados
para cada espécie, pode-se afirmar que devido a essa compatibilidade
com os ácaros predadores, esses podem ser empregados em programas
manejo de T. urticae, sendo essa uma ferramenta potencial para a
conservação desses ácaros após a liberação
em campo.
Agradecimentos
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) pela bolsa de doutorado concedida ao primeiro autor.
Literatura Citada
Abbott, W.S. 1925. A method of computing the
effectiveness of insecticide. J. Econ. Entomol., 18: 265-267.
Alston, D. & S.V. Thomson. 2004.
Effects of fungicide residues on the survival, fecundity, and predation
of the Tetranychus urticae (Acari: Tetranychidae) and Galendromus occidentalis
(Acari: Phytoseiidae). J. Econ. Entomol., 97: 950-956.
Amano, H., Y. Ishii & Y. Kobori. 2004.
Pesticide susceptibility of two dominant-phytoseiidae mites, Neoseiulus
californicus and N. womersleyi, in convencional Japanese Fruit Orchards
(Gamasina: Phytoseiidae). J. Acarol. Soc. Japan, 13: 65-70.
Ashley, J.L., D. A. Herbert, E. E.
Lewis, C. C. Brewster & R. Huckaba. 2006. Toxicity of theree acaricides
to Tetranychus urticae (Tetranychidae: Acari) and Orius insidiosus (Anthocoridae:
Hemiptera). J. Econ. Entomol., 99: 55-59.
Bernard, M.B., P.A. Horne & A.A. Hoffmann.
2004. Developing an ecotoxicological testing standard for predatory mites
in Australia: acute and sublethal effects of fungicides on Euseius vistoriensis
and Galendromus occidentalis (Acarina: Phytoseiidae). J. Econ. Entomol.,
97:891-899.
Blommers, L.H.M. 1994. Integrated pest management
in European apple orchards. Annu. Rev. Entomol., 39:213-241.
Blümel, S., F. Bakker & A. Grove.
1993. Evaluation of different methods to assess the side-effects of pesticides
on Phytoseiulus persimilis A.-H.. Exp. Appl. Acarol., 17:161-169.
Bostanian, N.J. & M. Akalach.
2006. The effect of indoxacarb and five other insecticides on Phytoseiulus
persimilis (Acari: Phytoseiidae), Amblyseius fallacis (Acari: Phytoseiidae)
and nymphs of Orius insidiosus (Hemiptera: Anthocoridae). Pest Manag. Sci.,
62:334-339.
Cranham, J.E & W. Helle. 1985. Pesticide
resistance in Tetranychidae, p.405-421. In: W. Helle. & M. W. Sabelis
(eds.), Spider mites: their biology, natural enemies and control. Amsterdam,
Elservier, 458 p.
Croft, B.A. 1990. Arthropod biological control
agents and pesticides. New York, Wiley Interscience, 723p.
Croft, B.A. & M. E. Whalon. 1982.
Selective toxicity of pyrethroid insecticides to arthropod natural enemies
and pests of agricultural crops. Entomophaga, 27:3-21.
Desneux, N., A. Decourtye & J. M.
Delpuech. 2007. The sublethal effects of pesticides on beneficial arthropods.
Annu. Rev. Entomol., 52:81-106.
Fournier, D., M. Pralavorio, J. B. Berge
& A. Cuany. 1985. Pesticide resistance in Phytoseiidae, p.423-432.
In: W. Helle. & M. W. Sabelis (eds.), Spider mites: their biology,
natural enemies and control. Amsterdam, Elservier, 458p.
Gerson, U., R. L. Smiley & Ochoa, R.
2003. Mites (acari) for pest control. Oxford, Blackwell Science, 539p.
Holt, K.M., G. P. Opit, J. R. Nechols, &
D. C. Margolies. 2006 Testing for non-target effects of spinosad on twospotted
spider mites and their predator Phytoseiulus persimilis under greenhouse
conditions. Exp.Appl. Acarol., 38:141-149.
Hoy, M.A. 1985. Integrated mite management for
California almond orchards, p.299-310. In: W. Helle & M. W. Sabelis
(eds.), Spider mites: their biology, natural enemies and control. Amsterdam,
Elservier, 458p.
Jones, T., C. Scott-Dupree, R. Harris, L.
Shipp, B. Harris. 2005. The efficacy of spinosad against the western flower
thrips, Frankliniella occidentalis, and its impact on associated biological
control agents on greenhouse cucumbers in southern Ontario. Pest Manag.
Sci., 61:179-185.
Kim, S.S. & S. G. Seo. 2001. Relative
toxicity of some acaricides to the predatory mite, Amblyseius womersleyi
and the twospotted spider mite, Tetranychus urticae (Acari: Phytoseiidae,
Tetranychidae. Appl. Entomol. Zool., 36:509-514.
Kim, S.S. & S. S. Yoo. 2002. Comparative
toxicity of some acaricides to the predatory mite, Phyoseiulus persimilis
and the twospotted spider mite, Tetranychus urticae. Biocontrol, 47:563-573.
Kongchuensin, M. & A. Takafuji.
2006. Effects of some pesticides on the predatory mite, Neoseiulus longispinosus
(Evans) (Gamasina: Phytoseiidae). J. Acarol. Soc. Japan, 15:17-27.
Moraes, G.J. De, J. A. McMurtry, H. A.
Denmark & C. A. Campos. 2004. A revised catalog of the mite family
Phytoseiidae. Zootaxa, 434:1-494.
Nauen, R., N. Stumpf, A. Elbert, C.
P. W. Zebitz & W. Kraus. 2001. Acaricide toxicity and resistance in
larvae of different strains of Tetranychus urticae and Panonychus ulmi
(Acari: Tetranychidae). Pest Manag. Sci., 57:253-261.
Norris, R.F., E, P. Caswell-Chen &
M. Kogan. 2003. Concepts in integrated pest management. New Jersey, Prentice
Hall, 586p.
Pozzebon, A., C. Duso & E. Pavanetto.
2002. Side-effects of some fungicides on phytoseiid mites (Acari, Phytoseiidae)
in north-italian vineyards. J. Pest Sci., 75:132-136.
Rock, G. C. 1979. Relative toxicity of two synthetics
pyrethroids to a predator Amblyseius fallacis and its prey Tetranychus
urticae. J. Econ. Entomol., 72:293-294.
SAS INSTITUTE INC. 2000. SAS/STAT: user's guide,
Version 8. SAS Institute Inc.: Cary, NC.
Sato, M.E., M da Silva, L. R. Gonçalvez,
M. F. de Souza Filho & A. Raga. 2002. Toxicidade diferencial de agroquímicos
a Neoseiulus californicus (McGregor) (Acari: Phytoseiidae) e Tetranychus
urticae Koch (Acari: Tetranychidae) a morangueiro. Neotrop. Entomol., 31:449-456.
Silva, M.Z. da & C. A. L. de Oliveira.
2006. Seletividade de alguns agrotóxicos em uso na citricultura
ao ácaro predador Neoseiulus californicus (McGregor) (Acari: Phytoseiidae).
Rev. Bras. Frut., 28:205-208.
Solomon, M.G., J. D. Fitzgerald &
M. S. Ridout. 1993. Fenazaquim, a selective acaricide for use in IPM in
apple in the UK. Crop Protec., 12:255-258.
Stark, J.D. & J. A. O. Banken. 1999.
Importance of population structure at the time of toxicant exposure. Ecotox.
Environ. Safety, 42:282-287.
Stark, J.D. & J. E. Banks. 2003. Population-level
effects of pesticides and other toxicants on arthropods. Annu. Rev. Entomol.,
48:505-519.
Stark, J.D., L. Tanigoshi, M. Bounfour &
A. Antonelli. 1997. Reproductive potential: Its influence on the susceptibility
of a species to pesticides. Ecotox. Environ. Safety, 37:273-279.
Teodoro, A.V., M. A. M. Fadini, W. P.
Lemos, R. N. C. Guedes & A. Pallini. 2005. Lethal and sub-lethal
selectivity of fenbutatin oxide and sulfur to the predator Iphiseiodes
zuluagai (Acari: Phytoseiidae) and its prey, Oligonychus ilicis (Acari:
Tetranychidae), in Brazilian coffee plantations. Exp. Appl. Acarol., 36:61-70.
Villanueva, R.T. & J. F.
Walgenbacii. 2005. Development, oviposition, and mortality of Neoseiulus
fallacis (Acari: Phytoseiidae) in response to reduced-risk insecticides.
J. Econ. Entomol., 98:2114-2120.
Villanueva, R.T. & J. F.
Walgenbacii. 2006. Acaricidal properties of spinosad against Tetranychus
urticae and Panonychus ulmi (Acari Tetranychidae). J. Econ. Entomol., 99:843-849.
Yaninek, J.S. & G. J. de Moraes.
1991. A synopsis of classical biological control of mites in agriculture,
p.133-149. In: F. Dusbabeck & V. Bukva (eds.), Modern acarology. Prague,
Academia, 779p.